Atlas da História

Revolução Haitiana

22 ago. 1791 a 1º jan. 1804 · Caribe

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Revolta de pessoas escravizadas na colônia francesa de Saint-Domingue, iniciada em 1791, que terminou com a independência do Haiti em 1804. Toussaint Louverture foi uma de suas principais lideranças.

A colônia mais rica do Caribe

Murgueitio Manrique (2012) lembra que Saint-Domingue tinha uma população escravizada, de no mínimo meio milhão de pessoas pela menor estimativa, que convivia com cerca de 30 mil brancos e um número equivalente de libertos, em geral mulatos (termo da época e do autor). O tráfico de africanos sustentava as plantações francesas, o polo comercial mais pujante do Caribe no fim do século XVIII. Os libertos haviam ganhado posição social, em parte por lutar na guerra de independência das colônias britânicas da América do Norte, e tinham chegado a possuir um quarto das terras férteis para exportação, mas os brancos desconfiavam deles. (Murgueitio Manrique 2012)

Da disputa sobre direitos à insurreição

Em 8 de março de 1790 a Assembleia Constituinte francesa concedeu, de modo ambíguo, o voto aos libertos proprietários, o que enfureceu os colonos brancos. Vincent Ogé e Jean-Baptiste Chavannes pegaram em armas para forçar o cumprimento dos decretos e foram derrotados; alguns foram entregues pelas autoridades espanholas e executados em fevereiro de 1791. Na noite de 14 de agosto de 1791, durante uma tempestade, houve a reunião de Bois-Caïman, presidida por Boukman, com rituais do vodu, na qual se decidiu o levante, segundo o autor. O registro data o início em 22 de agosto de 1791. (Murgueitio Manrique 2012)

A abolição de 1793

Em 1793 chegaram os comissários civis Sonthonax, Polverel e Ailhaud. Em 21 e 22 de junho, em Cap Français, Sonthonax enfrentou rebeldes proprietários de escravizados, com mais de três mil homens armados, e em 29 de agosto proclamou a liberdade dos escravizados e seus direitos plenos de cidadãos franceses, segundo Murgueitio Manrique, que cita Guerra. Para o autor, a abolição foi o último recurso para preservar a soberania francesa em Saint-Domingue. (Murgueitio Manrique 2012)

Louverture entre a Espanha e a França

Líderes negros como Jean François e Biassou foram nomeados tenentes-generais do rei da Espanha. Toussaint Louverture, até dezembro de 1793, somou vitórias para os espanhóis contra os franceses e em maio de 1794 mudou de lado, tornando-se comandante-geral da linha oeste francesa. Passou a combater ingleses e espanhóis e outros chefes negros fiéis a eles. Em 1795, o Tratado de Basileia entre a França republicana e a Espanha mudou o quadro. As autoridades espanholas das Antilhas e da Terra Firme tentaram conter os efeitos do levante, temido como exemplo de revolta de escravizados. (Murgueitio Manrique 2012)

Fontes

  1. Dubois, L. (2004). Avengers of the New World. Harvard University Press (Belknap). DOI 10.4159/9780674034365; ISBN 9780674013049. Acessar
  2. Murgueitio Manrique, C. A. (2012). "La revolución negra en Saint Domingue y sus efectos en la guerra racial de las Antillas y Tierra Firme, 1789–1797". Historia y Espacio 5(33). DOI 10.25100/hye.v5i33.1733. Acessar

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