Atlas da História

Papel em Samarcanda: a manufatura árabe que se espalha pelos domínios islâmicos depois de 751

751, pela tradição contada na Britannica de 1911 ("it is related"); manuscritos árabes em papel conservados desde o séc. IX (o de 866, em Leiden) · Ásia Central e Interior, Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo a Britannica de 1911, o papel chegou ao mundo fora da Ásia oriental em meados do séc. VIII. Em 751, depois que os chineses atacaram os árabes em Samarcanda, o governador árabe teria capturado prisioneiros que sabiam fazer papel e que ensinaram o ofício aos novos senhores, o que deu início à manufatura árabe, logo espalhada pelos domínios árabes. Artesãos persas empregaram sobretudo linho, abundante no Khorasan, e não algodão, como se acreditou por muito tempo.

A história contada e a obscuridade da origem

O verbete diz que a arte de fazer papel de matéria fibrosa parece ter sido praticada pelos chineses em tempo muito remoto, e que vários autores a recuam até o séc. II a.C. Mas o papel só ficou disponível ao resto do mundo, segundo ele, em meados do séc. VIII. Em 751 os árabes, que haviam ocupado Samarcanda no início do século, foram atacados ali pelos chineses. O governador repeliu a invasão e, na perseguição, teria capturado prisioneiros hábeis na fabricação de papel, que transmitiram o saber aos novos senhores. Daí teria começado a manufatura árabe, que se espalhou depressa por todos os domínios árabes. (Fisher)

Linho, e não algodão

Escritores europeus antigos chamavam o papel árabe de charta bombycina, gossypina, cuttunea, xylina, damascena ou serica, e persistiu a ideia de que era feito de lã de algodão, em oposição ao papel de trapos da Europa. O verbete informa que investigações recentes derrubaram essa teoria: a matéria do papel árabe era sobretudo linho. Os árabes e os hábeis operários persas que empregaram recorreram logo ao linho, abundante no Khorasan, depois aos trapos e, conforme a demanda crescia, a qualquer fibra vegetal; o algodão, se usado, o foi com parcimônia. O papel oriental da Idade Média tinha substância espessa e superfície lustrosa e não levava marcas-d'água, que se generalizaram nas fábricas europeias. (Fisher)

Os manuscritos mais antigos

O verbete afirma que a extensão do uso do papel em obras literárias aparece no número considerável de manuscritos árabes em papel conservados desde o séc. IX. Um volume de ditos de Maomé e de seus companheiros, escrito em 866 e guardado na Biblioteca da Universidade de Leiden, é provavelmente um dos mais antigos manuscritos em papel que existem. O mais antigo datado do Museu Britânico é um tratado de um médico árabe, de 960. A Biblioteca Bodleiana tem um manuscrito de gramática, de 974, escrito em Samarcanda em papel provavelmente ali fabricado, sede da primeira manufatura árabe. Há também manuscritos em Paris, de 969 e 980, poemas escritos em Bagdá em 990 e o Evangelho de Lucas de 993, no Vaticano. (Fisher)

Fontes

  1. Fisher, William Edward Garrett. "Paper". Em Encyclopædia Britannica, 11ª ed., vol. 20. Cambridge: Cambridge University Press, 1911 (a autoria que a Wikisource indica é a de Fisher; a seção sobre manuscritos pode ter outro autor), pela cópia da Wikisource consultada em 29/10/2026. https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Paper Acessar

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