Atlas da História

Kâtib Çelebi (Katip Çelebi, Hacı Halife), 1609–1657: funcionário, bibliógrafo, historiador e geógrafo de Istambul

nasceu em Istambul em fev. 1609 (zilkade de 1017 da Hégira) e morreu em 6 out. 1657 (27 zilhicce de 1067), segundo Gökyay (TDV) · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante, Península Arábica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Mustafa, filho de Abdullah, conhecido como Kâtib Çelebi entre os eruditos e como Hacı Halife na chancelaria imperial, nasceu em Istambul em 1609 e morreu em 1657. Segundo Gökyay, começou como funcionário da contabilidade do Divã imperial, acompanhou campanhas no Iraque, no Irã e no Cáucaso e, a partir de 1635, passou a viver sobretudo de estudar e escrever. Deixou crônicas em turco e árabe, uma grande bibliografia de livros e ciências (Keşfü'z-zunûn) e um tratado de geografia (Cihannümâ), para o qual fez traduzir o Atlas Minor de Mercator e Hondius.

Da chancelaria às campanhas

Segundo Gökyay, que se apoia nas autobiografias do próprio Kâtib Çelebi, o jovem Mustafa nasceu em Istambul em fevereiro de 1609, filho de um homem do Enderun que serviu na corte. Aos 14 anos, o pai fixou-lhe uma mesada de 14 dirhems e o levou consigo; ele entrou então no escritório da Contabilidade da Anatólia, no Divã imperial, onde aprendeu as regras de contas e a escrita de chancelaria. Seguiu o exército em campanhas na Anatólia oriental e contra Bagdá (1626 e 1630), no cerco de Erzurum (1628), em nova campanha a leste (1633–1634) e em Erevã (1635). O verbete diz que a fome e a confusão da retirada de Bagdá o marcaram muito, e que depois de 1635 ele passou a se dedicar quase só ao estudo. (Gökyay)

Livros, mestres e o fim do ofício

Em 1636 já havia lido muitos livros de história e biografias. No ano seguinte, com a herança de um parente rico, gastou cerca de 300.000 akçe em livros, reformou a casa que ficava entre as mesquitas de Fatih e de Yavuz Selim e casou-se. Estudou com A'rec Mustafa Efendi e com outros mestres de Istambul, passou dois anos em hadith e leu lógica e retórica. Segundo Gökyay, durante cerca de dez anos estudou dia e noite. Em 1645, quando a guerra de Creta começou, interessou-se também por fazer mapas, e logo depois deixou o cargo por uma disputa sobre vagas. Morreu em 6 de outubro de 1657, de manhã, e foi enterrado perto de Zeyrek. (Gökyay)

O Cihannümâ e o Atlas Minor

Gökyay conta que Kâtib Çelebi se interessava por geografia e afirmava que europeus e gregos estavam à frente dos geógrafos do islã nessa área. Para remediar a falta, decidiu escrever o Cihannümâ. Para obter fontes sobre a Europa, traduziu com a ajuda de Mehmed İhlâsî, um francês convertido ao islã, o Atlas Minor de Mercator e Hondius (Arnhem, 1621) sob o título Levâmiu'n-nûr fî zulümâti Atlas Minor. O verbete diz que não é uma tradução seca, mas comentada e crítica, e que o objetivo era munir a parte europeia do Cihannümâ. Ele também verteu para o turco trechos da Meteora de Aristóteles, o Theatrum orbis terrarum de Jovans e uma introdução à geografia de Cluverius. (Gökyay)

Crônicas, bibliografia e astronomia

A obra histórica inclui a Fezleketü't-tevârîh em árabe, uma história universal até 1641 em que ele diz ter consultado cerca de 1300 obras; a Fezleke, crônica em turco dos anos de 1592 a 1654; a Takvîmü't-tevârîh, cronologia até 1648; e a Tuhfetü'l-kibâr, sobre as guerras navais otomanas até 1656, escrita por ocasião da campanha de Creta. A Tuhfetü'l-kibâr e a Takvîmü't-tevârîh foram impressas na gráfica de Müteferrika, em 1141 e 1146 da Hégira. O Keşfü'z-zunûn, que levou vinte anos, é um dicionário bibliográfico de livros e ciências. Em el-İlhâmü'l-mukaddes, ele discute as horas de oração e jejum onde dia e noite diferem muito, e se há lugar onde toda direção seria a qibla. (Gökyay)

Fontes

  1. Gökyay, Orhan Şaik. "KÂTİB ÇELEBİ". TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 25 (Ankara: TDV İslâm Araştırmaları Merkezi, 2022), p. 36-40. https://islamansiklopedisi.org.tr/katib-celebi (consultado em 30/10/2026). Acessar

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