Kurgans de Pazyryk
séc. IV–III a.C. (Linduff e Rubinson 2021); Pazyryk 2 c. 300 a.C. (Hajdas et al. 2004) · Sibéria e Norte da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Túmulos da Idade do Ferro nos montes Altai, com câmaras de madeira sob grandes montes de pedras, onde se conservaram corpos tatuados, cavalos sacrificados, entalhes em madeira e tecidos coloridos. São do povo pazyryk, cavaleiros semissedentários dos séculos IV e III a.C. com contatos na Mongólia e na China; o radiocarbono em anéis de troncos situa o kurgan Pazyryk 2 em c. 300 a.C.
De Radlov a Rudenko: um século de escavações
O nome cultura Pazyryk designa os habitantes do Altai na época que a literatura russa chama de cita; Shustova (2022) a situa entre os séculos VI e II a.C., faixa mais larga que a de Linduff e Rubinson (2021), que falam em séculos IV e III a.C. Seu núcleo é o Altai montanhoso, com área de influência em Tuva, na Mongólia, na China e no Cazaquistão. O estudo começou em 1865, com V. V. Radlov, em Katanda e no alto Bukhtarma. Em 1929, S. I. Rudenko e M. P. Gryaznov abriram os kurgans ditos reais do vale de Pazyryk, no distrito de Ulagan, cujo acervo está no Hermitage. Segundo Shustova, mais de 600 kurgans pazyryk já foram estudados no Altai montanhoso, 12 deles reais. (Shustova 2022; Linduff e Rubinson 2021)
O gelo que conservou couro, feltro e corpos
Sob os montes de pedras formou-se um gelo permanente que conservou couro, feltro, tecidos, madeira e chifre, materiais que raramente sobrevivem. Os túmulos que escaparam ao saque guardaram o inventário completo, e as múmias mostram que os pazyryk dominavam técnicas de embalsamamento (Shustova 2022). Linduff e Rubinson (2021) reúnem escavações recentes na Rússia, no Cazaquistão, na Mongólia e na China e usam dados de paisagem, clima e DNA para descrever um grupo semissedentário e interdependente. Shustova adverte que o aquecimento e o degelo do permafrost ameaçam os túmulos ainda congelados. (Shustova 2022; Linduff e Rubinson 2021)
Datar troncos anel por anel
O radiocarbono tem pouca precisão para esse período, porque a curva de calibração forma um platô por volta de 2.500 anos de radiocarbono. Hajdas et al. (2004) contornaram o problema com o ajuste de sequências de datas de anéis de árvores (wiggle matching) feitas nos troncos das câmaras. O método situou o kurgan Pazyryk 2 em c. 300 a.C. e o kurgan Ulandryk 4 em c. 311 a.C. Os autores lembram que as culturas de tipo cita da Eurásia se estendem, em termos gerais, de 800 a 200 a.C., e o resultado põe os dois túmulos no fim desse intervalo, com cerca de uma década de diferença. (Hajdas et al. 2004)
Cerâmica pazyryk no Altai mongol
Dunburee (2024), do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Mongólia, estudou 68 peças de cerâmica de 50 túmulos em 21 conjuntos funerários da província de Bayan-Ölgii. Ele reconhece só jarros, vasos e potes, em três tipos e cinco subtipos, e não as mais de dez formas citadas na literatura. A cerâmica é mais grosseira que a dos xiongnu, mas tem decoração mais variada, com três formas e nove tipos de motivos. O autor distingue peças feitas para o funeral e de uso doméstico e conclui que eram produzidas e distribuídas localmente por artesãos da própria região, com influências de vizinhos e de áreas distantes. (Dunburee 2024)
Fontes
- Linduff, K. M.; Rubinson, K. S. (2021). Pazyryk Culture Up in the Altai. Routledge. DOI 10.4324/9780429456374; ISBN 9780429456374. Acessar
- Hajdas, I.; Bonani, G.; Slusarenko, I. Y.; Seifert, M. (2004). "Chronology of Pazyryk 2 and Ulandryk 4 Kurgans Based on High Resolution Radiocarbon Dating and Dendrochronology: A Step Towards More Precise Dating of Scythian Burials". In: Scott, E. M.; Alekseev, A. Yu.; Zaitseva, G. (orgs.). Impact of the Environment on Human Migration in Eurasia. Kluwer Academic Publishers, pp. 107–116. DOI 10.1007/1-4020-2656-0_9; ISBN 1402026552. Acessar
- Rudenko, S. I. (1970). Frozen Tombs of Siberia: The Pazyryk Burials of Iron Age Horsemen. University of California Press. ISBN 9780520013957.
- Shustova, A. M. (2022). "Pazyryk Culture on the Ukok Plateau". Oriental Courier n. 1: 141. DOI 10.18254/s268684310021416-5. Acessar
- Dunburee, B. (2024). "Ceramics in Pazyryk tombs of the Mongolian Altai: Classification, Terminology and Patterns". Studia Archaeologica 44(1): 68–83. DOI 10.5564/sa.v44i1.3518. Acessar
Na mesma região
- Sepultamento da mulher de Ak-Alakha-3 (planalto de Ukok) cultura Pazyryk, c. séc. V–III a.C. (Wikidata); achado em 1993
- Ourivesaria de ouro do túmulo principesco de Arzhan 2 (Tuva, sul da Sibéria), em estilo animal cita-siberiano, de fins do séc. VII a.C. Fins do séc. VII a.C. (Armbruster e Meyer 2024: "late 7th to early 6th centuries BCE"). Chugunov (2011) data o complexo na segunda metade do séc. VII a.C., com a maior parte do material no último quarto do século, ou seja, c. 625–600 a.C.; em ano astronômico, c. −624 a −599. O ano −612 é o meio dessa faixa, usado só como marca no tempo
- Complexo funerário de Arzhan 2 (Tuva, sul da Sibéria), kurgan de 75 m de diâmetro da segunda metade do séc. VII a.C. (data em debate) segunda metade do séc. VII a.C., segundo K. V. Chugunov; E. V. Perevodchikova considera a data não definitiva
- Kurgan Arzhan 1 (Tuva, sul da Sibéria): grande túmulo da época cita na virada dos sécs. IX–VIII a.C. virada dos sécs. IX–VIII a.C. (c. 800 a.C.), segundo Zaitseva et al. (2007), como citados por Sadykov et al. (2020); Marsadolov (2009) diz séc. VIII a.C.
- Canato Quirguiz (quirguizes do Ienissei) 693–1207 (Wikidata); séc. VI–XIII (Kradin 2016)
- Canato da Sibéria (Sibir) séc. XV–1598 (Wikidata: 1490–1598)