Atlas da História

Grande Zimbábue

fundação no séc. XI; construção entre 1100 e 1450; abandono c. 1450 (UNESCO) · África Austral

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Cidade em ruínas nas colinas do sudeste do Zimbábue, capital do Reino do Zimbábue na Idade do Ferro tardia. Segundo a UNESCO, foi construída entre 1100 e 1450 e abandonada por volta de 1450; para Chirikure e colegas (2013), a ocupação continuou até pelo menos o século XVI, provavelmente o XVII.

Três conjuntos de ruínas

A UNESCO divide o sítio, de c. 800 hectares, em três áreas: as Hill Ruins, ocupadas do séc. XI ao XV, onde foram achadas seis aves esculpidas em esteatita; o Great Enclosure, do séc. XIV, com sua torre cônica e restos de cabanas de daga (barro); e as Valley Ruins, do séc. XIX. Segundo a organização, o sítio foi fundado no séc. XI por povos shona e, no séc. XIV, era capital de um Estado nos planaltos ricos em ouro. O nome Zimbabwe, “casa de pedra”, passou ao país, a ave de esteatita virou emblema nacional, e o lugar ainda tem uso espiritual. (UNESCO, lista nº 364)

Comércio distante e autoria contestada

No sítio foram achados contas e porcelana chinesas e persas e moedas árabes cunhadas em Kilwa, sinais de trocas de longa distância, segundo a UNESCO, que também menciona a lenda que ligava o lugar à rainha de Sabá. Chirikure et al. (2017) mostram que a pesquisa do séc. XX ficou dominada pela necessidade de confirmar, para o público ocidental, a origem local do monumento, e Chirikure et al. (2013) lembram que escavadores antigos destruíram parte das evidências. (UNESCO, lista nº 364; Chirikure et al. 2017; Chirikure et al. 2013)

Uma cronologia revista

Chirikure et al. (2013) refizeram a cronologia com modelagem bayesiana das datas. Segundo eles, os muros começaram a ser erguidos no fim do séc. XII ou no início do XIII, a construção chegou ao auge nos séc. XIV e XV, e a ocupação durou até pelo menos o séc. XVI, provavelmente até o XVII. Isso cria uma sobreposição com Mapungubwe e favorece, na leitura dos autores, um modelo policêntrico, com vários centros contemporâneos. (Chirikure et al. 2013)

Quantas pessoas viviam ali?

Chirikure et al. (2017) contestam as estimativas de 18 mil a 20 mil habitantes de Huffman, que se apoiam numa pirâmide etária da Rodésia dos anos 1960 e somam áreas que não foram ocupadas ao mesmo tempo. Para os autores, a população total provavelmente nunca passou de 10 mil pessoas, o sítio nunca foi abandonado de vez, e seu declínio não se explica por superpopulação. A leitura diverge da UNESCO, que fala em mais de 10 mil habitantes no séc. XIV e em abandono c. 1450, ligado à falta de alimentos e ao desmatamento. (Chirikure et al. 2017; UNESCO, lista nº 364)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Great Zimbabwe National Monument", lista nº 364. https://whc.unesco.org/en/list/364/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Pikirayi, I. (2001). The Zimbabwe Culture: Origins and Decline of Southern Zambezian States. AltaMira Press. DOI 10.5040/9798216417873. Acessar
  3. Chirikure, S.; Pollard, M.; Manyanga, M.; Bandama, F. (2013). "A Bayesian chronology for Great Zimbabwe: re-threading the sequence of a vandalised monument". Antiquity 87(337): 854–872. DOI 10.1017/s0003598x00049516. Acessar
  4. Chirikure, S.; Moultrie, T.; Bandama, F.; Dandara, C.; Manyanga, M. (2017). "What was the population of Great Zimbabwe (CE1000 – 1800)?". PLOS ONE 12(6): e0178335. DOI 10.1371/journal.pone.0178335. Acessar

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