Indochina Francesa
1887–1954 · Sudeste Asiático continental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 1887, a França reuniu numa União Indochinesa territórios do Sudeste Asiático sob seu domínio, numa colonização iniciada na Cochinchina em 1858, ano da intervenção francesa (a conquista de três províncias orientais é de 1862) que abrangeu terras dos atuais Vietnã, Laos e Camboja. O domínio ruiu em 1954, em Dien Bien Phu; Brocheux e Hémery o descrevem como colonização ambígua, com violência e exploração ao lado de trocas cotidianas.
Uma federação feita de peças desiguais
Segundo López Jerez (2019), a Indochina Francesa foi um Estado paradoxal: federal, ao contrário da metrópole, e com uma única colônia propriamente dita, a Cochinchina, enquanto as outras partes eram protetorados, de domínio em geral indireto e sujeitos a ministérios diferentes em Paris. A intervenção francesa na Cochinchina vem de 1858; a colonização, segundo López Jerez (2019), começou com a conquista de três províncias orientais, em 1862, e a Cochinchina foi governada por nove almirantes sucessivos até 1879. Em 1887, as três partes do atual Vietnã (chamadas pelos franceses de Tonquim, Anam e Cochinchina) e o Camboja foram reunidos na União Indochinesa; o Laos entrou em 1893, depois da guerra franco-siamesa, e o território de Guangzhouwan em 1900. O Governo-Geral é de 1898, e entre 1897 e 1902 as reformas de Paul Doumer centralizaram os orçamentos para compensar as diferenças de capacidade fiscal entre as partes. A autora insiste que a federação ocultava, sem apagar, diferenças profundas entre uma Cochinchina de fronteira agrícola recém-povoada pelos vietnamitas, reinos de baixa densidade no Camboja e no Laos e um norte densamente povoado e sujeito a crises de subsistência. (López Jerez 2019)
Quem pagou a conquista do norte
López Jerez (2019) mostra que a pacificação do Tonquim e do Anam (1874–1895) custou quase quatro vezes mais que a conquista da Cochinchina, e que todos os orçamentos fechavam o século em déficit. Tomar para si o sistema fiscal do império vietnamita não era viável, em parte porque os próprios franceses não sabiam quanto ele arrecadava. A saída foi usar o superávit da Cochinchina, alimentado pelas exportações de arroz e pela venda de concessões de terra, para custear a guerra no norte. A autora relativiza a imagem de Indochina como caso extremo de tributação extrativa: em 1929 a arrecadação per capita no Vietnã era bem inferior à da Birmânia e das Filipinas (que arrecadavam o dobro) e à de Taiwan (cinco vezes mais). Quanto às receitas, o ópio e outros bens de consumo taxados davam parte importante delas, e o arroz liderava as exportações, seguido de milho e borracha a partir dos anos 1920. (López Jerez 2019)
Limites do domínio direto e protestos
Segundo López Jerez (2019), as tentativas de administração direta foram abandonadas, mesmo na Cochinchina, por causa da resistência local ou da falta de quadros, e o governo foi marcado pela troca frequente de governadores, que impedia a execução de reformas. A autora relata que muitos estudiosos concluíram que os franceses aprenderam cedo a não governar contra as elites locais, o que manteve reformas no mínimo. Isso não evitou revoltas contra os impostos: em 1908, oito mil camponeses de Di Loc, na província de Quang Nam (Anam), protestaram contra as autoridades francesas e os mandarins quando a corveia subiu de seis para nove dias, aumento de 18% do imposto pessoal, e o protesto se espalhou por outras províncias. Nos anos 1930, houve marcha de cerca de cinco mil vietnamitas no oeste da Cochinchina contra os tributos, que também pediam uma distribuição mais igual da terra. A capital da União passou de Saigon a Hanói em 1902, mas Huế seguiu como capital imperial da dinastia Nguyễn. (López Jerez 2019)
