Império Xiongnu
c. 209 a.C. – fim do séc. I d.C. (Lee et al. 2023) · Ásia Central e Interior
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Império nômade e multiétnico da estepe oriental, com centro na atual Mongólia, de c. 209 a.C. até sua desagregação no fim do séc. I d.C. Em cemitérios de elite da fronteira ocidental (província de Khovd), as pessoas de maior status estudadas eram mulheres, o que sugere papel destacado delas na integração de novos territórios (Lee et al. 2023).
Crônicas dos rivais e cemitérios
Boa parte do que se sabe por escrito vem dos rivais Han, que registraram a história do império e o descreveram como um corpo político simples, lembram Lee et al. (2023). Brosseder (2016) dá a extensão: do Ordos ao lago Baikal e da Manchúria ao leste do atual Cazaquistão, com o núcleo na Mongólia, integrando povos variados num sistema político e administrativo complexo. A arqueologia, sobretudo a dos cemitérios, completa esse quadro. O comércio trazia ao território xiongnu vidro romano, tecidos persas, faiança egípcia, prata grega e, da China, bronzes, sedas e lacas. (Lee et al. 2023; Brosseder 2016)
Tumbas quadradas e hierarquia
Os enterramentos refletem a hierarquia social. Segundo Lee et al. (2023), a elite governante era sepultada em grandes tumbas quadradas de pedra, cercadas por sepulturas satélites; as elites regionais, em grandes sepulturas circulares; o povo comum, sob montes de pedra ou em covas simples. Caixões de pranchas de madeira e discos de ouro ou dourados com o sol e a lua, símbolo imperial, marcam as tumbas de prestígio. No cemitério de Gol Mod 2, no núcleo do império, as pessoas enterradas nos satélites da Tumba 1 tinham posição mais alta do que as de cemitérios periféricos. (Lee et al. 2023)
Um império geneticamente diverso
Jeong et al. (2020) estudaram 214 indivíduos de 6 mil anos de história da estepe oriental, 60 deles da época xiongnu (209 a.C. – 98 d.C.), e mostraram que a população do império era muito misturada. No início havia um grupo ocidental, aparentado a populações do tipo Sagly/Uyuk e com fluxo gênico de origem iraniana, e um gradiente que unia linhagens ocidentais e orientais (do tipo Ulaanzuukh/Slab Grave); no fim do período, a heterogeneidade era ainda maior. Lee et al. (2023), com 18 genomas, acrescentam que a diversidade genética era maior entre as pessoas de status mais baixo, enquanto as elites eram mais homogêneas. (Jeong et al. 2020; Lee et al. 2023)
As mulheres da fronteira ocidental
Os cemitérios de Takhiltyn Khotgor (aristocrático) e Shombuuzyn Belchir (de elite local), na província de Khovd, foram escavados em 2007, 2008 e 2010 por um projeto mongol-americano. Em Takhiltyn Khotgor, uma mulher adulta foi enterrada numa tumba quadrada com seis cavalos, peças de um carro chinês e pranchas de lariço importado; outra tinha um disco e um crescente de ouro e jovens do sexo masculino em sepulturas satélites. Em Shombuuzyn Belchir havia uma taça de laca Han e uma mulher que morreu no parto, enterrada com uma conta de faiança que representa o deus egípcio Bes. É com base nesses achados que Lee et al. (2023) atribuem às mulheres de elite um papel destacado na fronteira. (Lee et al. 2023)
Fontes
- Lee, J.; Miller, B. K.; Bayarsaikhan, J.; Johannesson, E. et al. (2023). "Genetic population structure of the Xiongnu Empire at imperial and local scales". Science Advances 9(15). DOI 10.1126/sciadv.adf3904. Acessar
- Brosseder, U. (2016). "Xiongnu Empire". In: The Encyclopedia of Empire. Wiley, p. 1–6. DOI 10.1002/9781118455074.wbeoe149; ISBN 9781118440643. Acessar
- Jeong, C.; Wang, K.; Wilkin, S.; Taylor, W. T. T. et al. (2020). "A Dynamic 6,000-Year Genetic History of Eurasia's Eastern Steppe". Cell 183(4): 890–904.e29. DOI 10.1016/j.cell.2020.10.015. Acessar
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