Ocupação da Araucanía
1861/62–1883 · Cone Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Série de campanhas e acordos com que o Estado chileno incorporou, entre 1861 e 1883, o território mapuche da Araucanía. Flores Chávez (2013) descreve uma economia pecuária mapuche próspera antes da ocupação e a prostração depois dela, com a perda da prataria; a partir de 1883, escolas monoculturais buscaram integrar os mapuche ao Estado-nação.
Linhas militares do Traiguén aos Andes
Flores Chávez (2013) marca as etapas do avanço do Estado chileno ao sul do Biobío: a refundação de Angol em 1862 e a criação de linhas militares no rio Traiguén (1878), no rio Cautín (1881) e na cordilheira dos Andes (1883), data que o autor associa à derrota militar mapuche. Em paralelo, chegavam colonos chilenos e estrangeiros, e as terras abertas para cultivo cresceram depressa. Antes disso, a pecuária mapuche era a atividade que estruturava a economia da Araucanía; depois, a agricultura, sobretudo de cereais, e a exploração florestal tomaram seu lugar. (Flores Chávez 2013)
O gado que sumiu e as rações de 1883
Um relatório de 1882 do comandante do Exército do Sul, Gregorio Urrutia, citado por Flores Chávez, registra que o gado existente na Araucanía caíra de cerca de 230 mil para 65 mil cabeças entre 1860 e 1882, com perdas de 80% dos bovinos, 53,4% dos cavalos e 71,4% das ovelhas; segundo Flores Chávez, em 1882 a maior parte do gado já estava em mãos dos novos habitantes. Em 1883, a Intendência do Exército recebeu ordem de distribuir rações a quem não conseguisse se alimentar, e nos meses de novembro e dezembro foram atendidas 12.606 pessoas indígenas. Famílias da cordilheira chegaram a pedir socorro no forte de Curacautín depois que acabaram os frutos silvestres de que viviam. (Flores Chávez 2013)
Prata como saque, penhor e peça de coleção
A prataria mapuche era feita por ourives especializados, os retrafe, e suas peças, como o trarilonko e o trapelakucha, tinham sentido ritual além do valor material. A lei monetária de 1851 multiplicou as moedas de prata em circulação, matéria-prima dos ourives. Com a ocupação, Flores Chávez (2013) mostra a prata saindo das mãos mapuche por várias vias: saque de guerra, roubo por bandidos, violação de sepulturas, que mudou as práticas de enterramento, e penhor ou venda a comerciantes, colecionadores e museus em tempos de fome. A perda acompanhou a transformação forçada dos mapuche em camponeses pobres. (Flores Chávez 2013)
Títulos de merced e escolas só em castelhano
Mansilla Sepúlveda et al. (2016) ligam a escola à radicação: entre 1884 e 1929, os títulos de merced confinaram as comunidades em cerca de 500 mil hectares, segundo Bengoa. Os primeiros liceus fiscais da região abriram em Angol e Temuco em 1888, e as missões mantinham escolas como o Colégio de Naturais de Chillán. A escola era monocultural e ensinava só em castelhano, o que barrava o mapuzugun; no início, os alunos mapuche eram poucos, em geral filhos de caciques. Para os autores, por volta do centenário de 1910 a escola já estava legitimada como via de integração ao Estado nacional. (Mansilla Sepúlveda et al. 2016)
Malon e awkan: a ocupação contada em Trafún
Sanhueza Rodríguez et al. (2019) ouviram lonkos e anciãos da comunidade de Trafún Chico, em Panguipulli. Na memória local, a ocupação aparece como malon, invasão, e a resistência como awkan, guerra ou levante, palavras registradas no dicionário de Félix de Augusta. Os entrevistados lembram a usurpação de terras, a ajuda vinda do Puelmapu, do outro lado dos Andes, a machi Raichipae, lembrada como guerreira, e dois combates, em Choshuenco e em Trafún. Os autores notam que o currículo escolar chileno trocou "pacificação" por "ocupação", na linha da crítica de Portales ao mito da pacificação, mas que os livros didáticos ainda mostram os mapuche como invisíveis, rebeldes ou violentos. (Sanhueza Rodríguez et al. 2019)
Fontes
- Flores Chávez, J. (2013). "La ocupación de la Araucanía y la pérdida de la platería en manos mapuches. Finales del siglo XIX y primeras décadas del XX". Revista de Indias 73(259): 825–854. DOI 10.3989/revindias.2013.27. Acessar
- Mansilla Sepúlveda, J.; Llancavil Llancavil, D.; Mieres Chacaltana, M.; Montanares Vargas, E. (2016). "Instalación de la escuela monocultural en la Araucanía, 1883-1910: dispositivos de poder y Sociedad Mapuche". Educação e Pesquisa 42(1): 213–228. DOI 10.1590/s1517-9702201603140562. Acessar
- Sanhueza Rodríguez, A. A.; Pagès Blanch, J.; González-Monfort, N. (2019). "Enseñar historia y ciencias sociales para la justicia social del Pueblo Mapuche: la memoria social sobre el malon y el awkan en tiempos de la Ocupación de la Araucanía". Perspectiva Educacional 58(2): 3–22. DOI 10.4151/07189729-vol.58-iss.2-art.909. Acessar
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