Angkor Wat
séc. XII (Wikidata, precisão de século) · Sudeste Asiático continental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Complexo de templos hindu-budista no Camboja, construído no séc. XII no Império Khmer. É o monumento mais conhecido da civilização de Angkor.
Templo-montanha cercado de moradias
A data exata da construção não é conhecida; atribui-se o templo a Suryavarman II, que começou a reinar em 1113 (Carter et al. 2019). O corpo de arenito tem três recintos e cinco torres que evocam o monte Meru e fica dentro de um quarto recinto de c. 1.000 por 815 m, cercado por um fosso de 200 m de largura e 1.300 por 1.500 m. Entre o templo e o muro de laterita, hoje coberto de árvores, o levantamento a laser aéreo (lidar) revelou uma grade ortogonal de montículos e lagoas que se estende além do fosso leste. As escavações do Greater Angkor Project em 2010, 2013 e 2015, feitas com a autoridade cambojana APSARA, mostraram que os montículos eram moradias, com cerâmica de cozinha, pisos e restos de plantas, e que as lagoas alternavam fases cheias e secas. Os autores deslocam o foco do monumento para os lugares onde as pessoas viviam. Para eles, as primeiras datas, de 1035–1075, sugerem que a grade é anterior ao reinado de Suryavarman II, mas avisam que são precisos mais dados para mudar a data aceita do templo. (Carter et al. 2019)
A calçada oeste e a engenharia khmer
A calçada que cruza o fosso pelo oeste tem cerca de 235 m de comprimento, 12 m de largura e 4 m de altura, com muros de laterita e piso de arenito (Choi et al. 2001). Seu lado norte desabou em 1952 e ficou só com reparos de emergência; o lado sul foi desmontado nos anos 1960 pela Escola Francesa do Extremo Oriente, que mudou a estrutura interna. Entre 1996 e 2000, uma equipe japonesa estudou o lado norte antes de restaurá-lo. Sob a base havia um reforço do solo com areia; o aterro foi feito em camadas compactadas, intercaladas de propósito com lascas de laterita, que talvez ajudassem a drenar a água. A base externa sobe em cinco degraus a cerca de 45°. As colunas laterais se encaixam por espigas semiesféricas, com faces levemente curvas para dar estabilidade, e as peças da balaustrada de nāga se unem por encaixes oblíquos que os autores não conhecem em outros sítios. Entre a laterita e o arenito do piso, uma mistura de areia e argila nivelava e vedava. Para os autores, os construtores khmer tinham grande experiência no trato da pedra e na proteção contra a chuva. (Choi et al. 2001)
Nunca abandonado: o colapso revisto
A versão tradicional data o fim de Angkor de 1431, quando, segundo crônicas tailandesas, Ayutthaya atacou a cidade e a corte foi para o sul, perto da atual Phnom Penh. Carter et al. (2019), com arqueólogos cambojanos da APSARA entre os autores, reúnem indícios de um declínio longo: o último grande templo de pedra é de 1295, a última inscrição em khmer datada, de 1327; o budismo teravada desviou o apoio dos templos de pedra para pagodes comunitários; o comércio marítimo com a China puxou a elite para o sul; e duas grandes secas (1345–1374 e 1401–1425), alternadas com cheias, danificaram a rede de água. Lembram ainda que a corte de Ayutthaya tinha muitos funcionários e artesãos khmer e usava o khmer em documentos, de modo que a ocupação talvez não deva ser lida como invasão estrangeira. No recinto de Angkor Wat, 16 datas mostram um hiato do fim do século XII ou início do XIII até o fim do XIV ou início do XV, e depois nova ocupação até c. 1689–1786. Para os autores, o templo nunca foi abandonado nem esquecido pelas comunidades descendentes. (Carter et al. 2019)
Peregrinos khmer e japoneses (séculos XVI–XVIII)
Das inscrições cambojanas datadas de meados do século XVI a meados do XVIII, quase 80% estão em Angkor Wat, sobretudo as 42 inscrições modernas em khmer médio gravadas no santuário central e na galeria cruciforme de Preah Poan (Kitagawa 2023). Membros da realeza, funcionários, leigos sem título e monges registram ali atos de mérito: oferta de imagens do Buda, estandartes, dosséis e prata, e a libertação de dependentes (khñum). Em 1577 a mãe de um rei ofereceu uma imagem; em 1579 o rei relata ter restaurado o templo e depositado relíquias. Mulheres encabeçam 12 das inscrições. Há um vazio entre 1644 e 1661, no reinado de um rei muçulmano, mas Kitagawa evita atribuí-lo à religião do soberano. Catorze inscrições a tinta deixadas por japoneses, datadas de 1612 e 1632, citam gente de Sakai, Osaka e Higo; Morimoto Ukondayū ofereceu quatro imagens do Buda pelo pai e pela mãe. Para a autora, o templo era então um lugar de peregrinação budista conhecido dentro e fora do país. Carter et al. (2019) registram que peregrinos japoneses deixaram também um mapa do templo, que se crê de c. 1630. (Kitagawa 2023; Carter et al. 2019)
Fontes
- Coe, M. D. (2003). Angkor and the Khmer Civilization. Thames & Hudson. ISBN 9780500021170.
- Carter, A. K.; Stark, M. T.; Quintus, S.; Zhuang, Y. et al. (2019). "Temple occupation and the tempo of collapse at Angkor Wat, Cambodia". Proceedings of the National Academy of Sciences 116(25): 12226–12231. DOI 10.1073/pnas.1821879116. Acessar
- Choi, B.; Katagiri, M.; Shigeeda, Y.; Miwa, S. et al. (2001). "アンコール・ワット西参道に用いられた石造技術の特質に関する研究 [Study on a characteristic of masonry technique about the western causeway of Angkor Wat]". Nihon Kenchiku Gakkai Gijutsu Hōkokushū (AIJ Journal of Technology and Design) 7(13): 249–254. DOI 10.3130/aijt.7.249_7. Acessar
- Kitagawa, T. (2023). "ポスト・アンコール時代のアンコール・ワット詣で [Pilgrimages to Angkor-Vat in the Post-Angkor Period]". Tōnan Ajia: Rekishi to Bunka (Southeast Asia: History and Culture) 52: 61–83. DOI 10.5512/sea.2023.52_61. Acessar
Na mesma região
- Reino de Ayutthaya 1350–1767
- Indochina Francesa 1887–1954
- Declaração da ASEAN (Declaração de Bangkok) 8 ago. 1967
- Funan c. 68–550 (Wikidata)
- Cobre de minas distantes nas primeiras peças de bronze do nordeste da Tailândia: Xepon (Laos) em Ban Chiang e Khao Wong Prachan (Tailândia central) em Ban Non Wat fim do séc. XI a.C. (fim do séc. XI e séc. X a.C., datas das sepulturas com as peças de cobre mais antigas, conforme Higham e colegas 2015)
- Primeiros objetos de cobre e bronze no planalto de Khorat, nordeste da Tailândia (fim do séc. XI e séc. X a.C.), segundo a datação por radiocarbono de ossos humanos fim do séc. XI a.C. (transição para a Idade do Bronze entre o fim do séc. XI e o séc. X a.C.; o artigo dá 1200–1000 a.C. a 68,2% e 1570–900 a.C. a 95,4% de probabilidade para o conjunto de cinco sítios)