Atlas da História

Cerâmica Cordada na Boêmia (a partir de c. 3000–2900 a.C.): sepulturas individuais com posição do corpo segundo o gênero, ancestralidade da estepe e uma prática funerária que se espalha por vários focos

a partir de c. 3018–2901 a.C. (datação do indivíduo mais antigo da Cordada na Boêmia, em Vliněves, segundo Papac et al. 2021); a prática se consolida na Europa por volta de 2600 a.C. · Europa Oriental, Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Na Boêmia, indivíduos da Cerâmica Cordada datados de c. 3018–2901 a.C. estão entre os mais antigos já analisados, e, segundo Papac et al. (2021), a cultura estava espalhada pela região em 2900 a.C. Com ela voltaram as sepulturas individuais, com a posição do corpo e os objetos separados por gênero. Estudos de DNA ligam o grupo a ancestralidade da estepe, mas uma análise de radiocarbono de 967 sepulturas (2025) diz que o rito e a ancestralidade não se espalharam juntos nem no mesmo ritmo.

O rito: sepultura individual e gênero

Segundo Papac et al. (2021), sepulturas regulares quase desaparecem na Boêmia nos períodos Baden, Řivnáč e Ânforas Globulares (c. 3500–2800 a.C., cerca de 20 sepulturas conhecidas). Elas ‘reappeared in abundance’ com a Cordada a partir de c. 2900 a.C. (cerca de 1.500 na Boêmia), agora com ‘strict gender differentiation’ na posição do corpo e nos objetos. O Campaniforme continuou com sepulturas individuais (cerca de 600 na Boêmia, a partir de c. 2500 a.C.), e a cultura Únětice, no Bronze Antigo, manteve as sepulturas individuais mas sem diferenciação de gênero na posição. (Papac)

Os mais antigos na Boêmia

Papac et al. (2021) relatam os dados genômicos dos indivíduos mais antigos da Cordada até então: STD003 (noroeste da Boêmia, 3010–2889 cal a.C.), VLI076 (Boêmia central, 3018–2901), OBR003 (2911–2875) e PNL001 (leste, 2914–2879). Os dois sítios com mais detalhe são Vliněves e Stadice. Em Vliněves, onde está o mais antigo, 20% (3 de 15) dos primeiros indivíduos cordados não tinham ancestralidade da estepe, e os autores não veem diferenças arqueológicas entre as sepulturas deles e as de quem a tinha. Os perfis mais ‘extremos’ também são os mais antigos, o que os autores leem como consistente com migrantes do leste misturando-se aos locais. (Papac)

Uma prática, vários focos

Bourgeois et al. (2025) compilaram datas de 967 sepulturas (453 da Cordada, 514 do Campaniforme) em 22 grupos regionais. Para a Cordada, a análise estatística (OLE) sugere um surgimento precoce na bacia da Boêmia e no Báltico oriental por volta de 2940 a.C., com as sepulturas mais antigas em ‘isolated, disparate pockets’ na Europa central e no Báltico. O rito mais próximo da estepe aparece por último. Seus picos de uso vêm só em 2600–2400 a.C., e a ancestralidade da estepe chega ao longo de ‘half a millennium or more’, enquanto o rito se espalha em ‘two or three centuries at most’. (Bourgeois)

Migração e rito em Haak et al. (2015)

Haak et al. (2015) analisaram 94 europeus antigos, incluindo 15 indivíduos do Neolítico final datados de c. 2500–2200 a.C., e concluíram que a ancestralidade dos cordados alemães tinha cerca de 75% de origem Yamna (a estimativa do corpo do texto é de 79% semelhante a Yamna, 4% de caçadores-coletores ocidentais e 17% de fazendeiros neolíticos). Os autores advertem que as amostras Yamna de Samara talvez não sejam diretamente ancestrais dos cordados alemães e que uma população mais ocidental, ou uma anterior, pode ter sido a fonte. Papac et al. (2021) vão além: a Cordada inicial da Boêmia não derivou toda a ancestralidade da estepe de Yamna conhecidos, e 5–15% dela lembra grupos do nordeste da Europa (Letônia e Ucrânia neolíticas, Pitted Ware). (Haak; Papac)

Linhagens paternas e mudança dentro da Cordada

Papac et al. (2021) descrevem, entre os cordados da Boêmia, uma redução forte e uma substituição completa da diversidade do cromossomo Y por volta de 2600 a.C., que passou de cinco linhagens na Cordada inicial a uma dominante na tardia. Os autores rejeitam que isso tenha acontecido por acaso e propõem seleção, estrutura social ou entrada de linhagens de fora. Eles também dizem que as linhagens da Cordada tardia e do Campaniforme não se sobrepõem, o que indicaria isolamento de casamentos entre os dois grupos mesmo no mesmo sítio, como Vliněves. (Papac)

Fontes

  1. Papac, Luka; Ernée, Michal; Dobeš, Miroslav; et al. Dynamic changes in genomic and social structures in third millennium BCE central Europe. Science Advances, 7(35), eabi6941, 25/08/2021, doi:10.1126/sciadv.abi6941, texto completo em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8386934. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; os materiais suplementares não foram lidos. Acessar
  2. Bourgeois, Quentin P. J.; Helmecke, Florian; Olerud, Louise; et al. Spatiotemporal reconstruction of Corded Ware and Bell Beaker burial rituals reveals complex dynamics divergent from steppe ancestry. Science Advances, 11(34), eadx2262, 20/08/2025, doi:10.1126/sciadv.adx2262, texto completo em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13155569. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; os dados S1 a S4 e o texto suplementar não foram lidos. Acessar
  3. Haak, Wolfgang; Lazaridis, Iosif; Patterson, Nick; et al. Massive migration from the steppe was a source for Indo-European languages in Europe. Nature, 522(7555), p. 207–211, 02/03/2015, doi:10.1038/nature14317, manuscrito de autor em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5048219. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; a Informação Suplementar não foi lida. Acessar

Na mesma região