Cultura Yamna (Iamnaia)
c. 3300–2600 a.C. (Wikidata) · Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Cultura de pastores da estepe pôntico-cáspia, conhecida por enterros sob kurgans. Haak et al. (2015) ligam a ela uma migração em massa rumo ao centro da Europa há cerca de 4.500 anos; no Volga-Ural, Faizullin (2023) encontra poucos enterros de mulheres e crianças e vê o kurgan como marca de status, embora mulheres pudessem ter funções produtivas e administrativas.
Metade caçadores do leste, metade do sul
Haak et al. (2015) analisaram genomas de 69 europeus que viveram entre 8 mil e 3 mil anos atrás, entre eles nove indivíduos Yamna de Samara, na estepe junto aos Urais, datados de c. 3300 a 2700 a.C. Os autores estimam que os Yamna se formaram pela mistura de duas populações em partes quase iguais: caçadores-coletores do Leste Europeu e um grupo aparentado a populações do Oriente Próximo. Os indivíduos da cultura da Cerâmica Cordada na Alemanha, de c. 2500 a.C., têm 73,1 ± 2,2% de ascendência ligada aos Yamna, cerca de três quartos. Para os autores, isso aponta para uma migração em massa da estepe há c. 4.500 anos e favorece a hipótese de que as línguas indo-europeias chegaram à Europa por esse caminho, mas eles advertem que os Yamna amostrados podem não ser ancestrais diretos da Cerâmica Cordada. (Haak et al. 2015)
Quem ia para os kurgans do Volga-Ural
Faizullin (2023) reuniu 398 sepultamentos Yamna do Volga-Ural. São 329 adultos e 69 crianças e adolescentes; dos 243 adultos com sexo determinado, 124 são homens e 50 são mulheres. Para o autor, o pequeno número de mulheres e crianças indica que o kurgan era reservado a quem tinha status herdado ou adquirido, e o inventário mostra que mulheres também podiam ocupar posições produtivas importantes: em Tamar-Utkul VII, kurgan 1, cova 1, uma mulher idosa foi enterrada com bigorna, pilão para minério e martelo com marcas de uso, ferramentas de metalurgia; em Pershin, um adolescente levava um molde de machado de alvado. O autor examina 24 sepultamentos duplos de adulto e criança. Quando a criança está de frente para o adulto, ele lê status herdado por nascimento; quando está aos pés, propõe, como hipótese, um possível sacrifício. (Файзуллин 2023)
Cavaleiros por volta de 3000 a.C.
Trautmann et al. (2023), equipe da Finlândia, Romênia, Bulgária, Polônia, Hungria e EUA, examinaram 217 esqueletos de 39 sítios da Romênia, Bulgária, Hungria e Tchéquia, cerca de 150 deles Yamna, em busca de seis marcas que o hábito de montar deixa nos ossos, da bacia e do fêmur à coluna. Cinco Yamna datados de 3021 a 2501 a.C., de Strejnicu, Malomirovo, Vetrino, Dévaványa e Balmazújváros, cumprem os critérios; outros nove são prováveis. Os autores os apresentam como os humanos mais antigos identificados até agora como cavaleiros, mas reconhecem que nenhum traço isolado é exclusivo da equitação e que faltam grupos de controle adequados. Para eles, sem montaria seria difícil explicar a expansão por 4.500 km, do rio Tisza ao Altai, sem estradas e com populações pequenas. (Trautmann et al. 2023)
O que os crânios dizem das migrações
