Atlas da História

Fortalezas dácias dos montes de Orăștie

séc. I a.C. ao início do séc. II d.C. (UNESCO) · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Seis fortificações nos montes de Orăștie, na Romênia, erguidas nos séculos I a.C. e I d.C. como núcleo do Reino Dácio, entre elas Sarmizegetusa Regia, Costești-Blidaru e Piatra Roșie. Unem técnicas militares e religiosas do mundo clássico e da Idade do Ferro europeia e foram conquistadas pelos romanos no início do séc. II d.C.

Fortalezas, terraços e uma cidade na montanha

As seis fortalezas, datadas do séc. I a.C. ao início do séc. II d.C., delimitam cerca de 150 km² nos montes Șureanu que, segundo Bârcă (2019), foram por quase dois séculos a área mais extensamente habitada da Dácia. Bănița, no limite oeste do vale do Jiu, defendia pelo sul o acesso à capital; Căpâlna, a nordeste, controlava o vale do Sebeș. No centro estava Sarmizegetusa Regia, por um século e meio o principal centro político, religioso, econômico e militar do mundo dácio e o maior assentamento conhecido da região. Ela tinha três partes: a fortaleza, a área sagrada e bairros civis. Tudo foi erguido em terraços artificiais, os maiores com quase meio hectare (150 por 80 m), sustentados por muros em técnica murus Dacicus, de influência helenística, que chegavam a 12 m de altura. Casas retangulares, poligonais ou circulares, celeiros de madeira, oficinas, canais de drenagem, canos de barro, ruas pavimentadas e escadarias levam Bârcă a concluir, com apoio em levantamentos a laser (LIDAR), que o lugar era urbano. (Bârcă 2019)

Templos ou celeiros?

Para Bârcă (2019), a área sagrada, a cerca de 1.000 m de altitude, reunia sete templos e um altar de andesito sobre dois terraços com muros de calcário. Opreanu (2016) contesta essa leitura. Ele lembra que foi D. M. Teodorescu, em 1929, quem propôs santuários ligados ao culto do céu, sem argumento arqueológico; Constantin Daicoviciu chegou a considerar essas fileiras de bases como construções profanas em 1951, mas oficializou a leitura de santuários no tratado de história da Academia, em 1960. O inventário do “santuário” I, no terraço XI, tem 119 peças de metal, quase todas pregos e cravos, além de um cinzel e um machado, e faltam ali os indícios de culto da lista de 18 critérios de Colin Renfrew. Opreanu propõe que as bases sustentavam pisos elevados de armazéns de cereais, com paralelos em celeiros romanos e de outras épocas, essenciais para uma população numerosa atravessar os seis meses frios da montanha. (Bârcă 2019; Opreanu 2016)

Ferro, ouro e uma casa da moeda

Opreanu (2016) também rejeita a imagem de uma “montanha sagrada” e de uma aristocracia sóbria. Os tesouros de moedas e braceletes de ouro sem uso, em sua leitura, seriam parte do tesouro real de Burebista, escondido talvez nas turbulências que acompanharam sua deposição, e não oferendas rituais. O motor da urbanização teria sido a disputa da aristocracia dácia pelo controle do minério de ferro da região. Bârcă (2019) reúne indícios dessa economia: oficinas de bronze e metais preciosos em várias fortalezas, inclusive Sarmizegetusa; e, sob uma oficina de ferreiro da época romana, uma casa da moeda dácia que queimou em 106 d.C., com quatro cunhos que copiavam denários romanos (dois republicanos, de 126 e 86 a.C., e um de Tibério) e escória de ferro e bronze. Bârcă endossa ainda a ideia de que o vale do Mureș foi a base agrícola que tornou possível o sistema de fortalezas. (Opreanu 2016; Bârcă 2019)

Guerra romana e patrimônio sem gestão

Depois da guerra de 101–102, os termos de paz obrigaram os dácios a desmontar parte da muralha de Sarmizegetusa, reconstruída quando as tropas romanas saíram. A fortaleza dácia, de cerca de 10 mil m², foi quase toda destruída nas guerras e logo depois; a fortificação visível hoje, de cerca de 30 mil m², foi erguida pelos romanos no início do séc. II, com peças de andesito tiradas dos templos (Bârcă, 2019). A UNESCO inscreveu o conjunto em 2 de dezembro de 1999 e destaca a fusão de técnicas militares e religiosas. Bârcă descreve o que veio depois: só Sarmizegetusa passou à administração do conselho do condado de Hunedoara, e ali o saque arqueológico e a destruição desapareceram. As outras cinco fortalezas não têm planos anuais de proteção e gestão; os comitês criados em 2012 (Căpâlna) e 2014 (as demais) perderam coordenadores, e o vandalismo e as escavações clandestinas continuam. (Bârcă 2019; UNESCO, lista nº 906)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Dacian Fortresses of the Orastie Mountains", lista nº 906. https://whc.unesco.org/en/list/906/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Bârcă, V. (2019). "Accomplishments and failures in the management of fortress Sarmizegetusa Regia, a UNESCO World Heritage monument". Journal of Ancient History and Archaeology 6(4). DOI 10.14795/j.v6i4.464. Acessar
  3. Opreanu, C. H. (2016). "Profan vs. sacru la Sarmizegetusa Regia". Analele Banatului, S.N. 24: 233–254. DOI 10.55201/ngil7057. Acessar

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