Atlas da História

Batalha de Talas

julho de 751 (Zilhicce 133 H., segundo Taşağıl 2010) · Ásia Central e Interior

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Batalha travada em 751 entre o Califado Abássida e a dinastia Tang chinesa, na Ásia Central. Foi um choque entre o exército Tang e forças abássidas na disputa pela Transoxiana, numa zona de rotas comerciais.

A disputa pela Transoxiana

A batalha fecha décadas de disputa pela Ásia Central. Os Tang submeteram os türks ocidentais em 659, mas os türgesh continuaram independentes; o segundo Estado türk surgiu em 682, e os árabes avançaram com as conquistas de Qutayba. Os türgesh de Su-lu resistiram a eles em 720–21, e senhores türks pediram ajuda à China. Em 748 Gao Xianzhi, governador Tang em Kucha, tomou Tokmok. Segundo Taşağıl (2010), o estopim foi a execução do governante de Tashkent por Gao: o filho dele pediu socorro a Abu Muslim, no Khorasan, e aos karluks. Fergana ficou do lado chinês. (TDV İslâm Araştırmaları Merkezi)

Cinco dias junto ao rio Talas

O exército abássida, comandado por Ziyad ibn Salih, enfrentou o de Gao Xianzhi em Atlakh, junto ao rio Talas, no mês de dhu al-hijja do ano 133 da hégira, julho de 751 segundo Taşağıl (2010). A luta durou cinco dias. No último, provavelmente (segundo Taşağıl), os karluks, que estavam com os chineses, voltaram-se contra eles e atacaram pela retaguarda, e Gao fugiu para as montanhas. O tamanho do exército chinês muda conforme a fonte: as crônicas chinesas falam em 30 mil homens, Ibn al-Athir em 100 mil e al-Muqaddasi em mais de 100 mil, números que Bol'shakov (1980) também discute. (TDV İslâm Araştırmaları Merkezi; Bol'shakov 1980)

O silêncio das crônicas árabes

Bol'shakov (1980) aponta um paradoxo: os historiadores árabes guardaram escaramuças menores e omitiram grandes acontecimentos, e al-Tabari nada diz de Talas. Barthold havia reconstruído a batalha com a crônica Tang-shu e com Ibn al-Athir. Bol'shakov acrescenta al-Muqaddasi, que no séc. X fala do cerco da guarnição árabe de Taraz, comandada por Saʿid ibn Humayd, e mostra como versões posteriores deformaram o episódio, mudando o lugar e inflando os números. Sua reconstrução: uma revolta na Transoxiana, o cerco de Taraz, o apelo do príncipe de Shash (Tashkent) e o envio de Ziyad por Abu Muslim, apesar da agitação na Sogdiana. A vitória permitiu a Abu Muslim submeter a Transoxiana. Ibn Tayfur conta ainda que um anel de rubi de Ziyad, enviado a Abu Muslim, passou de califa a califa até se perder com Harun al-Rashid. (Bol'shakov 1980)

Prisioneiros, papel e uma nova ordem

Depois de Talas, segundo Taşağıl (2010), os Tang abandonaram suas pretensões no oeste do Turquestão; os karluks formaram um Estado em 766, base do futuro Estado karakhanida, e o conflito entre türks e árabes deu lugar à cooperação, o que favoreceu a difusão do islã. Uma tradição registrada por al-Thaʿalibi liga à batalha a chegada do papel: prisioneiros chineses o teriam fabricado em Samarcanda; daí a técnica passou a Bagdá, onde houve uma oficina em 794, ao Egito e, pela Sicília e por al-Andalus, à Europa. Bol'shakov (1980) acha duvidosa a história dos prisioneiros papeleiros, porque al-Marvazi data o papel de Samarcanda de antes; mas lembra que artesãos capturados chegaram a Kufa e que um deles voltou à China em 762. (TDV İslâm Araştırmaları Merkezi; Bol'shakov 1980)

Fontes

  1. Hansen, V. (2012). The Silk Road: A New History. Oxford University Press. ISBN 9780195159318.
  2. TDV İslâm Araştırmaları Merkezi, "Talas Savaşı" (A. Taşağıl, TDV İslâm Ansiklopedisi 39, 2010). https://islamansiklopedisi.org.tr/talas-savasi (consultado em 07/10/2026). Acessar
  3. Bol'shakov, O. G. (1980). "K istorii Talasskoi bitvy (751 g.)". In: Strany i narody Vostoka, vyp. 22: Sredniaia i Tsentral'naia Aziia, kn. 2. Nauka, p. 132–136.
  4. Sima Guang (1084). Zizhi tongjian, juan 216 (Tang ji 32). Texto da edição Siku quanshu em zh.wikisource.org/wiki/資治通鑑_(四庫全書本)/卷216 (edição de fonte; conferir com Zhonghua shuju, 1956).

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