Guerra do Contestado (1912–1916)
1912–1916 (Taborda 2023; Pires e Wiik 2025) · Cone Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Entre 1912 e 1916, no planalto entre Paraná e Santa Catarina, camponeses caboclos seguidores do monge José Maria e de outras lideranças resistiram à expulsão de suas terras ligada à ferrovia, à madeireira Lumber e a coronéis. A região era território kaingang e xokleng. Segundo estimativas citadas por Taborda, a guerra deixou de 8 a 10 mil mortos (algumas chegam a 30 mil).
Terra, ferrovia e Lumber
Taborda (2023) situa a guerra no planalto meridional, entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde viviam sobretudo posseiros caboclos, descendentes de indígenas, brancos e negros, em áreas de araucárias e ervais. A concessão ao grupo Brazil Railway Company e à subsidiária Southern Brazil Lumber & Colonization, a Lumber, dava à empresa grandes extensões de terra e uma milícia que, segundo a autora, expulsava os posseiros. Taborda soma a isso a disputa de limites entre Paraná e Santa Catarina e o projeto estatal de atrair imigrantes europeus. (Taborda 2023)
Monge José Maria e as cidades santas
Silva (2010) conta que o monge José Maria reuniu em Taquaruçu, em torno de festas religiosas, posseiros expulsos pela Lumber e por coronéis. Perseguido por uma tropa catarinense, foi com cerca de 40 homens ao Irani, então sob administração paranaense, onde em 22 de outubro de 1912 ocorreu o combate em que ele morreu. A esperança de seu retorno gerou comunidades chamadas cidades santas e a liderança de "virgens" videntes: Teodora, menina de onze anos, e Maria Rosa, adolescente, que dividiu com Elias de Moraes a liderança do reduto de Caraguatá e foi vista como santa pelos sertanejos. Para Silva, o movimento manteve o caráter messiânico até o fim. (Silva 2010)
Povos indígenas e o fim da guerra
Pires e Wiik (2025) lembram que o Contestado ocorreu em território de ocupação tradicional kaingang e xokleng, espoliado desde o período colonial, e que a presença desses povos foi considerada irrelevante pela historiografia e quase ausente nos acervos de museus regionais. Machado (Florentino 2016) conta que, entre dezembro de 1915 e janeiro de 1916, cerca de 4.000 pessoas se apresentaram em Canoinhas e cerca de 6.000 em Curitibanos, dizendo ter sido levadas à força aos redutos. Para ele, essa fala marcou a memória dos sobreviventes e demonizou lideranças como Adeodato e Maria Rosa. (Pires e Wiik 2025; Florentino 2016)
Fontes
- Taborda, L. do R. (2023). "Biopoder e racismo na Guerra do Contestado: a periculosidade social imputada às populações caboclas". Profanações 10: 644–678. DOI 10.24302/prof.v10.4989. Acessar
- Pires, G. T.; Wiik, F. B. (2025). "Invisibilização indígena no conflito e região do Contestado e suas representações museológicas". Cordis: Revista Eletrônica de História Social da Cidade 36: e72651. DOI 10.23925/2176-4174.36.2025e72651. Acessar
- Silva, N. F. da (2010). "As “Virgens Messiânicas”: participação e influência das “Virgens” Teodora e Maria Rosa no Contestado (1912-1916)". Santa Catarina em História 1(1). https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/sceh/article/view/331 (consultado em 08/10/2026). Acessar
- Florentino, L. F. (2016). "Entrevista com o Prof. Paulo Pinheiro Machado". História: Questões & Debates 64(1). DOI 10.5380/his.v64i1.45489. Acessar
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