Atlas da História

Ourivesaria de ouro do túmulo principesco de Arzhan 2 (Tuva, sul da Sibéria), em estilo animal cita-siberiano, de fins do séc. VII a.C.

Fins do séc. VII a.C. (Armbruster e Meyer 2024: "late 7th to early 6th centuries BCE"). Chugunov (2011) data o complexo na segunda metade do séc. VII a.C., com a maior parte do material no último quarto do século, ou seja, c. 625–600 a.C.; em ano astronômico, c. −624 a −599. O ano −612 é o meio dessa faixa, usado só como marca no tempo · Sibéria e Norte da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Entre 2000 e 2004, uma equipe russo-alemã escavou o kurgan Arzhan 2, em Tuva, e em 2001 abriu uma câmara funerária intacta (túmulo 5) com um homem e uma mulher de mesmo posto e cerca de 5.600 objetos de ouro, além de centenas de milhares de contas miniatura, segundo Armbruster e Meyer (2024). Pelas marcas de ferramenta, esses autores reconhecem fundição por cera perdida, chapa martelada e prensada, granulação, filigrana, esmalte e incrustações de ouro e prata em ferro, quase tudo em estilo animal cita-siberiano, e veem ali a evidência mais antiga de uma ourivesaria muito especializada no sul da Sibéria. Para Chugunov (2011), o complexo é da segunda metade do séc. VII a.C., e a maior parte do material, do último quarto do século.

O túmulo 5 e o que ele continha

Segundo Armbruster e Meyer (2024), o kurgan de Arzhan 2 mede 75 m de diâmetro e 2 m de altura, é cercado de estelas, pedras-cervo e círculos de pedra e só é superado, na cadeia de kurgans do vale, pelo Grande Kurgan de Arzhan 1. A escavação, entre 2000 e 2004, foi conduzida por uma equipe alemã e russa sob o Instituto Arqueológico Alemão e o Hermitage. Em 2001 chegou-se ao túmulo 5, que não tinha sido saqueado: além de têxteis e de objetos de ferro, bronze e madeira, a câmara de madeira guardava os restos de um homem e de uma mulher de mesmo posto, com cerca de 5.600 objetos de ouro e centenas de milhares de contas de ouro miniatura. No total, os autores falam em cerca de 9.300 artefatos no túmulo. (Armbruster e Meyer 2024)

Cinco ofícios no mesmo conjunto

Pelas marcas de ferramenta e pela morfologia das superfícies, Armbruster e Meyer (2024) identificam ao menos cinco áreas de especialização: peças fundidas com decoração entalhada ou talhada em relevo; chapa simples; chapa prensada; objetos com granulação, filigrana ou esmalte; e incrustações de metal precioso em ferro. A maior parte das peças foi fundida pelo método da cera perdida, incluindo figuras de animais, um pingente em forma de caldeirão miniatura e um colar fechado e maciço do homem. Na solda de várias peças os ourives usaram um pouco de cobre para baixar o ponto de fusão do ouro, o que, para os autores, mostra que conheciam a liga intencional. (Armbruster e Meyer 2024)

Produção em série e oficinas móveis

Os autores destacam a fabricação de milhares de figuras de felinos do mesmo tipo e de contas miniatura, que exigiria organização de oficina para poupar tempo de trabalho; a economia de metal só aparece nas aplicações de chapa prensada do vestuário da mulher. Como nenhuma ferramenta foi achada, eles deduzem o equipamento das marcas nos objetos e de analogias etnográficas, como os ourives itinerantes do Mali: um forno em cova com carvão e um fole, talvez de pele de cabra, além de cadinhos, tenazes, martelos, cunhas e punções, tudo transportável num saco ou caixa. Sugerem que isso combina com o modo de vida nômade e dizem que a maior parte das peças foi feita só para o rito funerário, pois não tem sinais de uso e traz rebarbas de fundição. (Armbruster e Meyer 2024)

A cronologia e suas dúvidas

Chugunov (2011) conclui que a cronologia absoluta do complexo cabe na segunda metade do séc. VII a.C., apoiada em uma grande série de datações por radiocarbono, algumas de amostras dendrocronológicas, e que a maior parte do material deve datar do último quarto do século; ele supõe que o complexo funcionou ao longo de cerca de uma geração, 25 anos. A dendrocronologia, publicada por Myglan e colegas (2006), indica que a madeira das construções dos túmulos 5 e 2 foi cortada no mesmo ano, no outono-inverno. O próprio Chugunov relata que parte dos especialistas questiona a data, porque o volume de achados de alta qualidade artística em um complexo fechado era inédito, e considera Arzhan 2 um dos complexos de referência para a cronologia do período cita antigo nas estepes da Eurásia. (Чугунов 2011)

Fontes

  1. Armbruster, Barbara; Meyer, Caspar (2024). "Gold Artifacts from the Early Scythian Princely Tomb Arzhan 2, Tuva—Aesthetics, Function, and Technology". Arts 13(2): 46. DOI 10.3390/arts13020046 (o DOI redireciona em doi.org para a página da MDPI, que recusa robôs). Texto baixado de https://hal.science/hal-04850372/document em 30/10/2026; volume e páginas conforme a folha de rosto da cópia HAL (42 páginas na versão da revista), não conferidos na versão impressa. Acessar
  2. Чугунов, К. В. (2011). «Аржан-2: реконструкция этапов функционирования погребально-поминального комплекса и некоторые вопросы его хронологии». Российский археологический ежегодник, № 1: a partir da p. 262 (a última página não foi conferida). Texto baixado de https://www.archeo.ru/izdaniya-1/rossiiskii-arheologicheskii-ezhegodnik/vypuski-ezhegodnika/pdf/18RAE1Chugunov.pdf em 30/10/2026. Acessar

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