Atlas da História

Luiz Gama

21 jun. 1830 – 24 ago. 1882 (Souza 2024) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Nascido em Salvador e, segundo ele próprio, filho de uma africana liberta, Luiz Gama foi vendido aos dez anos e levado a São Paulo. Alfabetizado já adolescente, recuperou a liberdade (ele sustentava ter nascido livre e sido escravizado ilegalmente) e tornou-se poeta, jornalista e rábula e atuou nos tribunais pela liberdade de pessoas escravizadas até sua morte, em 1882.

Retrato de Luiz Gama
Retrato do advogado, poeta e abolicionista Luiz Gama, que foi escravizado na infância e depois lutou nos tribunais pela liberdade de pessoas escravizadas. Retrato de Luiz Gama, autoria não registrada, c. 1880. Domínio público. Ver no acervo
Capa de Primeiras Trovas Burlescas
Capa da primeira edição do livro de versos satíricos de Luiz Gama, publicado em 1859. Mostra sua faceta de poeta, que ironiza a sociedade escravista do Império. Capa de Primeiras Trovas Burlescas, Luiz Gama, 1859. CC BY-SA (1.0 a 4.0). Ver no acervo

Origem e escravização

Segundo a carta que Gama escreveu a Lúcio de Mendonça, base da dissertação de Souza, ele nasceu livre em Salvador, em 21 de junho de 1830, filho de Luiza Mahin, africana liberta e quitandeira, e de um português cuja identidade é desconhecida. Aos dez anos foi vendido pelo pai, embarcado para o Rio de Janeiro e levado a São Paulo por um negociante de escravizados. Por ser baiano, não foi comprado por ninguém e ficou na casa do alferes Antonio Pereira Cardoso. (Souza 2024)

Alfabetização, liberdade e letras

Em 1847, um estudante hospedado na casa de Cardoso começou a lhe ensinar as primeiras letras. Cerca de um ano depois, Gama deixou a casa e tornou-se praça da Segurança Pública, onde ficou seis anos. A dissertação diz que ele obteve a liberdade de modo "ardiloso e secreto" e que as circunstâncias seguem obscuras. Foi amanuense da Secretaria de Polícia a partir de 1856 e publicou em 1859 as Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, reeditadas em 1861. (Souza 2024)

Rábula e abolicionista

Em 1869, Gama foi demitido após requerer o depósito judicial de uma pessoa escravizada que alegava ter entrado no país depois da lei de 7 de novembro de 1831, que declarava livres os africanos trazidos de fora. Ele afirmou ter obtido, num ano, a manutenção judicial de 30 pessoas mantidas em cativeiro ilegal. A demissão repercutiu na imprensa paulista, e a atuação como rábula, advogado sem diploma, e jornalista tornou-se pública. Gama também fazia parte do Partido Liberal, motivo de ataques políticos. (Souza 2024)

Memória

Souza relata que Gama morreu em 24 de agosto de 1882, em decorrência do diabetes, e que seu cortejo fúnebre atravessou São Paulo seguido por multidão. Para Albuquerque, em resenha de uma coletânea de seus artigos, ele permanece entre os autores brasileiros mais lidos, como literato e ativista do campo do direito, e referência da luta pela igualdade racial. (Souza 2024; Albuquerque 2021)

Fontes

  1. Souza, S. M. A. (2024). Luiz Gama: escravizado, poeta, advogado, jornalista. Dissertação (Mestrado em Letras), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo. https://dspace.mackenzie.br/bitstreams/7d951ba1-68e9-4ee6-8fee-7d6409c693a9/download (consultado em 07/10/2026). Acessar
  2. Albuquerque, W. R. de (2021). "O posto de honra de Luiz Gama" [resenha de: Ferreira, L. F. (org.), Lições de resistência: artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro. Edições Sesc, 2020]. Afro-Ásia 63. DOI 10.9771/aa.v0i63.44023. Acessar

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