Ibn Fadlan
século X; nascimento e morte desconhecidos (Eyüboğlu 2026; Upham 2026) · Ásia Central e Interior, Europa Oriental, Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Ahmad ibn Fadlan integrou a embaixada enviada em 921 pelo califa abássida al-Muqtadir ao rei dos búlgaros do Volga, que pedia ajuda para ensinar o islã. Seu relato do percurso por Rey, Nishapur, Merv, Bucara e Corásmia até o Volga é fonte rara sobre turcos, búlgaros, cazares e rus do século X. Sua função na missão é debatida.
A embaixada e o pedido do rei
Segundo Eyüboğlu (2026), o rei dos búlgaros do Volga, Almış, já convertido ao islã, pediu ao califa al-Muqtadir religiosos para ensinar sua gente e arquitetos para erguer uma mesquita e uma fortaleza. A embaixada recebeu uma carta, 4.000 dinares em ajuda e presentes, e Ibn Fadlan foi encarregado de entregá-los e dar explicações ao soberano, sem chefiar a missão. O chefe, o enviado Sawsan al-Rassi, partiu de Bagdá em 21 de junho de 921, conforme o mesmo artigo. (Eyüboğlu 2026)
O caminho até o Volga
O artigo de Eyüboğlu (2026) registra que a embaixada passou por Rey, Nishapur, Merv, Bucara e a Corásmia, e que chegou à base do rei búlgaro às margens do Volga em 12 de maio de 922, passando ali o verão. No caminho, os viajantes encontraram povos turcos, como os guzz, entre cujos chefes houve quem suspeitasse que a embaixada fosse um ardil para lançar os cazares contra eles. O texto sugere que Ibn Fadlan não entrou no território dos cazares e recolheu o que sabia deles por relatos. (Eyüboğlu 2026)
Quem era o autor e por que o relato importa
Upham (2026), da Universidade de Uppsala, mostra que as dúvidas sobre a função de Ibn Fadlan afetam como o relato foi lido: de diplomata, para alguns intérpretes, a possível soldado, segundo Montgomery. Montgomery (2000) apresenta o relato como uma das principais fontes textuais sobre a história de povos da Ásia Interior e se dedica ao trecho sobre os rus, advertindo que muitos comentadores não dominam o árabe clássico e identificaram os rus de modo apressado como vikings ou como russos. (Upham 2026; Montgomery 2000)
Usos modernos do relato
Upham (2026) acompanha como o texto foi mobilizado no século XX: um documento de inteligência naval britânica de 1918 citou as descrições dos bashkires para julgar esse povo, e historiadores locais do Volga-Ural responderam com leituras próprias. A autora usa a reflexão de Sara Ahmed sobre autoridade etnográfica para discutir o que significa um relato escrito por um estrangeiro sobre o outro. Ela lembra que não há prova de que Ibn Fadlan tenha voltado a Bagdá. (Upham 2026)
Fontes
- Eyüboğlu, D. C. (2026). "İbn Fadlan Seyahatnamesi'nde Hazarlar". Milli Kültür Araştırmaları Dergisi 10(1). DOI 10.55774/mikad.1909441. Acessar
- Montgomery, J. E. (2000). "Ibn Faḍlān and the Rūsiyyah". Journal of Arabic and Islamic Studies 3: 1–25. DOI 10.5617/jais.4553. Acessar
- Upham, T. M. (2026). "'The worst of all Turkish peoples': Ibn Faḍlān's travel account as British naval intelligence". postmedieval. DOI 10.1057/s41280-026-00429-x. Acessar
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