Atlas da História

Guilá Naquitz: domesticação da abóbora

c. 10.000 anos atrás (anos calendáricos) · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna em Oaxaca (México) onde restos de abóbora Cucurbita pepo indicam domesticação há cerca de 10 mil anos. O achado põe a Mesoamérica entre os centros mais antigos de domesticação de plantas; a domesticação do milho, segundo Piperno e Flannery (2001), provavelmente ocorreu em outra parte do México.

Uma caverna no vale de Oaxaca

Guilá Naquitz fica a 5 km de Mitla, na parte leste do vale de Oaxaca, a 1.926 m de altitude, num mato espinhoso semiárido onde a chuva anual quase nunca passa de 600 mm (Piperno e Flannery, 2001). Escavada em 1966, tinha sete pisos de ocupação. O mais recente, a zona A, de 620–740 d.C., guardava muitas plantas domesticadas; os anteriores são da fase Naquitz, de cerca de 10.650 a 6.980 anos de radiocarbono antes do presente, um longo período de caça e coleta sem cerâmica em que começaram o cultivo e a domesticação. A caverna integra desde 2010 o bem Cavernas Pré-históricas de Yagul e Mitla, no Patrimônio Mundial. A UNESCO destaca restos muito bem conservados de cabaças, feijões e abóboras e cita Cueva Blanca e Gheo Shih, com animais do Pleistoceno, ferramentas de pedra e uso sazonal de frutos e pequenos mamíferos. Fora da parte de Yagul, porém, o sítio ainda não tinha proteção nacional ou municipal. (Piperno e Flannery 2001; UNESCO, lista nº 1352)

Sementes maiores, pedúnculos mais grossos

Smith (1997) examinou sementes, pedúnculos e fragmentos de casca de abóbora das camadas arcaicas da caverna e os atribuiu a Cucurbita pepo por caracteres morfológicos. Ele os identificou como planta domesticada, e não como cabaça silvestre, por quatro mudanças: sementes mais compridas, pedúnculos mais grossos e alterações na forma e na cor dos frutos. Nove datações por espectrometria de massa com acelerador, feitas nos próprios restos, situam o cultivo entre 10 mil e 8 mil anos de calendário atrás, ou 9 mil a 7 mil anos de radiocarbono. Segundo Smith, isso antecede em mais de 4 mil anos o milho, o feijão e as outras plantas domesticadas datadas diretamente nas Américas. Piperno e Flannery (2001) registram que uma semente da zona B1 foi datada diretamente em 8.990 anos de radiocarbono, cerca de 9.975 anos de calendário. (Smith 1997; Piperno e Flannery 2001)

Quatro espigas pequenas

Entre cerca de 6.980 anos de radiocarbono antes do presente e 620 d.C., houve só visitas curtas à caverna, sem pisos de ocupação; os visitantes deixaram quatro espigas de milho pequenas, em lentes de cinza acima da zona B1 e abaixo da A. Duas, datadas em 1999, deram 5.420 ± 60 e 5.410 ± 40 anos de radiocarbono, cerca de 6.250 anos de calendário, cerca de 700 anos mais que as espigas mais antigas de Tehuacán, em Puebla; a proximidade das datas sugere uma só colheita (Piperno e Flannery, 2001). Nos anos 1970, sem saber sua idade, George Beadle e Richard Ford viram nelas híbridos de milho e teosinto ou um milho muito influenciado pelo teosinto. Benz (2001) mostrou que os três fragmentos mais antigos não se separaram naturalmente: a seleção agrícola do teosinto domesticado já estava em curso por volta de 4200 a.C. Espigas de duas fileiras com duas ou quatro carreiras de grãos apoiam a origem do milho no teosinto. (Piperno e Flannery 2001; Benz 2001)

Onde o milho começou

Piperno e Flannery (2001) analisaram fitólitos em nove amostras das zonas C a A. Nas zonas C a B1 havia muitos fitólitos de folhas de gramíneas, mas nenhum dos produzidos nos invólucros dos frutos do teosinto ou nas espigas de milho, que eram comuns na zona A. Dez grãos de pólen de Zea das zonas C a B1 eram pequenos demais para milho e provavelmente vinham de teosinto, que talvez fosse mais difundido nas terras altas do sul do México. Para os autores, os frutos de Zea, silvestres ou domesticados, não eram colhidos como alimento nas ocupações mais antigas, embora o consumo de espigas imaturas não possa ser descartado. Como as espigas datadas já são claramente domesticadas, Guilá Naquitz não resolve onde a domesticação começou. O provável ancestral, o teosinto Zea mays ssp. parviglumis, é nativo do vale do Balsas, com 1.200 a 1.600 mm de chuva e floresta tropical decídua; a questão segue em aberto até haver pesquisa intensiva ali. (Piperno e Flannery 2001)

Fontes

  1. Smith, B. D. (1997). "The Initial Domestication of Cucurbita pepo in the Americas 10,000 Years Ago". Science 276: 932–934. DOI 10.1126/science.276.5314.932. Acessar
  2. Piperno, D. R.; Flannery, K. V. (2001). "The earliest archaeological maize (Zea mays L.) from highland Mexico: New accelerator mass spectrometry dates and their implications". Proceedings of the National Academy of Sciences 98(4): 2101–2103. DOI 10.1073/pnas.98.4.2101. Acessar
  3. Benz, B. F. (2001). "Archaeological evidence of teosinte domestication from Guilá Naquitz, Oaxaca". Proceedings of the National Academy of Sciences 98(4): 2104–2106. DOI 10.1073/pnas.98.4.2104. Acessar
  4. UNESCO World Heritage Centre, "Prehistoric Caves of Yagul and Mitla in the Central Valley of Oaxaca", lista nº 1352. https://whc.unesco.org/en/list/1352/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar

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