Atlas da História

Reino de Ayutthaya

1350–1767 · Sudeste Asiático continental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Fundada em 1350 numa ilha cercada por três rios, Ayutthaya foi a segunda capital siamesa, depois de Sukhothai, e um centro de comércio e diplomacia que trocou embaixadas com a China, o Japão, a corte mogol de Délhi e a corte francesa de Versalhes. Em 1767, o exército birmanês arrasou e incendiou a cidade.

Buda coroado em gesto de proteção
Escultura de Buda coroado, em estilo associado a Ayutthaya ou a Bangkok, no séc. XVIII. Mostra a tradição budista e a escultura de corte do reino; o registro do museu não separa com precisão a produção de Ayutthaya da de Bangkok. Buda coroado em gesto de proteção, artistas tailandeses não identificados, séc. XVIII. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Cabeça de Buda Shakyamuni
Cabeça de Buda de época contemporânea ao auge de Ayutthaya. O museu a descreve apenas como tailandesa; serve como exemplo do budismo que moldou a arte da região no período. Cabeça de Buda Shakyamuni, artistas tailandeses não identificados, séc. XV–XVI. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Uma ilha entre três rios, acima da maré

A justificativa de inscrição da UNESCO explica por que o sítio foi escolhido: a cidade fica numa ilha cercada por três rios que a ligam ao mar, acima do ponto até onde chegava a maré do golfo do Sião na época, o que a protegia dos navios de guerra estrangeiros e das cheias sazonais. Segundo o mesmo texto, estava a meio caminho entre a Índia e a China e rio acima o bastante para escapar ao poder de árabes e europeus em expansão, ao mesmo tempo em que ocupava o vácuo deixado pela queda de Angkor. Yodsurang (2023) acrescenta que a ilha é atravessada pelos rios Chao Phraya, Pa Sak e Lopburi e que o plano urbano combinava rios e canais que ligavam o centro ao exterior, sistema de gestão da água pelo qual a cidade é conhecida. (UNESCO, lista nº 576; Yodsurang 2023)

Uma sociedade comercial, não camponesa

Baker e Phongpaichit (2017) tomam o antigo Sião como sociedade comercial, e não como a sociedade camponesa que se costuma supor. Para chegar a essa leitura, combinam crônicas, relatos de europeus, chineses, persas e japoneses, leis, literatura, arte, paisagem e língua, e organizam a história da cidade em torno do comércio, da realeza, do budismo e da guerra. Segundo o resumo da obra, a história de Ayutthaya foi negligenciada depois da destruição de 1767, embora visitantes europeus antigos a pusessem ao lado da China e da Índia entre as grandes potências da Ásia. Os autores situam o surgimento da cidade no século XIII, enquanto a UNESCO adota a data de c. 1350 para a fundação; a diferença reflete critérios distintos (surgimento da cidade e fundação da capital). (Baker e Phongpaichit 2017; UNESCO, lista nº 576)

Estrangeiros, tolerância e exploração fiscal

A UNESCO registra que a corte trocou embaixadores com Versalhes, com a corte mogol em Délhi e com os impérios do Japão e da China, que estrangeiros serviam ao governo ou viviam como particulares e que, rio abaixo do palácio, havia enclaves de comerciantes e missionários estrangeiros, cada um com seu estilo de construção. Chabrowski (2022) estuda a convivência desses grupos no século XVII. Para ele, os reis siameses combinavam tolerância religiosa e étnica e ampla autonomia aos estrangeiros com um uso predatório da lei e um sistema de exploração dos mercadores voltado às necessidades fiscais da corte. Em reação, os comerciantes teceram redes informais que cruzavam nações e buscaram funcionários da corte e o clero budista; essas redes se sobrepuseram a conflitos globais, como as guerras entre portugueses e holandeses. Na segunda metade do século, a cooperação teria levado a uma mistura cultural e a crescente uniformização de costumes e de consumo. (UNESCO, lista nº 576; Chabrowski 2022)

1767: ruína, abandono e sítio arqueológico

Segundo a UNESCO, o exército birmanês arrasou a cidade em 1767, queimou-a e obrigou os habitantes a deixá-la; ela nunca foi reconstruída no mesmo lugar e hoje é um extenso sítio arqueológico, com torres relicário (prang) e mosteiros de proporções monumentais. Baker e Phongpaichit (2017) propõem uma explicação para a queda que se afasta da ideia de conflito interno ou de decadência dinástica: a falha em administrar as consequências sociais e políticas da prosperidade. A UNESCO observa ainda que, ao se construir a nova capital em Bangkok, houve tentativa consciente de recriar o modelo urbano de Ayutthaya, com arquitetos e construtores sobreviventes, e que o nome formal de Bangkok mantém "Ayutthaya". Yodsurang (2023) registra que o parque histórico, com 95 monumentos em 289 hectares, foi inscrito em 1991 pelo critério III, e que a ligação entre monumentos e água se enfraquece hoje. (UNESCO, lista nº 576; Baker e Phongpaichit 2017; Yodsurang 2023)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Historic City of Ayutthaya", lista nº 576. https://whc.unesco.org/en/list/576/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Baker, C.; Phongpaichit, P. (2017). A History of Ayutthaya: Siam in the Early Modern World. Cambridge University Press. ISBN 9781107190764. DOI 10.1017/9781108120197. Acessar
  3. Chabrowski, I. I. (2022). "Seventeenth-Century Foreign Lives of Ayutthaya: Sources of Cross-Cultural Cooperation and Integration in the Asian Trading Entrepôt". Journal of World History 33(3): 403–428. DOI 10.1353/jwh.2022.0026. Acessar
  4. Yodsurang, P. (2023). "Lost and found: the water-based settlement of the historic city of Ayutthaya". Restauro Archeologico 30(1). DOI 10.36253/rar-14356. Acessar

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