Atlas da História

Canato de Zungar

1634 (ou 1635) – 1758 · Ásia Central e Interior

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Estado dos mongóis zungares na Ásia Central interior, de 1634 a 1758 segundo o Wikidata. Entre c. 1600 e 1800, a dinastia Qing derrotou os zungares e passou a controlar o atual Xinjiang e a Mongólia, processo estudado por Perdue (2005).

Poder sem a linhagem de Gengis Khan

Entre os mongóis, um unificador precisava de força militar, prestígio religioso no budismo, autoridade política (linhagem, título, legitimação) e vantagens comerciais, argumenta Kushkhov (2021). O clã Choros, que governava os zungares, não descendia de Gengis Khan. Para Kukeev (2023), o fracasso dos oirates em se legitimar entre os gengisidas no séc. XV os levou, dois séculos depois, a buscar legitimação religiosa no Tibete e no Kokonor. Baatur recebeu o título de khongtaiji de Gushi Khan, e os governantes zungares do séc. XVIII receberam seus títulos do Dalai-lama. Só Galdan recebeu o título de khan, em 1679; os demais usaram khongtaiji ou taishi, segundo Kushkhov. (Kushkhov 2021; Kukeev 2023)

Galdan, Tsewang Rabtan e o Tibete

Elverskog (2016) vê nos zungares o último grande império nômade da estepe da Ásia Interior. O Estado nasceu das casas nobres oirates em meados e fins do séc. XVII e teve seu auge sob Galdan (r. 1678–1697), Tsewang Rabtan (r. 1694–1727) e Galdan Tseren (r. 1727–1745), dominando o atual Xinjiang e terras vizinhas, entre os impérios russo e Qing e os canatos muçulmanos da Ásia Central. Kushkhov (2021) lembra que Galdan entrou em guerra com os khalkha alegando desrespeito a um enviado do Dalai-lama, e que a campanha de Tsewang Rabtan no Tibete depôs o khan khoshut Lhazang; os zungares foram expulsos do Tibete em 1720. Para Kushkhov, eles foram a única força nômade capaz de travar guerras longas com a China. (Elverskog 2016; Kushkhov 2021)

Comércio, oficinas e tributários

Kushkhov (2021) explica por que o canato não atraiu os demais mongóis. A política comercial Qing o enfraquecia, e os zungares montaram um sistema tributário próprio: no início do séc. XVIII, governantes do Turquestão Oriental, de cidades da Ásia Central como Tashkent e cazaques dos zhuz Grande e Médio reconheciam dependência. Essas rendas, porém, não competiam com o mercado chinês, ao qual khalkha, chakhar e ordos tinham acesso. O canato criou povoados agrícolas, minas de ferro, ouro e cobre, salinas e oficinas, e na virada dos sécs. XVII–XVIII artesãos zungares faziam fuzis e munição. Faltavam regras estáveis de sucessão: Galdan sucedeu ao irmão Sengge pelo critério de senioridade na linhagem, depois de vencer meios-irmãos que disputavam o trono; Tsewang Rabtan reivindicou o poder como filho de Sengge; e depois de Galdan Tseren o herdeiro fraco foi logo afastado por rivais mais influentes. (Kushkhov 2021)

Peregrinações que também eram comércio

Kukeev (2023) estuda as missões de peregrinação (manja) dos zungares ao Tibete e ao Kokonor. Além de oferendas aos mosteiros da escola Gelug e cartas aos lamas, elas levavam comércio em grande escala e serviam para colher informações. Segundo documentos manchus, a missão de 1747 declarou mercadorias no valor de 300 mil taéis de prata, entre elas 16.840 peles de esquilo e 5.696 de lobo. Parte do comércio cabia aos bedergé, mercadores muçulmanos de língua túrquica vindos de Kashgar, Yarkand e Andijan, que viviam no Ili; um deles, Mahmud, chefiou a missão de 1747. Em 1727 o imperador Yongzheng recusou com desdém o pedido de Galdan Tseren para uma missão em memória do pai, mas nos anos 1740 as missões se intensificaram. Os Qing reagiram com postos de guarda (karun) no Kokonor e redes de informação, até que a vitória sobre o canato, em meados do séc. XVIII, encerrou a prática. (Kukeev 2023)

Fontes

  1. Perdue, P. C. (2005). China Marches West: The Qing Conquest of Central Eurasia. Harvard University Press (Belknap). DOI 10.4159/9780674042025; ISBN 9780674016842. Acessar
  2. Zlatkin, I. Ia. (1964). Istoriia Dzhungarskogo khanstva, 1635–1758. Nauka (2ª ed. 1983).
  3. Kushkhov, B. Kh. (2021). "Dzhungarskoe khanstvo kak potentsial'nyi gegemon v mongol'skom mire: prichiny neudachi". Manuscript 14(8): 1596–1602. DOI 10.30853/mns210294. Acessar
  4. Kukeev, D. G. (2023). "Rol' palomnicheskikh missii v dzhungaro-tsinskikh otnosheniiakh v Tibete i Kukunore". Orientalistica 6(2): 208–224. DOI 10.31696/2618-7043-2023-6-2-208-224. Acessar
  5. Elverskog, J. (2016). "Zünghar (Dzungar) Khanate". In: The Encyclopedia of Empire. Wiley, p. 1–6. ISBN 9781118440643. DOI 10.1002/9781118455074.wbeoe065. Acessar

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