Evento de Tunguska
30 jun. 1908 · Sibéria e Norte da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 30 de junho de 1908, explosões e fogo vindos do céu perto do rio Podkamennaia Tunguska, na Sibéria, derrubaram uma área de floresta maior que Londres. A causa incerta motivou muitas expedições científicas; no fim da era soviética, expedições voluntárias fizeram do lugar um espaço autônomo de pesquisa e de sensibilidade ecológica.
O que os evenques contaram
Ol'khovatov (2023) reúne os testemunhos de evenques, moradores da região, recolhidos nos anos 1920 e 1930. Cartas citadas por Leonid Kulik em 1927 diziam que as renas do evenque Ivan Ilyich Ilyushenok tinham morrido e que a floresta fora arrancada entre os rios Podkamennaia e Nizhniaia Tunguska; outra carta, de 1924, contava que algo voou do céu, quebrou a mata e causou fogo, e que a área passou a ser vista como amaldiçoada. Um evenque relatou que sua tenda foi derrubada, que ficou surdo e doente por muito tempo e que as renas fugiram, e a trilha que passava por ali foi abandonada. (arXiv)
Testemunhos de suglans e de etnógrafos
Em 1924, o geólogo S. V. Obruchev ouviu dos evenques que não tinha caído nenhum meteorito, mas eles aceitaram mostrar a floresta derrubada. Em 1926, I. M. Suslov, do comitê de Krasnoyarsk de assistência aos povos do Norte, recolheu relatos numa assembleia evenque, o suglan; entre eles está o de Akulina, que estava numa tenda na confluência de dois rios: foi empurrada e atirada ao chão, viu uma luz forte, sentiu o vento, o musgo queimou, a cobertura da tenda foi levada e ela perdeu os sentidos (Ol'khovatov 2023, pré-publicação sem revisão por pares). Ol'khovatov (2020) observa que muitos relatos só foram colhidos mais de 50 anos depois, de segunda mão, e destaca os de primeira mão reunidos pelo etnógrafo Sev'yan Vainshtein em 1948, em Sulomai. (arXiv; Ol'khovatov 2020)
Do falso meteorito de Kansk à área de Kulik
Em 1908, jornais noticiaram por engano a queda de um meteorito perto de Kansk. A área de floresta derrubada hoje leva o nome de Leonid Kulik, e o epicentro é situado por volta de 60°53′N e 101°54′E (Ol'khovatov 2023). Segundo Ol'khovatov, Anfinogenov e Budaeva (1998) consideraram precisas várias observações dos evenques, confirmadas por fotografias aéreas de 1949 e por trabalho de campo. Bruno (2022) trata o evento como um enigma da história ambiental: a causa incerta alimentou especulações, inclusive extraterrestres, e motivou expedições sucessivas, e o autor se interessa pelo modo como a paisagem atingida foi tratada. (arXiv; Bruno 2022)
Fontes
- Bruno, A. (2022). Tunguska: A Siberian Mystery and Its Environmental Legacy. Cambridge University Press. DOI 10.1017/9781108887847; ISBN 9781108840910. Acessar
- Vasilyev, N. V. (1998). "The Tunguska Meteorite problem today". Planetary and Space Science 46: 129–150. DOI 10.1016/s0032-0633(97)00145-1. Acessar
- Ol'khovatov, A. (2020). "New data on accounts of the 1908 Tunguska event". Terra Nova 32(3): 234–237. DOI 10.1111/ter.12453. Acessar
- arXiv, "Ol'khovatov, A. The Evenki accounts of the 1908 Tunguska event collected in 1920s-1930s (pré-publicação 2402.10900)". https://arxiv.org/abs/2402.10900 (consultado em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Akademgorodok de Novosibirsk desde 1957
- Canato da Sibéria (Sibir) séc. XV–1598 (Wikidata: 1490–1598)
- Canato Quirguiz (quirguizes do Ienissei) 693–1207 (Wikidata); séc. VI–XIII (Kradin 2016)
- Kurgans de Pazyryk séc. IV–III a.C. (Linduff e Rubinson 2021); Pazyryk 2 c. 300 a.C. (Hajdas et al. 2004)
- Sepultamento da mulher de Ak-Alakha-3 (planalto de Ukok) cultura Pazyryk, c. séc. V–III a.C. (Wikidata); achado em 1993
- Ourivesaria de ouro do túmulo principesco de Arzhan 2 (Tuva, sul da Sibéria), em estilo animal cita-siberiano, de fins do séc. VII a.C. Fins do séc. VII a.C. (Armbruster e Meyer 2024: "late 7th to early 6th centuries BCE"). Chugunov (2011) data o complexo na segunda metade do séc. VII a.C., com a maior parte do material no último quarto do século, ou seja, c. 625–600 a.C.; em ano astronômico, c. −624 a −599. O ano −612 é o meio dessa faixa, usado só como marca no tempo