Revoltas celali e a Grande Fuga (büyük kaçgunluk) na Anatólia e na Síria, 1603-1608
1603-1608, o período da 'grande fuga' segundo a TDV; as revoltas celali começaram na década de 1590 e voltaram em ondas menores até a metade do século · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Entre 1603 e 1608, segundo a TDV, a Anatólia passou pela 'grande fuga', em que a população deixou aldeias e buscou refúgio em cidades e fortalezas, enquanto bandos armados chamados celali, em geral chefiados por antigos funcionários do Estado, atacavam o campo durante as guerras otomanas com a Áustria e a Pérsia. Canbolatoğlu Ali dominou Alepo e Damasco até ser derrotado em 1607 por Kuyucu Murad Paşa, e Kalenderoğlu tomou Manisa nesse ano. Historiadores discutem o quanto a pressão demográfica, a carga fiscal e a venda de cargos explicam as revoltas, e o quanto os registros de população do século XVII mostram mortes e o quanto mostram fuga ou camponeses que entraram nos bandos.
De Celâl oğlu Şah Velî aos bandos do século XVII
Segundo a TDV, o nome vem de Celâl oğlu Şah Velî, que em 1519 se levantou perto de Tokat com pretensão messiânica; depois disso, toda revolta, fosse qual fosse seu fim, passou a ser chamada celali, e o povo dava esse nome a quem lhe fizesse mal. O verbete aponta várias causas combinadas: o crescimento da população no século XVI sem aumento correspondente da terra cultivável, que criou camponeses sem terra (çiftbozan), a crise econômica do fim do século com moeda de baixa liga e inflação, a presença de antigos detentores de timar que, sem cargo, viraram bandoleiros, e a venda de cargos provinciais a administradores que cobravam impostos extras (salgun) durante mandatos curtos. Segundo o verbete, uma ordem de justiça (adâletnâme) enviada a todo o império em 1565 e as de Mehmed III e de Ahmed I (1609) tentaram proteger os camponeses. (İlgürel 1993)
1603-1608: a grande fuga e os chefes celali
A TDV conta que, com as guerras contra a Áustria e a Pérsia, a Anatólia ficou desguarnecida: Deli Hasan tomou Kütahya e acabou nomeado governador da Bósnia (1603); Tavil Ahmed derrotou tropas e cercou a fortaleza de Harput (1605), e um de seus filhos tomou o governo de Bagdá com um decreto falso. Dos anos 1603 a 1608 a população deixou o campo para cidades e fortalezas, e a Anatólia ficou 'quase em ruínas', segundo o verbete. Canbolatoğlu Ali, sobrinho de Canbolatoğlu Hüseyin Paşa, executado por Cigalazâde Sinan Paşa em 1604, dominou Kilis, Alepo e Damasco, formou infantaria e cavalaria, mandou ler o sermão em seu nome, cunhou moeda, declarou independência e procurou contato com Estados europeus, até ser reprimido em 1607 por Kuyucu Murad Paşa. Kalenderoğlu tomou Manisa em 1607 e fugiu para a Pérsia diante dele. (İlgürel 1993)
A 'crise demográfica' em debate
Özel (2004) revisa a discussão sobre se a Anatólia teve 'pressão populacional' no século XVI e uma 'crise demográfica' no XVII. Os registros fiscais (tahrir, avariz e cizye) mostram, para o século XVI, população registrada que dobrou em muitos lugares, e, nos levantamentos do início do XVII que ele usa, queda muito forte de contribuintes registrados. Ele recusa ler essa queda como 70 a 80% da população rural morta: parte dos camponeses terá formado os 'centenas de bandos celali' ainda ativos na década de 1640, e parte terá escapado do registro. Na conclusão, observa que o crescimento do século XVI não significa automaticamente 'pressão', que ela se mostra ao menos em Rum, e pede atenção às diferenças regionais. Ele diz ainda que a razão entre nascimentos e mortes é um ponto que as fontes atuais dificilmente permitem esclarecer. (Özel 2004)
Fontes
- İlgürel, Mücteba (1993). "Celâlî İsyanları". TDV İslâm Ansiklopedisi, TDV İslâm Araştırmaları Merkezi. https://islamansiklopedisi.org.tr/celali-isyanlari. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
- Özel, Oktay (2004). "Population Changes in Ottoman Anatolia during the 16th and 17th Centuries: The 'Demographic Crisis' Reconsidered". International Journal of Middle East Studies 36(2): 183-205. DOI 10.1017/S0020743804362021. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Grande Deportação (Büyük Sürgün) dos armênios por Abas I e a fundação de Nova Julfa, 1604-1605 1604-1605
- Kâtib Çelebi (Katip Çelebi, Hacı Halife), 1609–1657: funcionário, bibliógrafo, historiador e geógrafo de Istambul nasceu em Istambul em fev. 1609 (zilkade de 1017 da Hégira) e morreu em 6 out. 1657 (27 zilhicce de 1067), segundo Gökyay (TDV)
- Mesquita do Sultão Ahmed (Istambul), 1609–1617: planta central, cúpula sobre quatro pilares e seis minaretes obra iniciada em 1018 da Hégira (1609), mesquita aberta ao culto em 1025 (1616) e concluída com o mobiliário em 1026 (1617); o conjunto (külliye) foi construído entre 1609 e 1620 (1018–1029 H), segundo Çobanoğlu (TDV)
- Evliya Çelebi (1611–c. 1684): viajante e autor do Seyahatnâme, em dez volumes nasceu em Istambul em 25 mar. 1611 (10 muharrem de 1020 da Hégira), segundo o que ele mesmo escreve; morreu em data e lugar incertos, entre cerca de 1682 e 1684
- Hatice Turhan Sultan (c. 1627–1683): mãe de Mehmed IV, valide sultan por 35 anos e patrona da Yeni Valide Camii nascimento tido como de 1627 (tradição repetida pela TDV, sem fonte direta); morreu em Edirne em 5 jul. 1683 (10 receb de 1094), segundo Karaca (TDV), com data de agosto em algumas fontes
- Movimento Kadızadeli e a disputa com os sufis em Istambul década de 1630 a c. 1685 (da pregação de Kadızâde Mehmed em Istambul à morte de Vanî Mehmed; a TDV registra reflexos ainda em 1692)