A visita da rainha de Sabá a Salomão: 1 Reis 10, Alcorão 27 e o que se sabe da Saba arábica
séc. X a.C. como tempo narrado (reinado de Salomão), sem datação independente; a data de composição de 1 Reis e do Alcorão não foi lida · Mesopotâmia e Levante, Península Arábica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo 1 Reis 10, a rainha de Sabá foi a Jerusalém com camelos carregados de especiarias, ouro e pedras preciosas para testar Salomão com perguntas difíceis, e voltou a sua terra. Na sura 27 do Alcorão, a mesma visita é narrada em árabe, com a rainha consultando seus conselheiros e dizendo que reis, ao entrarem numa cidade, a arruínam. Os estudos lidos situam o reino de Saba no sul da Arábia, com destaque nos séculos VIII e VII a.C.; não há fonte lida que confirme a visita.
O que diz 1 Reis 10
A rainha de Sabá ouviu falar da fama de Salomão e foi pôr à prova com perguntas difíceis. Chegou a Jerusalém com séquito grande, camelos com especiarias, muito ouro e pedras preciosas, e perguntou-lhe tudo o que tinha em mente. Segundo o texto, Salomão respondeu a todas. Diante do palácio, da mesa, dos servos e dos holocaustos, ela se viu 'sem fôlego' e disse que a sabedoria e a riqueza dele superavam o que lhe haviam contado. O presente foi de 120 talentos de ouro, muitas especiarias e pedras; Salomão lhe deu tudo o que ela pediu, e ela voltou com os seus. (Bíblia Hebraica (Tanakh))
A versão da sura 27
Na sura 27 (versículos 22-44), a poupa (ave) diz a Salomão que veio 'de Saba'' com notícia segura: encontrou uma mulher que reina e tem um grande trono, com seu povo adorando o sol. Salomão manda uma carta. A rainha reúne os nobres e pede conselho; diante da oferta de força militar, responde que os reis arruínam as cidades em que entram, e envia um presente. Salomão o recusa. O trono dela é trazido a Salomão antes de ela chegar; ao ver o piso de vidro que tomou por água, ela confessa ter-se feito mal a si mesma e se submete com Salomão a Deus. O trecho é narrativa religiosa e não crônica. (Alcorão)
Saba segundo a pesquisa
Schiettecatte (2016) descreve os sabeus como um povo das terras baixas centrais do Iêmen, de uma confederação de grupos chamada Saba' que virou reino no começo do primeiro milênio a.C.; o idioma é o sabaico e o deus protetor, Almaqah. Os principais centros eram Marib (com uma barragem de 600 m e o templo de Awwam), Sirwah, Nashq e Sana. O autor cita registros assírios e dois versículos bíblicos (Jr 6:20 e Is 60:6) para o comércio de incenso e mirra, e diz que o Alcorão identifica a rainha da sura 27 com a de Saba' pelo paralelo com o Antigo Testamento. Pelo que se leu, o destaque sabeu e esse comércio são posteriores a Salomão. (Schiettecatte 2016)
Comércio árabe: o que se sabe e o que falta
Finkelstein (2020) sugere que as terras altas de Edom prosperaram por participação no comércio árabe 'sob domínio primeiro israelita (?) e depois assírio', que substituiu o cobre do Arabá, e liga o surgimento do reino de Edom ao fim do século IX a.C. Isso não exclui contatos anteriores com a Arábia, mas as fontes lidas não trazem inscrição ou vestígio do século X a.C. que mostre uma rota de incenso até Jerusalém. As fontes lidas não permitem decidir se a história guarda memória de contatos anteriores ou foi composta depois. (Finkelstein 2020; Schiettecatte 2016)
Fontes
- Bíblia Hebraica (Tanakh), na tradução inglesa The JPS Tanakh: Gender-Sensitive Edition (Jewish Publication Society), lida pela API de textos da Sefaria (https://www.sefaria.org/I_Kings.10), consultada em out. 2026. Acessar
- Alcorão, sura 27 (An-Naml), versículos 22-44. Texto árabe (edição uthmani, texto Tanzil) e tradução inglesa Saheeh International, lidos pela API aberta do Al Quran Cloud (https://api.alquran.cloud/v1/surah/27/editions/quran-uthmani,en.sahih), consultada em out. 2026. Acessar
- Schiettecatte, J. (2016). Sabeans. In: Bagnall, R. S. et al. (eds.), The Encyclopedia of Ancient History. John Wiley & Sons. Cópia de autor no HAL, https://shs.hal.science/halshs-01387578v1/file/2016%20Schiettecatte%20EAH%20Sabeans_final.pdf, consultada em out. 2026. A página cita o DOI 10.1002/9781444338386.wbeah30170 (não verificado). Acessar
- Finkelstein, I. (2020). The Arabah Copper Polity and the Rise of Iron Age Edom: A Bias in Biblical Archaeology? Antiguo Oriente, vol. 18, pp. 11-32. Texto lido no Repositorio Institucional da UCA: https://repositorio.uca.edu.ar/bitstream/123456789/11726/1/arabah-copper-polity.pdf, consultado em out. 2026. Acessar
Na mesma região
- Calendário de Gezer: o ano agrícola de doze meses numa tabuleta de calcário (séc. X a.C.) séc. X a.C. (escrita provavelmente entre a reconstrução de Gezer por Salomão e a destruição por Shishak, c. 925 a.C., segundo a página BiblicalHebrew.com, que cita Aḥituv 2008; achada em 1908 numa escavação antiga cujos métodos, segundo o COJS, limitam a reinterpretação)
- Cobre do Arabá (Faynan e Timna): o debate sobre a organização política do deserto no Ferro I-IIA e a origem de Edom c. 950-850 a.C. (Ferro IIA, 'atividade plena', da segunda metade do séc. X até o fim do séc. IX a.C., segundo Finkelstein 2020; a produção começou antes, no Ferro I)
- Tiro sob Hiram I: aterros, templos e relações com Salomão, segundo os anais de Tiro citados por Josefo e segundo 1 Reis séc. X a.C. (sem data absoluta nas fontes lidas: Josefo/Menandro dão ao rei 34 anos de reinado e põem o Templo de Jerusalém no 12º ano dele)
- Yehimilk, rei de Biblos c. 950-920 a.C. (DEAPS, paleografia da inscrição; Albright dá c. 950 e Moscati c. 920); nascimento e morte não constam nas fontes lidas
- Camelo doméstico como animal de carga no Arabah: os primeiros registros no sul do Levante (último terço do séc. X a.C.) não antes do último terço do séc. X a.C. (c. 933 a.C. em diante, calculado pelo atlas), segundo a equipe do Projeto do Vale Central de Timna
- Recuperação assíria nas inscrições de Aššur-dān II (934-912 a.C.): campanhas contra arameus, retorno dos desalojados e arados 934-912 a.C. (reinado de Aššur-dān II, segundo a lista do RIAo, edição digital de RIMA 2)