Atlas da História

Leite e rebanhos nos primeiros assentamentos agrícolas dos Bálcãs e da planície húngara, c. 6100–5700 a.C.: resíduos em cerâmica e restos de fauna

c. 6100–5700 cal a.C. (ano astronômico c. −6099 a −5699), intervalo em que Ethier et al. (2017) datam as sete coleções de cerâmica analisadas; o registro começa no meio desse intervalo (−5900), para ficar na célula: cinco das sete coleções vão de cerca de 6000 a 5600 a.C., e só as sérvias Blagotin e Grivac começam em 6200 · Europa Oriental, Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 2017, Ethier, Bánffy, Vuković, Leshtakov, Bacvarov, Roffet-Salque, Evershed e Ivanova analisaram a gordura preservada em 290 cacos de cerâmica de sete assentamentos agrícolas antigos da Bulgária, da Sérvia e da Hungria, de cerca de 6100 a 5700 a.C., e compararam o resultado com os ossos de animais dos sítios. Segundo eles, no sul dos Bálcãs predominava a gordura de carne de ruminantes e quase não havia leite, ao passo que ao norte, em clima mais frio, 60% das gorduras eram de leite, com mais gado bovino e caça. Os autores concluem que o leite foi decisivo para a expansão do sistema pecuário mediterrâneo além de sua zona climática original.

As sete coleções de cerâmica

Segundo Ethier e colegas (2017), foram analisados 290 cacos de sete conjuntos que formam os assentamentos agrícolas mais antigos de suas áreas: Yabalkovo e Nova Nadezhda (Bulgária), Blagotin, Divostin e Grivac (Sérvia) e Alsónyék e Ecsegfalva 23 (Hungria). Os cacos vieram de contextos estratigráficos sem perturbação, e 73% eram bordas. Do total, 22% (64 cacos) tinham lipídios identificáveis, quase todos de gordura animal (ácidos palmítico e esteárico), sem marcadores de plantas nem de recursos aquáticos. (Ethier et al. 2017)

Um tipo mediterrâneo e outro temperado

Os autores contrastam o sul dos Bálcãs com o norte e a planície húngara. No sul, mais de 70% das gorduras eram de carcaça de ruminantes, e em Nova Nadezhda 89%, sem gordura de leite; chamam isso de tipo "mediterrâneo", como nos sítios do Levante, da Anatólia, da Grécia e da Itália. No norte dos Bálcãs e na Hungria, 60% das gorduras (24 resíduos) eram de leite e quase nenhuma de não ruminantes (porcos, por exemplo), o que chamam de tipo "temperado". A diferença entre o sul e o norte é significativa (p = 0,002, teste exato de Fisher). (Ethier et al. 2017)

O que dizem os ossos

Os restos de animais de sítios do sul se parecem com os do litoral mediterrâneo, com mais ovelhas e cabras. Nos Bálcãs do norte, ovelhas e cabras diminuem, o gado bovino passa a ser o principal fornecedor de carne e cresce a caça de animais grandes, o que os autores leem como mudança para espécies de feição local. Estranham a quase ausência de porcos e ligam-na à possível mobilidade sazonal dos rebanhos, citando como indício o sítio de Blagotin, ocupado na estação fria, sem excluir outras causas. A literatura que citam associa a esses assentamentos do norte comunidades menores, maior mobilidade e arquitetura menos elaborada. (Ethier et al. 2017)

Por que o leite pode ter importado

Para Ethier e colegas (2017), a produção de leite rende até quatro vezes mais energia de alimento do que criar animais para carne, e pode ter compensado a menor produtividade do rebanho em invernos longos, com neve e pasto curto. Eles lembram que as populações de caçadores-coletores e dos primeiros agricultores quase não tinham o alelo da persistência da lactase, de modo que o leite fresco em grande quantidade seria difícil de digerir, e supõem que a maior parte era processada logo para reduzir a lactose e virar um alimento armazenável. É uma interpretação dos autores a partir de resíduos e ossos. (Ethier et al. 2017)

Fontes

  1. Ethier, Jonathan; Bánffy, Eszter; Vuković, Jasna; Leshtakov, Krassimir; Bacvarov, Krum; Roffet-Salque, Mélanie; Evershed, Richard P.; Ivanova, Maria (2017). "Earliest expansion of animal husbandry beyond the Mediterranean zone in the sixth millennium BC". Scientific Reports 7: 7146. DOI 10.1038/s41598-017-07427-x. Texto obtido via https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC5541088/fullTextXML em 30/10/2026. Acessar

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