Atlas da História

Caverna de Blombos: ocres gravados

c. 77 mil anos atrás · África Austral

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna no Cabo Ocidental (África do Sul) onde foram achados ocres gravados com cerca de 77 mil anos, da Idade da Pedra Média. São evidências centrais no debate sobre a origem do comportamento simbólico humano.

Duas gravuras e como foram datadas

Henshilwood et al. (2002) apresentaram duas representações abstratas gravadas em pedaços de ocre vermelho, achados em camadas da Idade da Pedra Média. A data média de 77 mil anos veio da termoluminescência de ferramentas de pedra queimadas das mesmas camadas, e uma data de 70 mil anos por luminescência opticamente estimulada, obtida numa duna sobreposta, confirmou a integridade da sequência. Para os autores, as gravuras indicam o surgimento do comportamento humano moderno na África pelo menos 35 mil anos antes do início do Paleolítico Superior. (Henshilwood et al. 2002)

Uma oficina de pigmento de 100 mil anos

Escavações de 2008, publicadas por Henshilwood et al. (2011), revelaram uma oficina de processamento de ocre de 100 mil anos. Uma mistura líquida rica em ocre foi preparada e guardada em duas conchas do molusco Haliotis midae (abalone). Ocre, ossos, carvão, mós e percutores formavam o conjunto de produção. O uso da mistura é desconhecido; entre as possibilidades, os autores citam decoração e proteção da pele. Eles leem o achado como sinal da capacidade de obter, combinar e armazenar substâncias, um marco na evolução da cognição humana complexa. (Henshilwood et al. 2011)

Um desenho sobre silcreto

Henshilwood et al. (2018) descreveram uma lasca de silcreto com linhas traçadas com um lápis de ocre, achada em níveis de c. 73 mil anos atribuídos à fase Still Bay, nos quais também apareceram contas de concha. Para os autores, trata-se de um desenho abstrato pelo menos 30 mil anos anterior aos desenhos conhecidos até então. (Henshilwood et al. 2018)

Still Bay, Howiesons Poort e o cérebro

Henshilwood e Dubreuil (2011) revisam as duas tradições técnicas do sul da África entre c. 77 mil e 59 mil anos atrás, a Still Bay e a Howiesons Poort, como um período de mudança cultural rápida, sem paralelo anterior na Idade da Pedra Média. Os autores argumentam que essas inovações devem estar ligadas a uma expansão anterior das áreas de associação dos córtices temporal e parietal, que sustentam a teoria da mente, a capacidade de adotar perspectivas e a flexibilidade da atenção. (Henshilwood e Dubreuil 2011)

Fontes

  1. Henshilwood, C. S.; d'Errico, F.; Yates, R.; Jacobs, Z. et al. (2002). "Emergence of Modern Human Behavior: Middle Stone Age Engravings from South Africa". Science 295: 1278–1280. DOI 10.1126/science.1067575. Acessar
  2. Henshilwood, C. S.; d'Errico, F.; van Niekerk, K. L.; Coquinot, Y. et al. (2011). "A 100,000-Year-Old Ochre-Processing Workshop at Blombos Cave, South Africa". Science 334(6053): 219–222. DOI 10.1126/science.1211535. Acessar
  3. Henshilwood, C. S.; d'Errico, F.; van Niekerk, K. L.; Dayet, L. et al. (2018). "An abstract drawing from the 73,000-year-old levels at Blombos Cave, South Africa". Nature 562(7725): 115–118. DOI 10.1038/s41586-018-0514-3. Acessar
  4. Henshilwood, C. S.; Dubreuil, B. (2011). "The Still Bay and Howiesons Poort, 77–59 ka". Current Anthropology 52(3): 361–400. DOI 10.1086/660022. Acessar

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