Atlas da História

Arte rupestre do Maloti-Drakensberg

c. 4 mil anos atrás até o séc. XX (UNESCO 985); datas diretas de até 2–3 mil anos (Sealy 2011) · África Austral

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Cerca de 690 sítios com provavelmente mais de 35 mil imagens pintadas em cavernas e abrigos da cordilheira, entre a África do Sul e o Lesoto. A UNESCO liga as pinturas à vida espiritual dos san, que viveram na região ao longo de 4 mil anos, e atribui parte das imagens dos séc. XIX e XX a povos de língua banta.

Um patrimônio entre o Lesoto e a África do Sul

O bem do Patrimônio Mundial atravessa a fronteira entre os dois países: reúne o Parque Nacional Sehlabathebe (6.500 ha), no Lesoto, e o Parque uKhahlamba-Drakensberg (242.813 ha), na África do Sul, num total de 249.313 hectares. Segundo a UNESCO, as imagens representam animais e seres humanos e formam uma tradição coerente, que exprime crenças e cosmologia ao longo de vários milênios. Pelo critério (i), a organização descreve a arte como o maior e mais concentrado conjunto de pinturas rupestres da África ao sul do Saara, de qualidade e variedade de temas excepcionais. (UNESCO, lista nº 985)

Ler as imagens com a etnografia

Sealy (2011), em resenha do livro organizado por Mitchell e Smith (2009), retraça a história da pesquisa. Os trabalhos de Vinnicombe (1976) e de Lewis-Williams (1981) aproximaram as pinturas da etnografia san e da vida religiosa, e a resenha destaca o papel do Rock Art Research Institute (RARI) nessa linha de estudos. Sealy também discute os limites de aplicar registros etnográficos a imagens produzidas ao longo de milênios. (Sealy 2011)

O problema da datação

Segundo a síntese de Mazel comentada por Sealy, há dois caminhos para datar a arte: o radiocarbono de depósitos estratificados dos abrigos e as datas AMS obtidas diretamente em imagens e crostas, método ainda controverso. As datas diretas chegam a 2 mil ou 3 mil anos atrás, enquanto em outros lugares há pedras pintadas com datas anteriores. Sealy observa ainda como é difícil ligar a arte ao que as escavações revelam. (Sealy 2011)

Cavalos, gado e vizinhos

Na leitura de Sealy, Mitchell organiza o livro em cinco temas, entre eles o impacto da agricultura e do pastoreio nos últimos 2 mil anos. Whitelaw trata da interação entre comunidades nguni e san ao longo de dois milênios, e Challis mostra que os cavalos são o segundo motivo mais pintado, depois do eland, um antílope. Whitley, por fim, discute a arqueologia como prática social. (Sealy 2011)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Maloti-Drakensberg Park", lista nº 985. https://whc.unesco.org/en/list/985/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Sealy, J. (2011). "Rock art and archaeology in the Maloti-Drakensberg: Then and now". South African Journal of Science 107(3/4). DOI 10.4102/sajs.v107i3/4.632. Acessar
  3. Skinner, A. (2021). "Politics of Identity in Maloti-Drakensberg Rock Art Research". In: Oxford Research Encyclopedia of Anthropology. Oxford University Press. DOI 10.1093/acrefore/9780190854584.013.528. Acessar

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