Atlas da História

Genomas do abrigo de Oakhurst (perto de George, África do Sul), com o DNA antigo mais velho do país, de c. 10.000 anos cal AP

c. 10.000 cal AP para os indivíduos mais antigos (c. 8050 a.C. em ano astronômico, 1950 − cal AP), conforme Gretzinger et al. (2024): datas de radiocarbono em colágeno de osso, de cerca de 10.000 a 1.300 cal AP, as novas calibradas com a curva SHCal20 do Hemisfério Sul. O ano −8050 é um valor redondo dos autores, usado só como marca no tempo; as datas individuais estão na Tabela Suplementar 1, não vista · África Austral

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 2024, Gretzinger, Gibbon, Sealy, Krause, Schiffels e colegas publicaram genomas de nove pessoas sepultadas no abrigo de Oakhurst, no sul da África do Sul, datadas por radiocarbono de cerca de 10.000 a 1.300 anos cal AP; entre elas está, segundo os autores, o DNA mais antigo já obtido no país. Eles concluem que nesse intervalo nenhuma ancestralidade de fora do sul da África chegou ao local, uma continuidade que chamam de excepcional no registro arqueogenético mundial. A ruptura, dizem, vem só com a chegada de ancestralidades ligadas a pastores da África Oriental e a agricultores da África Ocidental, mas parte dos ‡khomani, karretjiemense e nama de hoje ainda mostra parentesco direto com esses caçadores-coletores.

O abrigo e as ferramentas de pedra

Segundo Gretzinger e colegas (2024), Oakhurst fica perto de George, no extremo sul da África, a cerca de 7 km do mar. John Goodwin o escavou entre 1932 e 1935, e o sítio guarda os sepultamentos completos ou parciais de 46 pessoas, jovens e adultas, ao longo de toda a ocupação. A metade inferior do depósito traz ferramentas de pedra grandes e pouco padronizadas, hoje agrupadas como complexo de Oakhurst, que se estende por vários sítios sul-africanos até o Zimbábue e o sul da Namíbia. Por volta de 8.000 anos atrás elas dão lugar a peças microlíticas, o chamado Wilton, que os autores veem como uma tradição em evolução, feita com rochas de grão fino trazidas de longe, e que continua a ser feita nos últimos 2.000 anos, quando surge também a cerâmica. (Gretzinger et al. 2024)

Como as amostras foram tomadas

Os restos humanos de Oakhurst estão no repositório de esqueletos da Universidade da Cidade do Cabo. Os autores contam que escolheram só indivíduos com ossos petrosos soltos, quebrados ou já colados, para devolver as peças coladas de novo ao estado original, com um furo de amostragem quase imperceptível, e que coletaram um único dente por pessoa. Foram amostradas 13 pessoas; dos 13 indivíduos, nove deram dados genômicos suficientes, com média de 368.359 dos 1,24 milhão de marcadores analisados. Ossos e dentes foram enviados à Alemanha e voltaram depois do processamento. (Gretzinger et al. 2024)

O que o DNA mostra: continuidade e ruptura

Os autores comparam os indivíduos de Oakhurst entre si e com populações atuais. Os grupos de Oakhurst de cerca de 10.000 anos cal AP e de 6.000 a 4.000 anos cal AP, bem como os da costa oeste e leste (entre 2.200 e 1.300 anos cal AP), ficam geneticamente indistinguíveis; já entre 1.300 e 1.200 anos cal AP e entre 1.200 e 400 anos cal AP há descontinuidade, que eles associam à chegada de pastores de ancestralidade da África Oriental e de agricultores da África Ocidental. Mesmo depois dos séculos de mistura, incluindo a chegada de colonos europeus a partir de meados do século XVII, alguns ‡khomani, karretjiemense e nama atuais ainda traçam a maior parte de sua ancestralidade até esses caçadores-coletores, segundo o estudo. (Gretzinger et al. 2024)

Fontes

  1. Gretzinger, Joscha; Gibbon, Victoria E.; Penske, Sandra E.; Sealy, Judith C.; Rohrlach, Adam B.; Salazar-García, Domingo C.; Krause, Johannes; Schiffels, Stephan (2024). "9,000 years of genetic continuity in southernmost Africa demonstrated at Oakhurst rockshelter". Nature Ecology & Evolution 8: 2121-2134. DOI 10.1038/s41559-024-02532-3 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://www.nature.com/articles/s41559-024-02532-3 em 30/10/2026. Volume e páginas conforme o cabeçalho da página. Acessar

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