Atlas da História

Ban Chiang

c. 1500 a.C. em diante (UNESCO; Higham et al. 2015) · Sudeste Asiático continental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Ban Chiang é um grande monte de habitação e sepultamento na província de Udon Thani, no nordeste da Tailândia, identificado em 1966. Suas camadas mostram cultivo de arroz em campos alagados, animais domésticos, cerâmica e metalurgia; Higham et al. (2015) datam o único enterro da fase mais antiga em 1600–1450 a.C. e a passagem ao bronze em 1050–955 a.C.

Um monte de 8 metros na bacia do Mekong

Segundo a UNESCO, o sítio é um monte oval de terra formado pela própria habitação humana, com 500 por 1.350 m e 8 m de altura, no subdistrito de Ban Chiang, distrito de Nong Han, em Udon Thani, dentro da bacia do Mekong. Desde 1966 foi escavado por pesquisadores tailandeses e estrangeiros, e as datas foram reajustadas à medida que avançavam o radiocarbono e a termoluminescência. A área protegida tem 67,36 ha, dos quais só c. 0,09% havia sido escavado em 2012. O órgão divide a sequência em períodos inicial, médio e tardio e realça a cerâmica, toda de fabrico local, doméstica e funerária, além de matérias-primas, oficinas e objetos acabados de bronze; as camadas superiores registram a passagem do bronze ao ferro. O sítio entrou na Lista do Patrimônio Mundial em 1992. Depois de abandonado e soterrado por pelo menos dois milênios, voltou a ser ocupado no fim do século XVIII por agricultores que atravessaram o Mekong e retomaram o cultivo de arroz alagado, paisagem que, para a UNESCO, ainda se mantém. (UNESCO, lista nº 575)

Como datar enterros: do carvão ao colágeno

As primeiras datas de Ban Chiang e de Non Nok Tha vieram de pedaços de carvão juntados do enchimento de covas e de camadas de ocupação até somar os gramas que o radiocarbono convencional exigia; para Higham et al. (2015), não surpreende que fossem incoerentes. Com base nelas, Gorman e Charoenwongsa chegaram a propor o 4º milênio a.C. para os dois sítios. Depois veio a datação do tempero orgânico da argila dos potes funerários, técnica que, segundo os autores, é distorcida por carbono antigo de origem desconhecida presente na argila; seis dessas datas e uma de fitólitos de arroz sustentavam a cronologia longa. Charles Higham, que integrou a equipe de escavação de 1974–75, recorreu ao colágeno dos próprios ossos humanos, datado em Oxford: de 51 enterros amostrados, 44 tinham colágeno suficiente, e quatro ossos de porco depositados junto aos corpos também foram datados. Em alguns túmulos, a diferença entre a data do osso e a do pote do mesmo enterro chega a um milênio. (Higham et al. 2015)

Fases, bronze e ferro na nova sequência

As duas áreas abertas em 1974–75 tinham enterros sobrepostos do neolítico e das idades do bronze e do ferro, divididos em dez fases. Higham et al. (2015) só aceitam como prova de metalurgia um forno de fundição no local ou uma associação funerária clara, como pulseiras no pulso; fragmentos de bronze em camadas neolíticas não bastam. O enterro 72, com uma peça plana de bronze no fundo da cova, deu 1000–925 a.C.; o enterro 76, com uma ponta de lança de encaixe, é o primeiro com objeto de bronze acabado. O cemitério do início do bronze durou de 80 a 220 anos, ou 3 a 7 gerações, quase todo no século X a.C. O bronze tardio começa entre 890 e 835 a.C., o ferro entre 760 e 505 a.C., e dois enterros do fim da idade do ferro caem nos dois primeiros séculos d.C. Para os autores, o bronze chegou quase ao mesmo tempo aos sítios datados do planalto de Khorat, com paralelos em Lingnan, no sul da China, cuja técnica de moldes bivalves remonta aos Shang. Os enterros de Ban Chiang dessa fase são pobres diante dos de Ban Non Wat, onde surgiu uma elite hereditária. (Higham et al. 2015)

Taurinos e zebus: o gado antigo da Tailândia

Equipes tailandesas trouxeram a genética ao debate. Siripan et al. (2019), da Universidade Kasetsart e da Universidade Silpakorn, analisaram 56 restos de gado de quatro sítios do nordeste e do centro do país, datados de 3.550 a 1.700 anos atrás. Os 26 que renderam DNA mitocondrial eram todos taurinos, aparentados a taurinos antigos do Irã, da Turquia e da China, o que sugere chegada pelo norte da China. Ban Chiang estava entre esses sítios: cerca de 70% dos ossos de gado dali, de 3.550 a 2.850 anos atrás, não renderam o fragmento de DNA buscado, efeito do calor e da umidade tropicais (Yensookjai et al. 2026). Hoje o zebu, originado no vale do Indo, é a linhagem tradicional do Sudeste Asiático, e os taurinos vêm de criações importadas. Yensookjai et al. identificaram zebus em Khao Khuram, de 1.700 a 1.500 anos atrás, e no Parque Histórico de Sukhothai, e propõem que o zebu chegou da Índia há pelo menos 1.700 anos, por rotas terrestres ou marítimas. (Siripan et al. 2019; Yensookjai et al. 2026)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Ban Chiang Archaeological Site", lista nº 575. https://whc.unesco.org/en/list/575/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Higham, C. F. W.; Douka, K.; Higham, T. F. G. (2015). "A New Chronology for the Bronze Age of Northeastern Thailand and Its Implications for Southeast Asian Prehistory". PLOS ONE 10: e0137542. DOI 10.1371/journal.pone.0137542. Acessar
  3. Siripan, S.; Wonnapinij, P.; Auetrakulvit, P.; Wangthongchaicharoen, N. et al. (2019). "Origin of prehistoric cattle excavated from four archaeological sites in central and northeastern Thailand". Mitochondrial DNA Part A 30(4): 609–617. DOI 10.1080/24701394.2019.1597072. Acessar
  4. Yensookjai, P.; Prachumsarn, S.; Sangtubsorn, N.; Katanyuphan, Y. et al. (2026). "The First Ancient DNA Evidence of Zebu Husbandry in Thailand During the Prehistoric Through the Historic Periods". Animals 16(12): 1904. DOI 10.3390/ani16121904. Acessar

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