Ditadura no Chile (1973-1990) e as reformas econômicas: leituras
11 set. 1973 (golpe; Wikidata P585 de Q856670) a 10-11 mar. 1990 (fim do período coberto pela Comissão Rettig; Moulian: transmissão do comando em março de 1990) · Cone Sul
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Em 11 de setembro de 1973, um golpe militar derrubou o governo da Unidade Popular no Chile. O regime comandado por Augusto Pinochet durou até março de 1990. Em 1973, antes do golpe, um grupo ligado à Universidade Católica redigiu o programa de mercado conhecido como El Ladrillo; segundo Sergio de Castro, um dos autores, a Junta passou depois a ter o documento e a considerá-lo para aplicação. A Comissão Rettig reconheceu 2.279 mortos e desaparecidos, entre vítimas de violações de direitos humanos e da violência política (categoria que inclui agentes do Estado); a tortura e a prisão política sem morte ficaram fora da contagem.
O período e as vítimas registradas
Segundo Soto, Colorado, Errázuriz e Landaeta, a Comissão Nacional de Verdade e Reconciliação (Comissão Rettig) identificou 2.279 vítimas entre 11 de setembro de 1973 e 10 de março de 1990, das quais 164 correspondiam a vítimas de violência política e 2.115 a vítimas de violações de direitos humanos. Segundo Moulian, a ditadura estendeu-se de 1973 a março de 1990, quando houve a transmissão do comando; ele a divide em uma etapa entre 1973 e 1980 e outra entre o plebiscito constitucional de setembro de 1980 e o fim do governo de Pinochet. A Anistia Internacional registra que, no governo militar, de setembro de 1973 a março de 1990, o uso da tortura pelas forças de segurança era uma de suas principais preocupações. (Soto et al. 2008; Moulian; Amnistía Internacional 1991)
Origem do programa econômico: El Ladrillo
Sergio de Castro relata que em 1956 a Universidade Católica e a Universidade de Chicago firmaram um convênio de bolsas de pós-graduação em economia, e que em 1969 um grupo de economistas elaborou um programa para o candidato Jorge Alessandri, com abertura da economia, liberação de preços, reforma tributária, mercado de capitais e novo sistema previdenciário. Em 1973, um grupo ampliado se reuniu semanalmente a partir de março para redigir o Programa de Desenvolvimento Econômico, conhecido como El Ladrillo. Em 11 de setembro de 1973, segundo ele, os rascunhos de alguns capítulos ficaram na máquina de escrever, e a Junta de Governo veio a ter o documento e a considerá-lo para aplicação. (Castro 1992)
Indicadores e reformas segundo Moulian
Moulian reúne dados de inflação e emprego. A inflação foi de 325,9% em 1974, 340,7% em 1975, 174% em 1976 e 63,5% em 1977, e a média anual de 1974 a 1989 foi de 57,3%. A desocupação, com média de 15% entre 1975 e 1979, passou de 20% em 1983-1984, anos da crise que encerrou o "milagre chileno". O crescimento médio do PIB entre 1973 e 1989 foi de 3,5%, igual ao de 1961-1970, e subiu a 6,4% entre 1985 e 1989. Ele cita ainda a reforma previdenciária de novembro de 1980, que privatizou a seguridade social, e a flexibilização do uso da força de trabalho. (Moulian)
Fontes
- Soto, A.; Colorado, I.; Errázuriz, J.; Landaeta, R. (2008). "Transición a la democracia en Chile y derechos humanos: una revisión del Informe Rettig". Historia del Presente 12: 75-96. ISSN 1579-8135. https://revistas.uned.es/index.php/HDP/article/download/40967/29450/117895 (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Moulian, T. (1997; ed. consultada: 2002). Chile actual: anatomía de un mito. Santiago: LOM. Texto digitalizado em archive.org/details/chile-actual.-anatomia-de-un-mito.-tomas-moulian-2002 (consultado em 07/10/2026).
- Castro, S. de (1992). "Prólogo" (Santiago, maio de 1992). In: El Ladrillo: bases de la política económica del gobierno militar chileno. Santiago, 1992. Texto digitalizado em archive.org/details/ElLadrilloBasesDeLaPoliticaEconomicaDelGobiernoMilitarChileno (consultado em 07/10/2026).
- Amnistía Internacional (1991). Chile: torturas desde marzo de 1990. Índice AI: AMR 22/03/91/s, setembro de 1991. https://www.amnesty.org/fr/wp-content/uploads/sites/4/2021/06/amr220031991es.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
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