Atlas da História

Sepultamento da mulher de Ak-Alakha-3 (planalto de Ukok)

cultura Pazyryk, c. séc. V–III a.C. (Wikidata); achado em 1993 · Sibéria e Norte da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sepultamento isolado de uma mulher pazyryk de alto status, achado em 1993 por N. V. Polosmak num kurgan congelado do planalto de Ukok, no Altai, com câmara de troncos de lariço, seis cavalos e uma rara camisa de seda. Ressonâncias magnéticas acharam metástases de tumor da mama direita, traumas e artrite; os autores ligam o quadro a um status de 'escolhida pelos espíritos', talvez sacerdotisa.

O planalto de Ukok, entre quatro fronteiras

O planalto de Ukok fica no sudeste do Altai, entre 2.200 e 2.600 m de altitude, perto das fronteiras da Rússia com a China, a Mongólia e o Cazaquistão, e integra o bem da UNESCO Altai, Montanhas Douradas, além de ter sido declarado zona de paz. É cortado pelo rio Ak-Alakha. Equipes de Novosibirsk, chefiadas por Molodin e N. V. Polosmak, trabalharam ali a partir de 1991. Segundo Shustova (2022), o monte tinha a cobertura de pedras danificada e um sepultamento intrusivo posterior, saqueado ainda na Antiguidade; foi essa intrusão que desviou os saqueadores e preservou a câmara principal, com quase 3 m de profundidade. (Shustova 2022)

Cavalos, feltros e um caixão de lariço

Os seis cavalos, abatidos para o funeral, estavam do lado norte, com arreios enfeitados por peças de madeira cobertas de folha de ouro: carneiros montanheses, grifos e aves com chifres. As capas de sela de feltro, com predadores alados, conservaram cores como vermelho, amarelo, azul, branco e preto. O caixão, de quase 3 m e talhado em lariço, era fechado com grandes pregos de cobre e decorado com cervos recortados em couro. Vasos de argila, madeira e chifre guardavam bebida e comida sobre mesinhas. A mulher estava deitada sobre o lado direito, com as pernas levemente dobradas, sob uma coberta de pele e com a cabeça num travesseiro de feltro (Shustova 2022). (Shustova 2022)

Roupas, peruca e tatuagens em estilo animal

Além da camisa longa de seda, que Shustova (2022) descreve como a primeira roupa de seda achada no Altai, a mulher vestia saia de lã vermelha e branca, cinto de cordão vermelho e meias de feltro. Tinha a cabeça raspada, com peruca e um toucado de feltro de cerca de 60 cm, com 15 aves de madeira douradas e a figura de um cervo, preso por um alfinete de bronze. Levava um espelho de bronze com moldura de madeira decorada com cervo, brincos de ouro e um colar rígido com oito leopardos-das-neves alados. Os dois braços eram tatuados do ombro ao pulso em estilo animal, com um cervo de bico de grifo, um íbex, um carneiro e um leopardo malhado. (Shustova 2022)

O que as imagens médicas e o túmulo sugerem

Um novo exame de ressonância magnética de 1,5 T, publicado por Letyagin et al. (2018), acrescentou osteomielite dos fêmures, lesões traumáticas no ligamento cruzado anterior do joelho direito e num ligamento do pé direito, sinais de espondiloartrite e osteoartrite provavelmente autoimunes, estreitamento das articulações sacroilíacas, edema ósseo e bursite no tendão de Aquiles. Shustova (2022) destaca o caráter incomum do túmulo: até então as mulheres pazyryk apareciam enterradas com homens, os montes costumavam formar cadeias de norte a sul, e a câmara e o acabamento eram excepcionais. Para Molodin, citado pela autora, ela seria provavelmente uma sacerdotisa; o apelido de princesa do Altai, diz Shustova, não tem fundamento. (Letyagin et al. 2018; Shustova 2022)

Uma múmia reivindicada no Altai

O achado entrou num programa multidisciplinar que incluiu DNA antigo, com cientistas suíços, britânicos e alemães. Segundo Shustova (2022), a remoção da múmia provocou descontentamento na intelectualidade altaia: os arqueólogos foram proibidos de continuar no Ukok e quase acusados de profanar túmulos de ancestrais, e alguns altaios chegaram a culpar o trabalho arqueológico pelo terremoto do Chuya, em 2003. A autora também aponta o degelo do permafrost como ameaça aos túmulos congelados que restam. Hoje a múmia está no Museu Nacional A. V. Anokhin da República de Altai, em Gorno-Altaisk, numa sala reaberta em 26 de setembro de 2012. (Shustova 2022)

Fontes

  1. Letyagin, A. Yu.; Savelov, A. A.; Polosmak, N. V. (2014). "High Field Magnetic Resonance Imaging of a Mummy from Ak-Alakha-3 Mound 1, Ukok Plateau, Gorny Altai: Findings and Interpretations". Archaeology, Ethnology and Anthropology of Eurasia 42: 83–91. DOI 10.1016/j.aeae.2015.06.009. Acessar
  2. Letyagin, A. Yu.; Polosmak, N. V.; Savelov, A. A.; Korolev, M. A. et al. (2018). "High field MRI of joints and limbs’ tissues of the woman’s mummy from burial Ak-Alakha-3 on the Ukok Plateau". Сибирский научный медицинский журнал (Sibirskii nauchnyi meditsinskii zhurnal) n. 4. DOI 10.15372/ssmj20180402. Acessar
  3. Shustova, A. M. (2022). "Pazyryk Culture on the Ukok Plateau". Oriental Courier n. 1: 141. DOI 10.18254/s268684310021416-5. Acessar

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