Atlas da História

Movimento Kadızadeli e a disputa com os sufis em Istambul

década de 1630 a c. 1685 (da pregação de Kadızâde Mehmed em Istambul à morte de Vanî Mehmed; a TDV registra reflexos ainda em 1692) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Kadızadeli é o nome dado a um grupo de pregadores de Istambul que, a partir do reinado de Murad IV, atacou como bid'a (inovação) práticas como o sama e o devran dos sufis, a visita a túmulos e o uso de tabaco e café, tomando por base a obra de Birgivî Mehmed. A disputa com os sufis halvetis, ligados a Abdülmecid Sivâsî, passou do púlpito ao palácio e, segundo a TDV, teve três fases, de Kadızâde Mehmed Efendi (m. 1635) a Vanî Mehmed Efendi (m. 1685). Em 1656, depois do Incidente do Plátano (Çınar Vak'ası), os líderes foram exilados em Chipre, e o Estado não deixou que a pregação coercitiva virasse política permanente.

O ponto de partida: Birgivî e a disputa com Sivâsî

Segundo a TDV, o movimento tomou o nome de Kadızâde Mehmed Efendi (nascido em 1582, em Balıkesir, falecido em 1635), pregador do Fatih e depois do Ayasofya (1631-32), e se apoiava na obra de Birgivî Mehmed (m. 1573), em especial no Tarîkat-ı Muhammediyye, e na tradução turca ampliada de Ibn Taymiyya feita por Kadızâde. A enciclopédia resume os pontos em disputa com o xeique halveti Abdülmecid Sivâsî em três grupos: práticas sufis (sama, devran, zikir e música), crenças e ritos (ler as ciências racionais, o estatuto de Ibn al-Arabi, a visita a túmulos, as noites santas) e questões sociais (tabaco e café, suborno, beijar a mão). Kadızâde classificou boa parte disso como bid'a e haram. A TDV nota que, no princípio, Murad IV equilibrou os dois lados e deu garantias a Sivâsî. (Çavuşoğlu 2001)

Segunda e terceira fases: palácio, exílio e proibições

Depois de Kadızâde, a TDV descreve uma segunda fase, sob Üstüvânî Mehmed Efendi, quando os pregadores ganharam influência no palácio nos últimos anos de İbrahim e no início do reinado de Mehmed IV. Em 1651 invadiram, com ordem do grão-vizir, um convento halveti; em 1653 o xeique-ul-islam Bahâî reuniu os ulemás, que concluíram que as refutações ao Tarîkat-ı Muhammediyye eram inválidas. Segundo Naîmâ, citado pela enciclopédia, após o Incidente do Plátano (1656) o grupo planejou destruir os conventos de Istambul e obrigar os dervixes a renovar a fé; o grão-vizir Köprülü Mehmed Paşa obteve um decreto de execução, trocado pelo exílio de Üstüvânî, Türk Ahmed e Divane Mustafa em Chipre. Na terceira fase, Vanî Mehmed Efendi, ligado a Fazıl Ahmed Paşa, conseguiu do sultão a proibição do sama dos mevlevis em 1666, a das visitas a túmulos em 1667 e a demolição das tavernas em 1670. (Çavuşoğlu 2001)

Cafés, tabaco e ordem pública: a leitura de Karagöz

Karagöz (2020) examina as ordens dos registros mühimme e os autos do tribunal do cádi de Ayntab (Antep) sobre cafés e tabaco no século XVII. Pelos documentos que consultou, as proibições foram impostas sobretudo por decretos e fetvas, e a justificativa jurídica esteve ligada à ordem pública; as ordens não bastam para dizer que um conservadorismo religioso as moveu. Ela observa que o consumo continuou apesar dos decretos, que a reação do povo se dividia (parte incomodada com as aglomerações, parte frequentando os cafés) e que os ulemás divergiam. Cita Kâtib Çelebi, que via pouco efeito nas proibições e não aprovava invadir casas. Para o fim do século, vê crescer a inclinação a controlar e tributar em vez de proibir, e menciona uma fetva do século XVIII que declara o café lícito. Ela adverte que arquivos não transcritos, como os autos de Ayntab de 1620-1650, poderiam alterar as conclusões. (Karagöz 2020)

Fontes

  1. Çavuşoğlu, Semiramis (2001). "Kadızâdeliler". TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 24, p. 100-102. TDV İslâm Araştırmaları Merkezi. https://islamansiklopedisi.org.tr/kadizadeliler. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
  2. Öz, Veysel (2025). "XVII. Yüzyıl Osmanlısında Kadızâdeliler-Halvetîler Çatışması ve Siyasî Yansımaları". Amasya İlahiyat Dergisi 27: 544-579. DOI 10.18498/amailad.1740866. Texto bruto lido (PDF da revista, CC BY-NC 4.0), apenas o resumo e a introdução, em 30/10/2026. Acessar
  3. Karagöz, Fatma Gül (2020). "17. Yüzyılda Mühimme Defterleri ve Ayntâb/Antep Şer'iye Sicilleri Örneklerinde Kahvehânelerin Kapatılması ve Tütün Yasaklarının Uygulanması". Hacettepe Üniversitesi Hukuk Fakültesi Dergisi 10(2): 494-554. DOI 10.32957/hacettepehdf.765820. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar

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