Atlas da História

Abrigo de Santa Marta (Chiapas): reocupação durante o evento climático de 8,2 mil anos atrás

c. 8200 a 8000 cal AP (c. 6250 a 6050 a.C.), segundo Acosta e outros (2018) para o evento de 8,2 mil anos; os pulsos esporádicos de uso começam c. 9000 cal AP · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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O abrigo de Santa Marta, na Depressão Central de Chiapas, foi o local de duas grandes fases de ocupação: uma no fim do Pleistoceno e outra, menor, que coincide com o evento climático de 8,2 mil anos atrás. Acosta e colegas (2018) leem o evento como um período frio e úmido na região e explicam a volta das pessoas ao abrigo como busca de refúgio na estação chuvosa, perto de um rio permanente, com caracóis de água doce como principal proteína. Eles notam, na mesma época, tubérculos, amido de batata-doce, feijão e inhame, e não descartam uma horticultura em pequena escala.

A sequência e a cronologia do abrigo

O abrigo de Santa Marta, na Depressão Central de Chiapas, foi escavado primeiro por MacNeish e Peterson (1962) e de novo desde 2004. O modelo de idades de Acosta e colegas (2018) usa 13 datas de radiocarbono em carvão, calibradas e modeladas no OxCal 4.2. A camada V deu 8420–8180 cal AP (mediana 8310) e a camada VII, 8590–8410 cal AP (mediana 8490), ambas a 2 sigma. A ocupação começa pelo menos em 12.500 cal AP, no início do Dryas Recente. (Acosta et al. 2018)

Intensidade de uso e clima

Segundo os autores, o número de artefatos líticos por camada é o melhor indicador da intensidade de ocupação. A ocupação mais intensa foi a do fim do Pleistoceno; ela diminui muito no Holoceno inicial e tem pulsos esporádicos entre 9000 e 8300 cal AP, com uma segunda ocupação intensa, menor que a primeira, que coincide com o evento de 8,2 mil anos. Os isótopos de oxigênio e carbono em conchas de caracol Pachychilus indicam, para os autores, que o evento foi úmido e frio; o valor de δ18O da amostra associada ao evento é significativamente mais alto do que os das outras amostras de 8,3 a 6,49 mil anos. (Acosta et al. 2018)

Alimentação e plantas durante o evento

Os caracóis de água doce (Pachychilus), queimados ou fervidos, eram a principal fonte de proteína nos períodos de maior ocupação. Durante o evento de 8,2 mil anos, a evidência paleoetnobotânica inclui tubérculos secos de yumí (Dioscorea cymosula), pólen de Sapotaceae e grãos de amido de batata-doce (Ipomoea batatas), feijão (Phaseolus sp.) e inhame (Dioscorea trifida), e os autores dizem que uma horticultura em pequena escala não está descartada. Eles também sugerem que, entre 12 e 9,8 mil anos atrás, as pessoas do local já teriam ajudado a espalhar plantas como teosinto (Zea mays) e cacau. (Acosta et al. 2018)

Fontes

  1. Acosta, Guillermo; Beramendi, Laura E.; González, Galia; Rivera, Iran; Eudave, Itzel; Hernández, Elisa; Sánchez, Serafín; Morales, Pedro; Cienfuegos, Edith; Otero, Francisco (2018). "Climate change and peopling of the Neotropics during the Pleistocene-Holocene transition". Boletín de la Sociedad Geológica Mexicana 70(1): 1-19. DOI 10.18268/BSGM2018v70n1a1. Texto bruto lido na página do artigo, em 29/10/2026. Acessar

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