Tomada de Tashkent pelo Império Russo
mai.–jun. 1865 · Ásia Central e Interior
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Tomada de Tashkent por tropas do Império Russo comandadas pelo general M. G. Cherniaev, em junho de 1865, no confronto com o Canato de Cocande (Khoqand). Morrison (2020) a insere nas guerras russas contra Khoqand, Bukhara e Khiva, que incluíram também a tomada de Samarcanda.
Uma fronteira que se lia na paisagem
Em 1º de agosto de 1863, o chanceler Gorchakov e o ministro da Guerra Miliutin propuseram ao tsar Alexandre II unir as linhas de fortes de Orenburg e da Sibéria Ocidental, entre o forte Vernoe e o forte Perovskii, no Syr Darya. A nova fronteira deveria seguir o cume da cordilheira Qara-Tau, que Miliutin nunca vira e que os russos conheciam mal. Como mostra Morrison (2014), ministros e oficiais acreditavam que a fronteira certa podia ser identificada no terreno, em rios, divisores de águas ou na passagem da estepe para as terras cultivadas; em 1864 Gorchakov escreveu que a linha devia englobar os nômades e parar diante das populações agrícolas e comerciais. As pretensões de Khoqand, que cobrava tributos de nômades cazaques na estepe do sul, eram tratadas como ilegítimas. (Morrison 2014)
Aulie-Ata, Chimkent e o primeiro ataque
Em 1864, Cherniaev partiu do forte Vernoe com 2.500 soldados, 800 cavalos e 4.000 camelos e tomou Aulie-Ata em 4 de junho; tropas de Orenburg sob Verevkin tomaram a cidade de Turquestão em 12 de junho. A fronteira prevista logo se mostrou inviável: as encostas norte do Qara-Tau tinham pouca água, e a única estrada entre Aulie-Ata e Turquestão passava por Chimkent, ainda nas mãos de Khoqand. O conhecimento russo da região se resumia a um esboço de mapa feito por um batedor cazaque. Cherniaev tomou Chimkent em setembro e, poucos dias depois, marchou com 1.500 homens até Tashkent, em suposto reconhecimento. O ataque à cidade, que o governador Duhamel dizia ter 100 mil habitantes, fracassou em outubro de 1864, e Cherniaev omitiu o episódio nos relatórios, o que lhe custou a confiança dos superiores. (Morrison 2014)
A versão da crônica de Khoqand
Como contraponto às fontes russas, Morrison (2014) usa uma crônica de Khoqand, o Ta'rikh-i ʿAliquli, escrito por Mullah Muhammad Yunus Tashkandi c. 1901–06. Ela atribui a queda de Chimkent não à investida liderada por Cherniaev por um canal sob as muralhas, como dizem os relatos russos, mas a um ardil que fez a guarnição sair atrás de um inimigo que parecia recuar. A crônica também conta que o enviado russo, o naturalista N. A. Severtsov, propôs deixar um lado do rio Arys aos muçulmanos e o outro aos russos; o comandante ʿAlimqul recusou, temendo perder o controle do grupo Besh-Tamghalik. Para Morrison, ʿAlimqul pensava em pessoas, e não em território, e o cronista via ali, em retrospecto, uma chance perdida de preservar Tashkent. (Morrison 2014)
Da água cortada a Khujand
No fim de abril de 1865, Cherniaev partiu de novo, com nove companhias e meia de infantaria e 12 canhões, oficialmente em reconhecimento, mas decidido a tomar a cidade; vários relatos dizem que ele não queria dividir a glória com seu superior, Kryzhanovskii, esperado no verão. Em 2 de maio estava em Niyazbek, onde cortou o abastecimento de água de Tashkent vindo do rio Chirchik. A queda da cidade não deu aos russos a fronteira desejada: ajudou a provocar a guerra com o emir de Bukhara, e em agosto de 1865 Cherniaev obteve licença para um posto em Chinaz, no Syr Darya; em 1866 Romanovskii usou argumentos parecidos para tomar Khujand. Morrison (2020) insere esses episódios numa conquista que acrescentou ao império c. 1,5 milhão de milhas quadradas (c. 3,9 milhões de km²) e pelo menos 6 milhões de pessoas, na maioria muçulmanas. (Morrison 2014; Morrison 2020)
Fontes
- Morrison, A. (2020). The Russian Conquest of Central Asia: A Study in Imperial Expansion, 1814–1914. Cambridge University Press. DOI 10.1017/9781139343381; ISBN 9781107030305. Acessar
- Morrison, A. (2014). "Russia, Khoqand, and the Search for a “Natural” Frontier, 1863–1865". Ab Imperio 2014(2): 166–192. DOI 10.1353/imp.2014.0051. Acessar
Na mesma região
- Canato de Zungar 1634 (ou 1635) – 1758
- Ali Kuşçu (Ali Qushji) nasceu c. 1403 em Samarkand (MacTutor; a TDV só diz início do séc. XV, por estimativa); morreu em Istambul em 15 dez. 1474 (TDV) ou 16 dez. 1474 (MacTutor)
- Ibn Fadlan século X; nascimento e morte desconhecidos (Eyüboğlu 2026; Upham 2026)
- Batalha de Talas julho de 751 (Zilhicce 133 H., segundo Taşağıl 2010)
- Papel em Samarcanda: a manufatura árabe que se espalha pelos domínios islâmicos depois de 751 751, pela tradição contada na Britannica de 1911 ("it is related"); manuscritos árabes em papel conservados desde o séc. IX (o de 866, em Leiden)
- Rotas da Seda terrestres: do corredor de Chang'an às cidades-oásis da Ásia Central séc. II a.C. a séc. XVI (UNESCO, listas 1442 e 1675)