Milho e abóbora cultivados e moídos no abrigo de Xihuatoxtla (vale do Balsas, México): evidência de c. 8700 anos atrás
c. 8990–8610 cal AP (c. 7040–6660 a.C.) para o nível D, com milho e abóbora; os autores resumem como "por volta de 8700 anos calendáricos antes do presente" (ano astronômico −6750). Datas de radiocarbono calibradas pelos autores; o nível E, mais fundo, não foi datado · Mesoamérica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 2009, Piperno, Ranere e colegas relataram grãos de amido e fitólitos de milho (Zea mays) em pedras de moer e lascas do abrigo de Xihuatoxtla, em Guerrero, na bacia do rio Balsas, onde vive o teosinto selvagem ligado ao milho. Segundo os autores, o milho já estava presente por volta de 8700 anos calendáricos antes do presente, junto com fitólitos de uma abóbora doméstica (possivelmente Cucurbita argyrosperma), em contexto de pequenos grupos que se deslocavam por estações. Eles apresentam o conjunto como a evidência mais antiga de milho conhecida até então e como argumento por uma origem em terras baixas tropicais, e não nas terras altas áridas.
O abrigo e a cronologia
Segundo Ranere e colegas (2009), o abrigo de Xihuatoxtla se forma sob um enorme bloco de rocha (17 × 16 × 14 m), a 964 m de altitude, com cerca de 75 m² de piso protegido. A sequência tem quase 1 m de profundidade e é ancorada por quatro datas de radiocarbono em carvão. A mais antiga, 7920 ± 40 AP (8990–8610 cal AP), vem do nível D, a 65 cm. Os depósitos culturais continuam por mais 35 cm abaixo dela, mas nenhuma amostra dali pôde ser datada. Os autores veem o local como um pequeno abrigo visitado repetidamente, por semanas ou mais, por grupos que provavelmente mudavam de lugar a cada estação no período pré-cerâmico. (Ranere et al. 2009)
Pedras de moer e resíduos
Piperno e colegas (2009) examinaram resíduos de 19 pedras de moer e de 3 ferramentas lascadas. O milho foi o tipo de amido dominante em todas elas, com 90% dos grãos recuperados. O tamanho médio dos grãos, de 12 a 17 µm, ficou acima do que os autores registram para qualquer teosinto (o maior valor médio, no teosinto Balsas, é de 9,5 µm), e as formas irregulares com facetas de compressão lembram as do milho. Fitólitos típicos de espiga de milho apareciam nos mesmos resíduos e nos sedimentos, enquanto os fitólitos de invólucro de grão de teosinto não apareceram em nenhuma amostra. Para os autores, isso indica que o teosinto não foi explorado em Xihuatoxtla e que a espiga era o foco. (Piperno et al. 2009)
Ferramentas de pedra e plantas
As ferramentas descritas por Ranere e colegas (2009) incluem manos e bases de moinho feitas de seixos e blocos de rio, modificados só pelo uso, além de pontas bifaciais e lascas simples usadas como facas, raspadores e buris. Pontas parecidas com as chamadas "Pedernales" aparecem em contextos de Guilá Naquitz e do vale de Tehuacán, datados entre c. 9510 e 7742 cal AP. Com as moedoras, os autores interpretam o processamento de plantas como atividade importante desde as camadas mais fundas. Fitólitos de abóbora doméstica, possivelmente C. argyrosperma, estão associados à data do nível D e aos níveis abaixo dela. (Ranere et al. 2009; Piperno et al. 2009)
Fontes
- Piperno, Dolores R.; Ranere, Anthony J.; Holst, Irene; Iriarte, Jose; Dickau, Ruth (2009). "Starch grain and phytolith evidence for early ninth millennium B.P. maize from the Central Balsas River Valley, Mexico". Proceedings of the National Academy of Sciences 106(13): 5019–5024. DOI 10.1073/pnas.0812525106 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2664021/ em 29/10/2026. Acessar
- Ranere, Anthony J.; Piperno, Dolores R.; Holst, Irene; Dickau, Ruth; Iriarte, José (2009). "The cultural and chronological context of early Holocene maize and squash domestication in the Central Balsas River Valley, Mexico". Proceedings of the National Academy of Sciences 106(13): 5014–5018. DOI 10.1073/pnas.0812590106 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2664064/ em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Abrigo de Santa Marta (Chiapas): reocupação durante o evento climático de 8,2 mil anos atrás c. 8200 a 8000 cal AP (c. 6250 a 6050 a.C.), segundo Acosta e outros (2018) para o evento de 8,2 mil anos; os pulsos esporádicos de uso começam c. 9000 cal AP
- Guilá Naquitz: domesticação da abóbora c. 10.000 anos atrás (anos calendáricos)
- San Lorenzo Tenochtitlán (olmeca) auge c. 1200–1000 a.C.; ocupado desde c. 1800 a.C. (Wendt 2025)
- Aguada Fénix c. 1000–800 a.C. (Inomata et al. 2020)
- Ceibal (Guatemala): plataforma artificial de 600 × 340 m e o conjunto cerimonial em Grupo E, iniciados por volta de 950 a.C. e ampliados na fase Escoba (700–350 a.C.) c. 950 a.C. (primeiros aterros do Grupo E) a c. 175 d.C. (fim do Pré-Clássico em Ceibal, fase Xate); fase Escoba, 700–350 a.C., dentro da faixa
- Teotihuacan séc. I ao VII d.C. (UNESCO)