Atlas da História

San Lorenzo Tenochtitlán (olmeca)

auge c. 1200–1000 a.C.; ocupado desde c. 1800 a.C. (Wendt 2025) · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Conjunto de três sítios arqueológicos relacionados no México, apontado por Wendt (2025) como o maior sítio olmeca e o primeiro centro regional olmeca. Ocupado desde c. 1800 a.C., teve seu auge entre 1200 e 1000 a.C., com cabeças colossais, tronos e centenas de monumentos de pedra; depois de 1000 a.C., seu entorno se despovoou.

Vaso em forma de cabeça de pato
Vasilha de cerâmica com cinábrio em forma de cabeça de pato, feita por artistas olmecas no período em que San Lorenzo era um grande centro. Mostra o domínio da modelagem em cerâmica e o interesse olmeca por animais como motivo. Vaso em forma de cabeça de pato, artistas olmecas, autoria não registrada, 1200–900 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Tigela de cerâmica negra
Tigela de cerâmica de superfície escura, de tradição olmeca. Objetos de uso e de cerimônia como este ajudam a entender a vida material das comunidades que viviam em torno de centros como San Lorenzo. Tigela de cerâmica negra, artistas olmecas, autoria não registrada, séc. XII–VIII a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Aldeias de pescadores antes do centro olmeca

Segundo Lunagómez Reyes (2025), a ocupação da região de San Lorenzo está documentada há mais de 4 mil anos, nas fases Ojochi e Bajío (1500–1200 a.C.), em pequenas aldeias ao redor de pântanos. Esses habitantes, que o autor chama de pré-olmecas, viviam de recursos aquáticos: moluscos, tartarugas e peixes. A estratégia deu certo e foi o prelúdio do Olmeca Antigo centrado em San Lorenzo, considerado a primeira capital olmeca por seu tamanho enorme, pela transformação da paisagem natural, pela escultura monumental e por uma hierarquia complexa de sítios. Wendt (2025) acrescenta que as pesquisas arqueológicas no local começaram nos anos 1940 e que os estudos de padrão de assentamento no entorno documentam o desenvolvimento local de uma das primeiras sociedades complexas da Mesoamérica. Depois de 1000 a.C., o entorno se despovoou por mudanças drásticas no ambiente e por migrações para outros centros, como La Venta; a região só se recuperou entre 600 e 1000 d.C., sem voltar ao nível do auge. (Lunagómez Reyes 2025; Wendt 2025)

Cruzes, Us e mãos-asas-patas na cerâmica

Di Castro e Cyphers (2006) estudam os motivos incisos ou excisos que aparecem nas vasijas tidas como olmecas: a cruz, a U e a mão-asa-pata. Para fugir da polêmica sobre a origem desses desenhos, David Grove propôs chamá-los de Complexo X, termo neutro. Em San Lorenzo, essas cerâmicas chegam à frequência máxima nas fases San Lorenzo A (1150–1000 a.C.) e B (1000–850 a.C.), sobretudo nos tipos Tigrillo Negro e Tigrillo Branco e Negro, de superfície polida, negra a acinzentada ou branca e negra, obtida pelo controle da queima. A decoração de linha larga, chamada Calzadas, é geométrica, mas as autoras recusam ler isso como etapa primitiva de uma arte que iria do figurativo ao abstrato. Comparando os motivos com monumentos de pedra e com símbolos mesoamericanos posteriores, ligam-nos a um monstro cósmico: as faixas cruzadas teriam sentido celeste, sobretudo solar, e o conjunto reuniria noções sagradas da Terra e do Céu. (Di Castro e Cyphers 2006)

San Lorenzo ou Zohapilco?

Flannery e Marcus defenderam que esses motivos já eram comuns antes na bacia do México, no sítio de Zohapilco. Di Castro e Cyphers (2006) reexaminam a estratigrafia publicada por Christine Niederberger: para elas, as camadas atribuídas à fase Ayotla formam uma só unidade de deposição, com material redepositado, e nos níveis da fase Nevada a própria Niederberger descreve linhas finas paralelas e punções, não motivos do Complexo X. Concluem que Zohapilco não deve ser tomado como ponto de origem desses motivos. Em San Lorenzo, ao contrário, o simbolismo da Terra e do Céu aparece já na fase Bajío, com volutas em S deitado e elementos em forma de presa feitos em linha fina, muito antes da arte em pedra e da decoração Calzadas, e se difunde na fase Chicharras. Como antes de 1150 a.C. não há volutas nas cerâmicas de Puebla, Morelos e Oaxaca, as autoras propõem que esses conceitos surgiram em San Lorenzo. (Di Castro e Cyphers 2006)

Cosmologia em vasilhas, poder nos tronos

Para Di Castro e Cyphers (2006), a partir da fase San Lorenzo A as cerâmicas decoradas parecem ter servido para difundir as noções básicas do cosmos numa população ampla e assim regular o pensamento em todos os níveis da sociedade. Ao mesmo tempo, os motivos da Terra e do Céu passam para a arte monumental, que não era acessível a todos. Nos tronos, privilégio dos governantes, eles sustentavam as ideias de origem divina, ancestrais sagrados e legitimidade do chefe; em monumentos menores, peitorais com faixas cruzadas ou a U no toucado funcionavam como símbolos de status. Nas vasilhas de uso comum, o significado sagrado se juntava à função prática de recipiente para todos os setores sociais. As autoras ressalvam que a função das cerâmicas das fases mais antigas, Bajío e Chicharras, é difícil de avaliar, porque a amostra dessas ocupações, enterradas a grande profundidade, é pequena. (Di Castro e Cyphers 2006)

Fontes

  1. Diehl, R. A. (2004). The Olmecs: America's First Civilization. Thames & Hudson. ISBN 9780500021194.
  2. Wendt, C. J. (2025). "San Lorenzo". In: The Oxford Handbook of the Olmecs. Oxford University Press, p. 230–249. ISBN 9780190900304. DOI 10.1093/oxfordhb/9780190900304.013.0015. Acessar
  3. Lunagómez Reyes, R. (2025). "Formative Settlement in the San Lorenzo Region". In: The Oxford Handbook of the Olmecs. Oxford University Press, p. 102–112. ISBN 9780190900304. DOI 10.1093/oxfordhb/9780190900304.013.0007. Acessar
  4. Di Castro, A.; Cyphers, A. (2006). "Iconografía de la cerámica de San Lorenzo". Anales del Instituto de Investigaciones Estéticas 28(89): 29–58. DOI 10.22201/iie.18703062e.2006.89.2223. Acessar

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