Cobre do Arabá (Faynan e Timna): o debate sobre a organização política do deserto no Ferro I-IIA e a origem de Edom
c. 950-850 a.C. (Ferro IIA, 'atividade plena', da segunda metade do séc. X até o fim do séc. IX a.C., segundo Finkelstein 2020; a produção começou antes, no Ferro I) · Mesopotâmia e Levante, Península Arábica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Os centros de cobre de Faynan (Jordânia) e Timna (Israel) tiveram seu auge no Ferro I-IIA. Segundo Erez Ben-Yosef, como resumido por Israel Finkelstein (2020), eles mostram um reino nômade de Edom, sem arquitetura monumental, e a arqueologia bíblica teria um viés a favor de sociedades que deixam construções de pedra. Finkelstein aceita uma entidade política do deserto, mas a liga a Tel Masos e à demanda do Egito, nega que fosse Edom e diz que o reino de Edom surgiu no fim do século IX a.C. nas terras altas.
A tese de Ben-Yosef segundo Finkelstein
Finkelstein (2020) resume a tese de Ben-Yosef: Edom teria surgido no Ferro I no vale do Arabá como um reino de base nômade, sem restos além dos centros de cobre de Timna (sul de Israel) e do Wadi Faynan (Jordânia), e a arqueologia bíblica e a interpretação histórica do Levante seriam enviesadas, porque só reconheceriam Estado onde há centros urbanos. Finkelstein elogia o trabalho de Ben-Yosef em Timna e de Thomas Levy em Faynan como alguns dos mais importantes projetos de campo recentes, mas diz que muitas das premissas foram propostas décadas antes (Rowton, ele próprio, Knauf, Fantalkin) e que a teoria tem falhas sérias. (Finkelstein 2020)
Khirbet en-Nahas: fortaleza do séc. X ou do VIII?
Segundo Finkelstein (2020), Ben-Yosef afirma que a datação da fortaleza de pedra de Khirbet en-Nahas ao século X a.C. foi rejeitada por estudiosos que não aceitam que nômades erguessem muralhas de pedra. Finkelstein responde que há quatro razões para recusar o século X a.C.: uma amostra de carvão sob o portão e duas ligadas à construção deram datas do século IX; o plano lembra fortalezas do período assírio, como Tell el-Kheleifeh; grande parte da cerâmica é do Ferro IIB-C; e seria ilógico construir uma fortaleza no meio de um centro industrial em atividade. Para ele, o forte é provavelmente do fim do século VIII a.C. e não tem relação com o polo do cobre. (Finkelstein 2020)
Tel Masos, a 'comunidade de portal'
Finkelstein (2020) defende que Tel Masos, no vale de Berseba, funcionou como 'comunidade de portal' do cobre do Arabá: sua atividade no Ferro I e no Ferro IIA coincide com o auge da produção; as escavações mostraram indícios de fundição e um número grande de objetos de cobre e bronze; e ela fica no limite norte das zonas áridas, nos poços, na rota mais cômoda até a costa. No Ferro IIA inicial teria sido o maior povoado da região. Ben-Yosef, segundo Finkelstein, nega essa ligação, que seria só fruto das grandes estruturas de pedra do sítio. (Finkelstein 2020)
Egito, Damasco e o fim do polo do cobre
Na reconstrução de Finkelstein (2020), a segunda fase do cobre do Arabá, a de plena atividade, começa na segunda metade do século X a.C. e vai até o fim do século IX. Nela, a campanha de Shoshenq I e a presença egípcia no sul teriam intensificado a produção (ver o registro da campanha). A volta da produção de cobre em Chipre, segundo ele, reduziu o papel do Arabá. No fim do século IX, a Damasco de Hazael teria interesse em reprimir o cobre do Arabá, a destruição de Gate contribuiria para isso e os mineiros voltariam à vida pastoril; a produção, pelas datas de radiocarbono, teria cessado no fim do século IX. Edom aparece em fontes externas por volta de 800 a.C. (Adad-nirari III). (Finkelstein 2020)
Fontes
- Finkelstein, I. (2020). The Arabah Copper Polity and the Rise of Iron Age Edom: A Bias in Biblical Archaeology? Antiguo Oriente, vol. 18, pp. 11-32. Texto lido no Repositorio Institucional da UCA: https://repositorio.uca.edu.ar/bitstream/123456789/11726/1/arabah-copper-polity.pdf, consultado em out. 2026. Acessar
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