Acordo Sykes-Picot
16 maio 1916 (Wikidata) · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Acordo secreto de 16 de maio de 1916 entre a Grã-Bretanha e a França para dividir o Oriente Médio ao fim da Primeira Guerra Mundial. O texto previa zonas de administração direta francesa e britânica, áreas de influência sob um Estado ou confederação árabe e uma zona de administração internacional, a definir com a Rússia e com representantes do xarife de Meca.
Cláusulas além do mapa
Além das zonas, a carta de Grey a Cambon garantia à Grã-Bretanha os portos de Haifa e Acre e o abastecimento de água do Tigre e do Eufrates; fazia de Alexandreta um porto livre para o comércio britânico, e de Haifa, para o francês; vedava a cessão de Chipre sem consentimento francês; mantinha por 20 anos a tarifa aduaneira otomana; e proibia as duas potências de adquirir território na Península Arábica ou de permitir uma base naval no mar Vermelho. Uma ferrovia britânica ligaria Haifa à área (b), com direito perpétuo de passagem de tropas. Notas análogas seriam trocadas com a Rússia, as pretensões italianas previstas no acordo de 26 de abril de 1915 seriam consideradas, e o Japão seria informado. (The Avalon Project)
Um processo negociado em quatro capitais
Para al-Mokni (2017), o acordo foi mais um processo do que um evento: negociado no Cairo, em Londres, em Paris e em São Petersburgo por Sykes e Picot, com a contribuição do chanceler russo Sazonov, ele se formalizou numa troca secreta de cartas entre Cambon e Grey em maio de 1916, documentos que a revista Anatoli (2014) reproduz a partir dos arquivos diplomáticos franceses. Sykes, deputado conservador de 37 anos, tinha viajado pelo Império Otomano e defendia a França como tampão diante da Rússia; Picot, advogado e diplomata, fora cônsul em Beirute e defendia uma Síria “integral” sob a França. Os doze artigos nunca foram aplicados por inteiro, por causa da rivalidade franco-britânica e dos compromissos com o xarife Hussein, e o texto foi revelado pelos bolcheviques no fim de novembro de 1917. (al-Mokni 2017; Anatoli 2014)
Os acordos esquecidos de 1913–1914
Barout (2017) critica a historiografia árabe que apresenta as regiões árabes, e o próprio Estado otomano, apenas como alvos de Sykes-Picot. Para ele, o acordo é um elo de uma série de acordos otomano-europeus de 1913–1914, firmados com a Grã-Bretanha, a Alemanha, a França e a Rússia, e antes com a Itália, em Ouchy (1912), que definiram zonas de influência econômica. Sykes-Picot teria redistribuído entre França e Grã-Bretanha a zona antes reservada à Alemanha. Ao contrário dele, exposto pelos bolcheviques, esses acordos só vieram a público em 1951, com Yusuf Hikmet Bayur. (Barout 2017)
De San Remo a Lausanne
Barout acompanha o desdobramento: um Sykes-Picot “modificado” em San Remo (abril de 1920), a batalha de Maysalun (24 de julho de 1920), o Tratado de Sèvres (10 de agosto de 1920), anulado pelo movimento kemalista, e o Tratado de Lausanne (24 de julho de 1923), que consagrou o sistema de Estados da região. Em Maysalun, segundo al-Mokni, Yusuf al-Azma caiu à frente de c. 3 mil combatentes árabes diante de 9 mil soldados franceses apoiados por aviões, e Faisal deixou a Síria. (Barout 2017; al-Mokni 2017)
Traição, partilha colonial ou Estado possível?
A historiografia nacionalista árabe tratou o acordo como “traição” à Revolta Árabe de junho de 1916, e outras leituras o ligam à Declaração Balfour (2 de novembro de 1917); al-Mokni chama esses juízos de impressionistas e morais, mas conclui que o acordo foi produto de um sistema colonial de partilha, cujo jogo de mapas ainda alimenta guerras atuais. No congresso relatado por al-Mohtar (2017), Jamil Musa al-Najjar argumentou que o Iraque de 1921, embora criado pelos britânicos, não foi uma fronteira artificial: nasceu das províncias otomanas de Bagdá, Mosul e Basra. (al-Mokni 2017; al-Mohtar 2017)
Fontes
- The Avalon Project, "The Sykes-Picot Agreement : 1916". https://avalon.law.yale.edu/20th_century/sykes.asp (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Barr, J. (2011). A Line in the Sand: Britain, France and the Struggle for the Mastery of the Middle East. Simon & Schuster. ISBN 9781847374530.
- al-Mohtar, G. (المهتار، غاندي) (2017). "من مرج دابق إلى سايكس-بيكو: العثمانيون والعرب في مؤتمر ببيروت". أسطور للدراسات التاريخية 6: 321–337. DOI 10.12816/0040952. Acessar
- al-Mokni, A. (المكني، عبد الواحد) (2017). "اتفاقية سايكس-بيكو أيار/مايو 1916: الفاعلون وخلفياتهم: مقاربة بروزوبوغرافية". أسطور للدراسات التاريخية 6: 205–224. DOI 10.12816/0040943. Acessar
- Barout, M. J. (باروت، محمد جمال) (2017). "من اتفاقات سايكس-بيكو إلى معاهدة لوزان: عقد التحولات وآثاره البنيوية في نشوء الدولة في المشرق العربي". أسطور للدراسات التاريخية 6: 225–237. DOI 10.12816/0040944. Acessar
- Anatoli (2014). "Accords Sykes-Picot". Anatoli 5: 81–88. DOI 10.4000/anatoli.328. Acessar
Na mesma região
- Nakba 1948
- OPEP: fundação em Bagdá 14 set. 1960 (Wikidata; Wälde 2010)
- Hormuzd Rassam c. 1826 – 16 set. 1910 (Grutz 2018; Linda Hall Library)
- Butrus al-Bustani 1819 – 1 mai. 1883 (Ergin, TDV İslâm Ansiklopedisi)
- Peste persa ou de Abu Chafchir (1772–1773) 1772–1773 (anos dados por Karami e pelo Wikidata; meses não conferidos)
- Muhammad Amin al-Muhibbi (1651–1699): erudito, poeta e biógrafo de Damasco, autor de Khulasat al-athar nasceu em Damasco em 1061 da Hégira (1651) e morreu em 18 jumada I de 1111 (11 nov. 1699), segundo Durmuş (TDV)