Atlas da História

Revolução Cubana

26 jul. 1953 a 1º jan. 1959 · Caribe

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Luta contra a ditadura de Batista que começou com o ataque ao quartel Moncada, em 1953, e levou ao poder, em 1959, o Exército Rebelde liderado por Fidel Castro, com Che Guevara entre seus chefes. O programa do Moncada prometia restaurar a Constituição de 1940, repartir terras e confiscar bens desviados por governos corruptos.

Um “povo” acima das classes

Na resenha que faz da Historia mínima de Rafael Rojas, a socióloga Velia Cecilia Bobes (2016) destaca a definição de “povo” em “A história me absolverá”, a defesa de Fidel Castro depois do Moncada: uma noção acima das classes, que reunia classe média, desempregados, operários, camponeses, pequenos agricultores, profissionais, comerciantes e estudantes. Para Rojas, segundo Bobes, essa amplitude servia à unidade diversa da insurreição: a pluralidade de vozes e posições numa esfera pública ainda dinâmica mobilizou atores de classes e ideologias diferentes e abriu a crise de legitimidade que derrubou Batista. Bobes lembra também que a história política cubana chamou de revolução muitos eventos distintos, das guerras de independência do século XIX à revolução de 1930 contra a ditadura de Machado, e que até o golpe de Batista em 1952 se apresentou como revolucionário. Anna Clayfield (2019), pelo resumo do capítulo, mostra como a luta armada deu aos chefes do Exército Rebelde, sobretudo a Che Guevara, o poder de imprimir uma marca guerrilheira duradoura no discurso da revolução. (Bobes 2016; Rojas 2015; Clayfield 2019)

A Sierra Maestra diante dos jornalistas

Patricia Calvo González (2016) estuda a insurreição como luta travada também no espaço público. Depois do desembarque do Granma, em 2 de dezembro de 1956, o governo e a imprensa cubana, sob censura, davam Fidel Castro como morto; a guerrilha chamou então um jornalista estrangeiro, Herbert Matthews, do New York Times, cujas reportagens de fevereiro de 1957 levaram a Sierra Maestra às primeiras páginas. No acampamento, Castro instalou uma casinha com rádio e uma placa bilíngue, “Club de Prensa/Press Club”. Seguiram-se repórteres dos Estados Unidos e da França e, nos primeiros meses de 1958, da América Latina, atraídos em parte pelo sequestro do piloto argentino Juan Manuel Fangio por militantes do Movimento 26 de Julho em Havana, em 23 de fevereiro. Para a autora, os encontros eram combinados e a guerrilha só mostrava o que lhe convinha; o resultado foi a imagem romântica de “Robin Hoods barbudos” que lutavam pela volta da democracia em termos nacionalistas. (Calvo González 2016)

A luta nas cidades contada a leitores latino-americanos

O uruguaio Carlos María Gutiérrez, do diário La Mañana, subiu à serra em fevereiro de 1958 e publicou quatro crônicas em março. Em Santiago de Cuba, entrevistou Vilma Espín, a “Deborah” da clandestinidade, que lhe explicou a estrutura do Movimento 26 de Julho: uma direção de doze membros, um coordenador nacional e responsáveis por propaganda, movimento operário, finanças, resistência cívica e ação, esquema repetido em cada uma das seis províncias. Gutiérrez criticou a imprensa dos Estados Unidos por reduzir o movimento a Castro e esquecer os dirigentes civis de Santiago e Havana; o próprio Castro lhe disse que, fora das operações militares, sua opinião era a de mais um membro da Direção Nacional e que a reforma agrária não exigia expropriação. O mexicano Manuel Camín, do Excélsior, entrevistou Castro em março. O equatoriano Carlos Bastidas, que colaborou com a Rádio Rebelde, foi morto em Havana em 13 de maio de 1958; a versão mais difundida culpa a polícia secreta de Batista, outra fala em briga de bar. O argentino Jorge Ricardo Masetti levou ao ar as vozes de Castro e de Guevara. (Calvo González 2016)

Da pluralidade à unanimidade depois de 1959

Bobes (2016) concorda com Rojas que a diversidade que derrubou a ditadura deu lugar, já no poder, a uma redução gradual das vozes até uma liderança única; as leis radicais aprovadas a partir de 1960 provocaram rupturas com grupos que tinham sido centrais na insurreição. Ela propõe, porém, empurrar a fronteira entre as duas etapas: o primeiro gabinete revolucionário, plural, ainda pertenceria à fase anterior, e a segunda começaria com a renúncia do presidente Manuel Urrutia e a posse de Fidel Castro como primeiro-ministro. Entre 1959 e 1976, resume a autora, a Constituição de 1940 foi substituída por uma Lei Fundamental, as instituições representativas e o sistema de partidos foram desmontados, o Partido Comunista de Cuba foi criado em 1965 e a Constituição socialista de 1976 fechou o novo desenho institucional. No campo social, ela cita a queda do coeficiente de Gini de 0,55 em 1955 para 0,25 e a ampliação da cobertura de aposentadorias de 62,6% para 94,1%, a partir de Carmelo Mesa-Lago. (Bobes 2016; Rojas 2015)

Fontes

  1. Wikidata Q11264 (P580/P582 e descrição); consultado via API em out. 2026
  2. Clayfield, A. (2019). "Perpetuating a Fighting Spirit". In: The Guerrilla Legacy of the Cuban Revolution. University Press of Florida, p. 16–33. ISBN 9781683400899. DOI 10.5744/florida/9781683400899.003.0002. Acessar
  3. Rojas, R. (2015). Historia mínima de la Revolución cubana. El Colegio de México. ISBN 9786074627725.
  4. Bobes, V. C. (2016). "Historia mínima de la Revolución cubana, de Rafael Rojas". Perfiles Latinoamericanos 24: 319–325. DOI 10.18504/pl2448-013-2016. Acessar
  5. Calvo González, P. (2016). "Percepciones de la Sierra Maestra. La visión de la insurrección cubana (1957-1958) a través de los periodistas latinoamericanos". Revista Internacional de Historia de la Comunicación 2(7): 92–115. DOI 10.12795/rihc.2016.i07.05. Acessar

Na mesma região