Necrópole de Varna
início entre 4596 e 4516 a.C.; fim entre 4427 e 4341 a.C. (radiocarbono; Higham et al. 2018) · Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Cemitério da Idade do Cobre na costa búlgara do Mar Negro, com o mais antigo grande conjunto de objetos de ouro conhecido no mundo. Datações por radiocarbono indicam uso por cerca de 120 a 260 anos na segunda metade do 5º milênio a.C. O pequeno número de sepulturas suntuosas, de poucos chefes, foi lido como sinal de que uma nova hierarquia social já estava consolidada.
Duzentos e cinquenta anos de sepultamentos
A necrópole foi escavada por Ivan Ivanov entre 1972 e 1991. Krauß et al. (2017), equipe de Tübingen, Kiel e Colônia com Vladimir Slavchev, do museu de Varna, reconstruíram sua sequência combinando análise de correspondência dos objetos, análise de redes e 74 datas de radiocarbono seriadas. O resultado é um uso de cerca de 250 anos, entre 4590 e 4340 a.C. Com cerca de 270 sepulturas, isso dá aproximadamente uma por ano, pouco até para um único povoado; os autores concluem que ali eram enterradas pessoas de vários assentamentos da cultura KGK VI, os tells do interior da costa ocidental do mar Negro, e que Varna I era um cemitério dentro de uma área de povoamento mais ampla. Higham et al. (2018), com 71 datas, chegaram a um intervalo parecido, de 120 a 260 anos. (Krauß et al. 2017; Higham et al. 2018)
Ricos e pobres ao mesmo tempo
Um terço de todo o ouro de Varna está numa única cova, a 43; outro terço está em túmulos simbólicos ricos e em depósitos como os de número 1, 4, 36, 41 e 63a. Higham et al. (2007), com as primeiras datas (4560–4450 a.C.), viam nas covas luxuosas não mais que um punhado de “chefes supremos” e levantavam a possibilidade de as ricas serem anteriores às pobres. Krauß et al. (2017) chegam a outro quadro: há covas ricas em todas as fases da seriação, e a 43 se liga pelos objetos às covas 1, 3, 4, 15 e 97, do extremo mais recente, embora guarde alguns elementos conservadores. Para eles, a cronologia que corria de trás para a frente decorre da falta de informação métrica na construção do modelo de idades e, possivelmente, de dois efeitos fortuitos: um trecho excessivamente suavizado da curva de calibração por volta de 4380 a.C. e o efeito de idade avançada na datação da própria cova 43. (Krauß et al. 2017; Higham et al. 2007)
Adornos, cobre e posição dos corpos
A seriação de Krauß et al. (2017) mostra uma mudança nos adornos. No início predominam conchas de spondylus, pedra e chifre; depois vem o cobre, e por fim o ouro. Joias de cobre só aparecem nas três primeiras fases; mais tarde o cobre se resume a alfinetes, sempre acompanhados de ouro. A posição dos mortos também muda. Na primeira fase, os corpos encolhidos de lado superam os estendidos de costas na proporção de dois para um; a partir da segunda fase, os estendidos passam a dominar, como em Durankulak, onde esse tipo de enterro é visto como herança da tradição mais antiga da cultura Hamangia. Os autores comparam ainda a sequência de suportes e potes de cerâmica com a de Durankulak e a da necrópole vizinha de Varna II. (Krauß et al. 2017)
Cabeças de barro, não máscaras
Na borda da necrópole, Krauß et al. (2017) identificam uma linha de túmulos simbólicos ricos e depósitos que marca o fim do uso do cemitério e uma fronteira entre vivos e mortos, talvez uma entrada. Nas covas 2, 3 e 15, a tomografia publicada por Slavchev e colegas em 2016 mostrou que os conjuntos antes lidos como “covas com máscaras” continham figuras de cerca de metade do tamanho natural com cabeças de barro, depositadas quebradas; há paralelo em Ezerovo-Arsenala. Para os autores, esses conjuntos foram depositados quando o cemitério deixou de ser usado, num ato que sacralizou o lugar. Como o próprio artigo indica direções diferentes para essa linha em passagens distintas, a orientação exata fica para conferência na obra. (Krauß et al. 2017)
Fontes
- Higham, T.; Slavchev, V.; Gaydarska, B.; Chapman, J. (2018). "AMS Dating of the Late Copper Age Varna Cemetery, Bulgaria". Radiocarbon 60: 493–516. DOI 10.1017/rdc.2018.9. Acessar
- Higham, T.; Chapman, J.; Slavchev, V.; Gaydarska, B. et al. (2007). "New perspectives on the Varna cemetery (Bulgaria) – AMS dates and social implications". Antiquity 81: 640–654. DOI 10.1017/s0003598x00095636. Acessar
- Krauß, R.; Schmid, C.; Kirschenheuter, D.; Abele, J.; Slavchev, V.; Weninger, B. (2017). "Chronology and development of the Chalcolithic necropolis of Varna I". Documenta Praehistorica 44: 282–305. DOI 10.4312/dp.44.17. Acessar
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