Atlas da História

Evliya Çelebi (1611–c. 1684): viajante e autor do Seyahatnâme, em dez volumes

nasceu em Istambul em 25 mar. 1611 (10 muharrem de 1020 da Hégira), segundo o que ele mesmo escreve; morreu em data e lugar incertos, entre cerca de 1682 e 1684 · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante, Península Arábica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Evliya Çelebi nasceu em Istambul em 1611, filho de um ourives do palácio, e passou mais de quarenta anos viajando por quase todo o território otomano e além, a serviço de paxás, em campanhas, em comissões de cobrança e, em 1671, na peregrinação a Meca. Segundo İlgürel, escreveu o Seyahatnâme, um relato de viagem em dez volumes sem paralelo na história cultural turca, que termina de repente no Egito, onde ele parece ter ficado mais de dez anos. O próprio verbete adverte que o autor gostava de exagerar e de inventar histórias curiosas.

Família, formação e corte

Segundo o próprio Evliya, citado por İlgürel, ele nasceu em 10 muharrem de 1020 (25 de março de 1611) em Unkapanı, Istambul, filho de Derviş Mehmed Zıllî Efendi, chefe dos ourives do palácio, e de uma mãe de origem abaza trazida ao palácio no tempo de Ahmed I. O verbete avisa que ele costuma dar notícias exageradas sobre a família. Estudou cerca de sete anos na medrese do xeique-ul-islã Hâmid Efendi, aprendeu caligrafia com o pai e música, e entrou no Enderun. Foi apresentado a Murad IV, divertia o sultão com ditos espirituosos e foi mandado à Despensa Privada. Depois de quatro anos saiu do Enderun com 40 akçe de soldo como cavaleiro. (İlgürel)

O sonho e as primeiras viagens

Evliya atribui as viagens a um sonho da noite de Aşura de 1040 (19 de agosto de 1630). No sonho, ao beijar a mão do Profeta numa multidão, em vez de pedir intercessão (şefaat) disse 'seyahat'. O Profeta sorriu e lhe prometeu intercessão, viagem e peregrinação a lugares santos. O xeique da casa mevlevi de Kasımpaşa, a quem contou o sonho, aconselhou-o a descrever primeiro Istambul. Em 1640 foi a Bursa; o pai então o autorizou a viajar e a escrever um livro de viagens. A primeira viagem longa foi em 1641, com o novo governador de Trabzon, passando por Anapa até o Azov. Dali foi à Crimeia e voltou a Istambul por mar, quase naufragando. (İlgürel)

Anatólia, Cáucaso, Síria e a Europa central

Em 1646 entrou, como músico e companheiro, no séquito de Defterdarzâde Mehmed Paşa, governador de Erzurum, e percorreu a Anatólia, o Azerbaijão e a Geórgia (Baku, Tbilisi, Erevã). Em agosto de 1648 foi a Damasco com Murtaza Paşa e visitou cidades da Síria e da Palestina. Depois serviu a Melek Ahmed Paşa em várias províncias, da Bósnia ao Danúbio, e participou de campanhas na Transilvânia (1661) e na Áustria (1663), na batalha de Raab e na embaixada a Viena (1664). Em 1668 foi a Creta durante o cerco de Cândia, passou ao Peloponeso e à Albânia e voltou em dezembro de 1670. (İlgürel)

A peregrinação e o Egito

Evliya partiu de Istambul em maio de 1671, para a peregrinação que também liga a um sonho, em que viu o pai e o mestre. Foi com um amigo, três companheiros e oito escravizados, a primeira vez que viajou sem se unir a uma caravana, e escolheu um caminho novo: Bursa, Kütahya, Esmirna, as ilhas de Quios, Samos, Cós e Rodes, o sul da Anatólia e a Síria, onde em Damasco se juntou à caravana de peregrinos. Depois do hajj passou ao Egito, de onde percorreu o Sudão e a Etiópia. O Seyahatnâme termina no décimo volume, incompleto e de repente, o que leva à hipótese de que tenha morrido sem acabá-lo. (İlgürel)

Fontes

  1. İlgürel, Mücteba. "EVLİYÂ ÇELEBİ". TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 11 (İstanbul: TDV İslâm Araştırmaları Merkezi, 1995). https://islamansiklopedisi.org.tr/evliya-celebi (consultado em 30/10/2026). Acessar

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