Atlas da História

Fundação da abadia de Cluny (910): a doação de Guilherme I da Aquitânia aos apóstolos Pedro e Paulo

910 (a carta de fundação traz, na edição de Bruel traduzida por Henderson, a data de 11 de setembro de 910) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 910, Guilherme, conde e duque, doou aos apóstolos Pedro e Paulo a vila de Cluny, na região de Mâcon, com sua igreja, terras e as pessoas que nelas viviam, para que ali se erguesse um mosteiro de regra beneditina sob o abade Bernon. A carta, redigida com a esposa Ingelberga, tira os monges de qualquer poder terreno, inclusive o do próprio doador, e os põe sob a proteção de Roma. Rosé lê a definição desses privilégios como estratégia de Odão, o segundo abade, para equilibrar a autoridade real e a pontifícia.

O que a carta determina

Pela tradução de Henderson, Guilherme e a esposa Ingelberga entregam Cluny a Pedro e Paulo pelo amor de Deus e pela alma do rei Odo, dos pais, dos próprios e de Ava, que lhe deixara esses bens em testamento. Mandam construir ali um mosteiro regular de Pedro e Paulo, onde os monges vivam pela regra de São Bento, sob o abade Bernon enquanto viver; depois dele, os monges elegem livremente quem quiserem. A cada cinco anos pagarão dez soldos à igreja dos apóstolos em Roma, para as lâmpadas, e terão a proteção dos apóstolos e a defesa do pontífice romano. Devem praticar caridade com pobres, necessitados, estrangeiros e peregrinos. (Carta de fundação da ordem de Cluny)

Livres de qualquer poder terreno

A cláusula que mais pesa na história de Cluny diz que, desde aquele dia, os monges não estarão sujeitos nem ao 'jugo' do doador, nem ao de seus parentes, nem ao poder real, nem a qualquer poder da terra. Guilherme proíbe que príncipes seculares, condes ou bispos, e até o pontífice de Roma, invadam, diminuam, troquem ou deem como benefício os bens dos servos de Deus, ou ponham prelado contra a vontade dos monges. Quem tentar, diz a carta, sofrerá a ira de Deus e será excluído da comunhão, com maldições longas. (Carta de fundação da ordem de Cluny)

Bernon, Odão e os dados de divulgação

O texto da Clunypedia diz que se sabe pouco de Bernon, primeiro abade, nascido de família influente da Borgonha, fundador de Gigny; que a doação de 910 lhe foi feita para implantar um estabelecimento fiel à regra de São Bento e que, à frente de vários mosteiros, ele priorizou Gigny e parece ter confiado Cluny a Odão desde 924, designando-o sucessor em 926. A BnF acrescenta que doze monges se instalaram em Cluny, onde já havia uma vila que garantia o sustento, e que a primeira igreja abacial (Cluny I) ficou pronta em 927. Os dois textos chamam Guilherme de duque da Aquitânia, mas divergem: a BnF diz conde de Auvergne, a Clunypedia, conde de Mâcon. (Clunypedia; Bibliothèque nationale de France)

Fontes

  1. Carta de fundação da ordem de Cluny, 910, 'The Foundation Charter of the Order of Cluny', in Ernest F. Henderson (trad.), Select Historical Documents of the Middle Ages (Londres: George Bell, 1892), Livro III, nº IV (a partir da edição de A. Bruel, Recueil des chartes de l'abbaye de Cluny, Paris, 1876). https://en.wikisource.org/wiki/Select_Historical_Documents_of_the_Middle_Ages/Book_III/The_Foundation_Charter_of_the_Order_of_Cluny (texto bruto lido em 30/10/2026; é uma transcrição do Wikisource) Acessar
  2. Isabelle Rosé, 'Odon de Cluny (vers 879-942). Itinéraire et ecclésiologie d'un abbé réformateur, entre aristocratie carolingienne et monde féodal', Bulletin du centre d'études médiévales d'Auxerre | BUCEMA, 10, 2006 (resumo de tese), mis en ligne le 12 septembre 2006. DOI: 10.4000/cem.427. http://journals.openedition.org/cem/427 (texto bruto lido em 30/10/2026) Acessar
  3. Clunypedia, 'Les abbés fondateurs : Bernon et Odon'. https://www.clunypedia.com/les-abbes-fondateurs-bernon-et-odon (texto bruto lido em 30/10/2026; a autoria aparece como doutoranda da Université Paul-Valéry de Montpellier, sem o nome no texto extraído) Acessar
  4. Bibliothèque nationale de France, Passerelles, 'Histoire de l'abbaye de Cluny'. https://passerelles.essentiels.bnf.fr/fr/article/dea7b76a-98f8-4426-ac85-41f0c1cef071-histoire-abbaye-cluny (texto bruto lido em 30/10/2026) Acessar

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