Atlas da História

Secagem ao fumo dos mortos em Con Co Ngua (Thanh Hóa, Vietnã): 267 sepultamentos de cócoras num concheiro Da But, c. 6700–6200 cal. AP

6700–6200 cal. AP (4750–4250 a.C.) para o concheiro costeiro de Con Co Ngua, segundo Hung et al. (2025); o artigo não data cada indivíduo testado, e o ano de início é o do cemitério, não o da prática, que os autores seguem por mais de 10.000 anos · Sudeste Asiático continental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Hung e colegas (2025), o concheiro costeiro de Con Co Ngua, em Thanh Hóa (Vietnã), datado de 6700 a 6200 cal. AP, rendeu 267 sepultamentos, 77% de cócoras e 23% encolhidos de lado. Por espectroscopia de infravermelho (FTIR) em ossos do sítio, pelas posturas e pelas marcas de queima, em Con Co Ngua e em outros oito sítios, os autores concluem que muitos mortos foram secos ao fumo sobre fogo baixo antes do enterro, tratamento que chamam de mumificação. É uma interpretação dos autores, apoiada em comparação com a mumificação por fumaça dos povos Dani e Anga, na Nova Guiné.

O concheiro e seus 267 sepultamentos

Hung e colegas (2025) descrevem Con Co Ngua como um concheiro costeiro Da But (Dabutian), da província de Thanh Hóa, datado de 6700 a 6200 cal. AP, que rendeu 267 sepultamentos nas escavações de 1978–80 e de 2013. Setenta e sete por cento estavam de cócoras e 23% encolhidos de lado. O artigo mostra o sepultamento 80M27 de Con Co Ngua como exemplo de enterro encolhido do norte do Vietnã. Esses dados são de uma obra que o artigo cita (Oxenham e colegas, 2018), não lida aqui. (Hung et al. 2025)

Como os autores testaram a hipótese

O grupo analisou 54 sepultamentos de caçadores-coletores anteriores ao Neolítico de 11 sítios, usando difração de raios X e FTIR; do FTIR, 64 amostras deram dado confiável. Em 84% o índice de cristalinidade passou de 3,25, o que sugere exposição ao calor, e a variação entre ossos do mesmo indivíduo, que a diagênese do solo não explicaria, indicou aquecimento desigual. Em Con Co Ngua, o fragmento de úmero do sepultamento M44 teve índice 4,12 no interior enegrecido e 3,42 na superfície. (Hung et al. 2025)

Fumo, não cremação

Os autores veem nos resultados um aquecimento controlado, diferente da cremação, que queima o corpo todo: partes de pouca carne, como a frente do crânio e as extremidades do fêmur e da tíbia, aparecem mais alteradas. Para eles, parte do enegrecimento vem de fuligem em ambiente com pouco oxigênio, como no perônio de Hang Mang Chieng, e parte de fogo que saiu do controle. Segundo a análise, a mumificação ocorreu em nove dos onze sítios, incluindo Con Co Ngua; Gaomiao e Hang Cho ficam incertos por sinal de FTIR mais fraco. (Hung et al. 2025)

Comparações com a Nova Guiné e limites

Para propor o processo, a equipe visitou em 2019 os Dani e os Pumo do vale do Baliem, na Papua indonésia, onde os corpos são defumados até ficarem pretos, e cita os Anga de Papua-Nova Guiné, que mantinham o morto sentado sobre um fogo contínuo por cerca de três meses. Os autores reconhecem que a comparação é por analogia, que a prática pode ter sido mais ampla e antiga do que o registro mostra e que, nos casos atuais, o corpo não chega a ser enterrado como esqueleto articulado. (Hung et al. 2025)

Fontes

  1. Hung, Hsiao-chun; Deng, Zhenhua; Liu, Yiheng; Ran, Zhiyu; Zhang, Yue; Li, Zhen; Kaifu, Yousuke; Huang, Qiang; Nguyen, Khanh Trung Kien; Le, Hai Dang; Xie, Guangmao; Nguyen, Anh Tuan; Yamagata, Mariko; Simanjuntak, Truman; Noerwidi, Sofwan; Fauzi, Mohammad Ruly; Tolla, Marlin; Wetipo, Alpius; He, Gang; Sawada, Junmei; Zhang, Chi; Bellwood, Peter; Matsumura, Hirofumi (2025). "Earliest evidence of smoke-dried mummification: More than 10,000 years ago in southern China and Southeast Asia". Proceedings of the National Academy of Sciences 122(38): e2515103122, publicado em 15 set. 2025. DOI 10.1073/pnas.2515103122. Texto integral via Europe PMC (PMC12478042), lido em 30/10/2026. Acessar

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