Kazarnitsky (2025) compara nove medidas cranianas de mais de 80 populações por meio de distâncias de Mahalanobis. A análise reconfirma a forte semelhança entre os Yamna do Don e do Volga e os grupos Afanasievo do sul da Sibéria, sinal de parentesco direto. Já a Cerâmica Cordada ocidental se parece mais com as populações neolíticas anteriores da Europa central e do sudeste. A Cerâmica Cordada do Báltico e as séries Fatyanovo e Balanovo, do Volga, partilham traços com os Yamna, mas esses traços já existiam em grupos locais do Leste Europeu desde o Mesolítico; para o autor, isso indica um componente de substrato comum a florestas e estepe, mais que contato direto. Sua conclusão é que o impacto dos Yamna foi de grau diferente a leste e a oeste de seu território central, num debate em que os dados genéticos são numerosos, mas contraditórios. (Казарницкий 2025)
Fontes
- Haak, W.; Lazaridis, I.; Patterson, N.; Rohland, N. et al. (2015). "Massive migration from the steppe was a source for Indo-European languages in Europe". Nature 522: 207–211. DOI 10.1038/nature14317. Acessar
- Файзуллин, А. А. (2023). "Пол, возраст и статус в погребальных комплексах населения ямной культуры Волго-Уралья". Археология Евразийских степей (2): 11–24. DOI 10.24852/2587-6112.2023.2.11.24. Acessar
- Казарницкий, А. А. (2025). "О разных масштабах миграций носителей ямной культуры (по краниологическим данным)". Краткие сообщения Института археологии 278: 342–357. DOI 10.25681/iaras.0130-2620.278.342-357. Acessar
- Trautmann, M. et al. (2023). "First bioanthropological evidence for Yamnaya horsemanship". Science Advances 9(9): eade2451. DOI 10.1126/sciadv.ade2451. Acessar
Na mesma região
- Cerâmica Cordada na Boêmia (a partir de c. 3000–2900 a.C.): sepulturas individuais com posição do corpo segundo o gênero, ancestralidade da estepe e uma prática funerária que se espalha por vários focos a partir de c. 3018–2901 a.C. (datação do indivíduo mais antigo da Cordada na Boêmia, em Vliněves, segundo Papac et al. 2021); a prática se consolida na Europa por volta de 2600 a.C.
- Massacre de Koszyce (c. 2880–2776 a.C., sul da Polônia): quinze pessoas da cultura das Ânforas Globulares mortas a golpes na cabeça e sepultadas por parentes 2880–2776 a.C. (faixa de 16 datações por radiocarbono, segundo Schroeder et al. 2019); o massacre cai em algum ponto dessa janela
- Necrópole de Varna início entre 4596 e 4516 a.C.; fim entre 4427 e 4341 a.C. (radiocarbono; Higham et al. 2018)
- Szederkény-Kukorica-dűlő (Hungria): casas da Cerâmica Linear com cerâmica Vinča e Ražište (c. 5330–5190 a.C.) início em 5360–5305 cal a.C. e fim em 5210–5165 cal a.C. (95% de probabilidade, modelo 1), ou seja, do fim do séc. 54 ao início do séc. 52 a.C., segundo Jakucs e outros (2016); o registro usa os pontos médios (5332 e 5188 cal a.C.)
- Cultura da Cerâmica Linear (LBK): da fase formativa na Transdanúbia à dispersão pela Europa Central (c. 5540–4900 a.C.) início da fase formativa em 5610–5475 cal a.C. (95%, modelo 3 de Jakucs e outros 2016; ponto médio 5542); dispersão em meados do séc. 54 a.C.; fim c. 4900 cal a.C. (a LBK é datada por Meyer e outros 2018 em ca. 5600–4900 cal a.C.)
- Leite e rebanhos nos primeiros assentamentos agrícolas dos Bálcãs e da planície húngara, c. 6100–5700 a.C.: resíduos em cerâmica e restos de fauna c. 6100–5700 cal a.C. (ano astronômico c. −6099 a −5699), intervalo em que Ethier et al. (2017) datam as sete coleções de cerâmica analisadas; o registro começa no meio desse intervalo (−5900), para ficar na célula: cinco das sete coleções vão de cerca de 6000 a 5600 a.C., e só as sérvias Blagotin e Grivac começam em 6200