Atlas da História

Grande Deportação (Büyük Sürgün) dos armênios por Abas I e a fundação de Nova Julfa, 1604-1605

1604-1605 · Anatólia e Cáucaso, Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 1604, durante a guerra com os otomanos, o xá safávida Abas I conquistou a região de Nakhchivan e mandou transferir à força os habitantes de Julfa, cidade armênia de comércio no rio Aras, para Isfahan, onde os deportados fundaram Nova Julfa. A deportação, chamada pelos armênios de 'sürgün', continuou em 1605, segundo Donabédian. Seppälä, Tajarian e Gasparyan citam o objetivo de impedir uma grande metrópole armênia na fronteira e de enriquecer o Irã com o comércio dos mercadores armênios.

Julfa antes de 1604: comércio, vinho e a ponte do Aras

Seppälä (2021) descreve Julfa como uma das cidades de comércio armênias mais conhecidas, com manuscritos que a citam em colofões de 1325 a 1604 e seu auge no fim do século XVI. Segundo ele, a prosperidade vinha da ponte de pedra pela qual as caravanas atravessavam o Aras, da segurança e do vinho, e que cerca de uma dúzia de relatos de viajantes ocidentais a descrevem. Tajarian e Gasparyan (2025) dizem que as vilas ao redor de Nakhchivan comerciavam desde os séculos XIII e XIV com vários países. Donabédian (2026) observa que, nas décadas finais do século XVI e nos primeiros anos do XVII, os khachkars (cruzes de pedra) de Julfa seguiram um tipo próprio, muito esguio e com traços de ornamento islâmico, que ele chama de 'iranizante', e que a deportação interrompeu. (Seppälä 2021; Tajarian e Gasparyan 2025; Donabédian 2026)

1603-1605: a guerra, a conquista e a deportação

Tajarian e Gasparyan (2025), citando Arakel de Tabriz, contam que o século XVII começou com uma desgraça para o povo armênio: em 1603 o xá Abas marchou com um grande exército de Isfahan ao Ararate para iniciar a guerra planejada contra os otomanos. Ao visar a província de Nakhchivan, o xá ficou três dias em Julfa, cujos moradores o receberam com tapetes e objetos valiosos, sem prever o que viria. Seppälä (2021) coloca a conquista em 1604 e diz que o xá ordenou transferir os habitantes de Julfa para Isfahan e destruir a ponte. Donabédian chama o episódio de 'grande deportação de 1604-05'. Os autores armênios lidos citam como testemunhas Arakel de Tabriz, Hovhannes de Maku e Davit Geghamatsi. Tajarian e Gasparyan dão a cifra de 400.000 armênios deportados da Armênia Oriental, citando Malkhasyan (2019), número não confrontado neste registro. (Tajarian e Gasparyan 2025; Seppälä 2021; Donabédian 2026)

Nova Julfa e o preço da transferência

Segundo Tajarian e Gasparyan (2025), o xá permitiu aos deportados de Julfa construir casas perto do Zayande, e decretos (farmans) dirigidos aos moradores de Nova Julfa, estudados por Kostikyan, registram privilégios que permitiram a ricos comerciantes (khwaja) erguer igrejas e mansões; nos anos 1660 havia 24 igrejas apostólicas. De Nova Julfa esses comerciantes operaram redes de comércio do Oceano Índico a Manila e Cantão e a Marselha e Amsterdã, segundo os autores. Marouti (2026) vê nas comunidades armênias do Irã um legado nascido de reassentamento muitas vezes involuntário. Seppälä (2021) observa que, em 1617, os pedreiros e gravadores armênios que restavam nas áreas sob domínio persa foram mandados para o interior da Pérsia. A TDV (Murphey) associa Nova Julfa à retomada do comércio de seda no Irã. (Tajarian e Gasparyan 2025; Marouti 2026; Seppälä 2021; Murphey 2001)

Fontes

  1. Tajarian, Yvette; Gasparyan, Greta (2025). "New Julfa as a Juncture of Armenian, European, and Persian Art". ORIENT 60: 41-51. DOI 10.5356/orient.60.41. https://www.jstage.jst.go.jp/article/orient/60/0/60_41/_article. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar
  2. Seppälä, Serafim (2021). "The Struggle for Memory: The Khachkar Field of Julfa and Other Armenian Sacred Spaces in Azerbaijan". RES 13(2): 185-213. DOI 10.2478/ress-2021-0021. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar
  3. Donabédian, Patrick (2026). "The Question of Persian Models in Armenian Architecture, from the Sassanids to the Safavids". In: Ferrari, Aldo; Riccioni, Stefano (eds.), Armenian Art in Iran (Eurasiatica 24). Venezia: Edizioni Ca' Foscari, p. 11-84. DOI 10.30687/979-12-5742-061-1/002. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar
  4. Marouti, Andreh (2026). "Silent Sentinels: Unveiling the Stories of Armenian Tombstones in Iran". In: Ferrari, Aldo; Riccioni, Stefano (eds.), Armenian Art in Iran (Eurasiatica 24). Venezia: Edizioni Ca' Foscari, p. 185-. DOI 10.30687/979-12-5742-061-1/007. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar
  5. Murphey, Rhoads (2001). "Kasrışîrin Antlaşması". TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 24, p. 575. https://islamansiklopedisi.org.tr/kasrisirin-antlasmasi. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar

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