Quem trabalhou e quem investiu
Ta e Takada (2021) estudam como se obteve a mão de obra para as ferrovias, minas e plantações. Em Tonquim, nos primeiros tempos da colonização, trabalhadores chineses (os chamados cules) construíram as ferrovias que abririam o comércio com as regiões vizinhas e extraíram minérios; do início do século XX, passou-se ao uso de vietnamitas, com salários mais baixos, e no fim dos anos 1920 houve recrutamento sistemático no delta do rio Vermelho para as plantações de borracha do sul da Indochina, estudado a partir de contratos da província de Nam Dinh. López Jerez (2019) lembra que a industrialização teve efeito limitado sobre emprego e base fiscal, que as estatísticas oficiais só contavam o investimento privado francês e que capitais chineses e indianos foram decisivos no comércio de arroz, milho e seda e na indústria de cimento e nos engenhos de arroz de Cholon. (Ta e Takada 2021; López Jerez 2019)
A imprensa em francês antes de 1900
Sandu (2025) analisa jornais e revistas publicados em francês nos territórios que formam a União Indochinesa em 1887, em grande parte do fundo dos Arquivos Nacionais de Ultramar da França (ANOM). O corpus, de discurso marcado pela política e pela colonização e pelo tema recorrente do distanciamento, mostra a circulação de notícias e de jornalistas e a ligação com a mídia transoceânica. A autora usa a noção de passagem midiática para descrever essa circulação, associada à demora do correio, a mudanças entre os profissionais e o público leitor. Para Sandu, a noção de passagem é um traço definidor da imprensa colonial. (Sandu 2025)
Fontes
- Brocheux, P.; Hémery, D. (2001). Indochine, la colonisation ambiguë. La Découverte. ISBN 9782707134127. DOI 10.3917/dec.broch.2001.01. Acessar
- Lorin, A. (2011). "Pierre Brocheux and Daniel Hémery, Indochina: An Ambiguous Colonization, 1858-1954" (resenha). Histoire Politique, comptes rendus. DOI 10.4000/11nej. Acessar
- Sandu, C. (2025). "Passages dans la presse indochinoise en français avant 1900". Irish Journal of French Studies 24: 30–51. DOI 10.7173/164913325840292858. Acessar
- López Jerez, M. (2019). "Colonial and Indigenous Institutions in the Fiscal Development of French Indochina". In: Frankema, E.; Booth, A. (orgs.). Fiscal Capacity and the Colonial State in Asia and Africa, c.1850–1960. Cambridge University Press, p. 110–136. DOI 10.1017/9781108665001.004. Acessar
- Ta, T. T.; Takada, Y. (2021). "Utilization of Chinese Labor and Recruitment of Vietnamese Laborers in Tonkin, French Indochina". The Keiai Journal of International Studies 34: 53–108.
Na mesma região
- Declaração da ASEAN (Declaração de Bangkok) 8 ago. 1967
- Reino de Ayutthaya 1350–1767
- Angkor Wat séc. XII (Wikidata, precisão de século)
- Funan c. 68–550 (Wikidata)
- Cobre de minas distantes nas primeiras peças de bronze do nordeste da Tailândia: Xepon (Laos) em Ban Chiang e Khao Wong Prachan (Tailândia central) em Ban Non Wat fim do séc. XI a.C. (fim do séc. XI e séc. X a.C., datas das sepulturas com as peças de cobre mais antigas, conforme Higham e colegas 2015)
- Primeiros objetos de cobre e bronze no planalto de Khorat, nordeste da Tailândia (fim do séc. XI e séc. X a.C.), segundo a datação por radiocarbono de ossos humanos fim do séc. XI a.C. (transição para a Idade do Bronze entre o fim do séc. XI e o séc. X a.C.; o artigo dá 1200–1000 a.C. a 68,2% e 1570–900 a.C. a 95,4% de probabilidade para o conjunto de cinco sítios)