Atlas da História

André Rebouças

13 jan. 1838 – 9 abr. 1898 (Wikidata; Soares 2017 dá 1838 e 1898) · Terras baixas da América do Sul, África Austral, Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Engenheiro negro nascido na Bahia em 1838, Rebouças atuou no Rio de Janeiro como professor, empresário e abolicionista, defendeu a reforma agrária e foi amigo de Pedro II. Após a proclamação da República (1889) seguiu o imperador ao exílio e morreu em Funchal, em 1898.

Origem e formação

Segundo Soares (2017), André Rebouças nasceu na Bahia em janeiro de 1838, durante a Sabinada, filho do advogado e deputado imperial Antônio Pinto Rebouças e de Carolina Pinto Rebouças. A família mudou-se para o Rio de Janeiro em 1846, em parte como fuga dos remanescentes da rebelião. Os irmãos André e Antônio formaram-se engenheiros militares na Escola Militar e, em 1861, fizeram uma viagem de estudos à Europa financiada pelo pai. De volta, André deixou a função de engenheiro militar, que exercera na Guerra do Paraguai, por motivo de saúde, e passou a lecionar na Escola Politécnica e a atuar como engenheiro civil e empresário. (Soares 2017)

Abolição, terra e a amizade com o imperador

A autora destaca que Rebouças se notabilizou pela defesa da abolição e de projetos de modernização, entre eles a democratização da propriedade fundiária, inspirada em parte no Homestead Act norte-americano de 1862. A amizade com Pedro II nasceu no contexto da Guerra do Paraguai. Em 1873, nos Estados Unidos, ele enfrentou a segregação: vários hotéis em Nova York recusaram hospedá-lo, e ele registrou no diário que a "dificuldade da cor" era a causa. Na leitura de Soares, a abolição de 1888 ocorreu sem reforma social, e os libertos continuaram marginalizados. (Soares 2017)

Exílio, África e "o Negro André"

Em 16 de novembro de 1889, último dia de Rebouças no Brasil, ele partiu com o imperador deposto para Portugal. Seus anos de exílio (1889–1898) são marcados, segundo Soares, por depressão e por cartas críticas à República e ao racismo. Em outubro de 1891, em Cannes, passou a referir-se a si mesmo como "o Negro André" e a declarar-se "meio brasileiro meio africano". Em 1892 seguiu para Moçambique e a África do Sul, mas as práticas de discriminação ali o decepcionaram. Partiu então para Funchal, na Madeira, onde morreu em 1898. (Soares 2017)

O que se debate

Soares (2017), apoiada em Hebe Mattos (2013), propõe ler a mudança de autoidentificação no exílio como uma forma de "dupla consciência" de intelectuais negros do Atlântico, no sentido de Paul Gilroy. A autora também observa que o silêncio de Rebouças sobre sua identidade racial na vida pública brasileira contrasta com o que as cartas posteriores revelam. Esta é a interpretação de uma única autora a partir da correspondência; o historiador deve conferir se outras leituras divergem. (Soares 2017)

Fontes

  1. Soares, A. M. P. (2017). "“O Negro André”: a questão racial na vida e no pensamento do abolicionista André Rebouças". Plural 24(1): 242–269. DOI 10.11606/issn.2176-8099.pcso.2017.114973. Acessar

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