Atlas da História

Chegada dos judeus sefarditas ao Império Otomano (1492): a acolhida de Bayezid II e a memória em ladino

A partir de março de 1492 (edito dos reis católicos, segundo Şarhon). A chegada continuou em ondas até o fim do séc. XVI, segundo a mesma fonte. · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em março de 1492, os reis católicos da Espanha mandaram sair do país os judeus (e os muçulmanos) que não aceitassem a conversão. Segundo Şarhon, alguns historiadores falam em até 200 mil exilados, dos quais cerca de 93 mil teriam chegado ao Império Otomano, onde o sultão Bayezid II os recebeu e mandou os governadores não os rejeitar nem os maltratar. A frase atribuída a ele, de que Fernando empobrecia seu país e enriquecia o dele, vem de Aboab, no séc. XVII, e é repetida num poema em ladino.

O que Şarhon conta sobre 1492

Segundo Şarhon, a história dos judeus sefarditas turcos começa em março de 1492, quando os reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão decidem criar uma Espanha católica e exigem que judeus e muçulmanos que recusem a conversão saiam. Ela diz que, segundo alguns historiadores, os judeus espanhóis chegaram a 200 mil e se espalharam pelo norte da Europa e pelo Mediterrâneo, e que, segundo outros, cerca de 93 mil vieram ao Império Otomano. Os que tinham fugido para Portugal foram expulsos em 1496 por decreto do rei Manuel, que lhes dava dez meses, e a maioria também buscou refúgio otomano. (Şarhon)

Onde se instalaram e o que fizeram

Segundo Şarhon, a migração continuou até o fim do séc. XVI. Os sefarditas escolheram o oeste da Anatólia, o Mármara, a Trácia e os Bálcãs, onde fundaram bairros judeus, a princípio agrupados por cidade de origem na península Ibérica. Istambul, Salônica, Edirne, Safed e Izmir viraram focos da cultura sefardita. Ela cita artesãos de couro, cobre, tecelagem e tinturaria, médicos e diplomatas no palácio, e a primeira gráfica de Istambul, aberta em 1493 pelos irmãos David e Samuel ben Nahmias, vindos da Espanha. A comunidade romaniota, de judeus bizantinos, já existia em Istambul, onde Moşe Kapsali, último chefe dos judeus bizantinos, foi o primeiro hahambaşı turco de Istambul. (Şarhon)

A frase de Bayezid e a memória

Şarhon repete a frase que Immanuel Aboab, no séc. XVII (Nomologia), atribuiu a Bayezid II: como podiam chamar de sábio o rei Fernando se ele empobrecia o seu país e enriquecia o do sultão? O poema em ladino de Albert Levy traz uma frase quase igual. Nenhuma das duas fontes lidas verifica a origem da frase, que vem de um autor mais de um século depois dos fatos; a atribuição é tradição da comunidade, não documento da época. A página do poema também traz o ferman como um decreto às províncias, que Şarhon cita da obra de Danon por intermédio de um site da comunidade judaica turca. (Şarhon; Levy (Levi))

Fontes

  1. Şarhon, Karen Gerson. "Osmanlı'dan Günümüze İstanbul'da Yahudilerin Dinî Hayatı". Em: Büyük İstanbul Tarihi: Yahudilik, pp. 160 e seguintes. https://istanbultarihi.ist/assets/uploads/pdf/osmanlidan-gunumuze-istanbulda-yahudilerin-dini-hayati-158.pdf, consultado em 30/10/2026. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
  2. Levy (Levi), Albert (data não indicada). "Sultan Bayazid el segundo i los djudios desterados de Espanya". Tradução inglesa de Ashley Bobman. UW Stroum Center for Jewish Studies, Sephardic Digital Collection, página publicada em 25/09/2017 por Kara Schoonmaker. https://jewishstudies.washington.edu/sephardic-digital-museum/sultan-bayazid-ii-jews-expelled-spain, consultado em 30/10/2026. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar

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