Atlas da História

Guerra de independência da Grécia (Revolução Grega)

1821–1829 · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Revolta iniciada em 1821 contra o domínio otomano no reinado de Mahmud II, que terminou com a criação de um reino grego independente após a intervenção da Rússia, da França e da Grã-Bretanha. É lida tanto como marco do nacionalismo europeu quanto como episódio da história otomana.

Estudos de cabeça, ombro e pé para "Cenas dos massacres de Quios"
Desenho a grafite do pintor francês Delacroix, estudo para uma tela sobre os massacres de Quios, na Guerra de independência da Grécia. É olhar de fora, de um artista europeu que apoiava a causa grega e fez a obra para o público de Paris. Estudos de cabeça, ombro e pé para "Cenas dos massacres de Quios", Eugène Delacroix, 1823. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Cena dos massacres de Quios
Quadro de um pintor francês que nunca esteve em Quios, feito para o Salão de Paris de 1824 e que ajudou a mobilizar a opinião europeia a favor da causa grega. Mostra civis gregos sob o domínio otomano e deixa de fora o ponto de vista otomano. Cena dos massacres de Quios, Eugène Delacroix, 1824. Domínio público. Ver no acervo

Da Filiki Eteria à marcha de Ypsilantis

Arıkan (1988) parte da sociedade secreta Filiki Eteria, fundada em Odessa em 1814, e das intrigas de Halet Efendi contra Ali Paxá de Tepelena, declarado rebelde pela Porta, que criaram um ambiente favorável aos conspiradores; o próprio Ali passou depois a apoiar a Eteria. Segundo o autor, a revolta começou na Valáquia e na Moldávia, não no Peloponeso: Alexandros Ypsilantis, chefe geral da sociedade, marchou sobre Iași com cerca de 3.000 homens, esperando obter ajuda russa e atrair sérvios, romenos e búlgaros. O tsar não aprovou a iniciativa, e a Rússia deu garantias oficiais à Porta, como a declaração do seu embaixador de 22 de março de 1821, embora acolhesse fugitivos e lhes enviasse dinheiro. As tropas otomanas derrotaram o levante, e Ypsilantis refugiou-se na Áustria. (Arıkan 1988)

Morea, ilhas e uma fátua contida

No Peloponeso (Morea), o levante estava planejado para a noite de Páscoa, com padres enviados a avisar as aldeias, e devia alcançar as ilhas e até Chipre; um incidente em Argos, em março de 1821, precipitou-o. Arıkan (1988) relata que o grão-vizir, o şeyhülislam, Halet Efendi e o agá dos janízaros levaram o caso a Mahmud II, que, irado, ordenou punir com a morte todos os súditos ortodoxos (rum). Uma fátua autorizou aplicar aos rebeldes as regras de guerra, com bens tomados como butim e mulheres e crianças como cativos. Estadistas, o patriarca ortodoxo e metropolitas intercederam, e um decreto limitou a investigação e a punição aos envolvidos. A revolta se espalhou, e navios de Hidra, Spetses e Psara passaram a atacar a costa ocidental da Anatólia. (Arıkan 1988)

Ayvalık, cidade de azeite, sabão e escolas

O estudo de Arıkan (1988) trata de Ayvalık (Kydonia, em grego), cidade ortodoxa grega da costa egeia da Anatólia, documentada desde a segunda metade do séc. XVIII. Tinha mais de cem prensas, produzia cerca de um milhão de okka de azeite por ano e contava mais de trinta saboarias; abastecia em parte Istambul, mandava sabão para a Trácia e a Macedônia e vendia azeite à Rússia. Segundo documentos otomanos, a população chegava a 25.000 pessoas por volta de 1820. A cidade tinha uma academia, fechada por um tempo e depois autorizada a reabrir, e uma tipografia aberta em 1819. O cronista Şanizade associava essas escolas, com professores formados na Europa, à difusão de ideias de liberdade e da história grega entre os moradores. (Arıkan 1988)

O levante de junho de 1821 e o confisco dos olivais

Pelos documentos reunidos por Arıkan (1988), em 14 de junho de 1821 cerca de 75 navios corsários surgiram perto da ilha de Yund (Cunda), e moradores de Ayvalık começaram a fugir para eles às escondidas. A cidade se levantou, a revolta foi reprimida, e parte da população partiu nos navios. As autoridades tomaram casas, lojas, campos e olivais, avaliados em vinte mil bolsas (kese) de akçe, e Mahmud II mandou registrá-los para não perder a colheita. Mais tarde veio o perdão: um relatório de maio de 1824 informa que os moradores de Ayvalık e de Yund estavam sendo trazidos de volta e reassentados, e os olivais foram devolvidos aos que retornaram. O autor nota que, quando Charles Texier passou por ali em 1832, a cidade ainda não tinha recuperado a situação anterior. (Arıkan 1988)

Como os cronistas otomanos explicaram a revolta

Vaitsis (2023) lê a revolução como parte da história otomana e do esforço do império para se adaptar à modernidade, por meio de cronistas oficiais como Şanizade, Esad, Cevdet e Lütfi. Segundo o resumo da tese, eles registram mudanças, mas não rupturas radicais; apresentam o sultão como piedoso, forte e benevolente; percebiam a perda de legitimidade do Estado entre os não muçulmanos, mas a calavam por omissão; concordavam sobre o papel do clero, a instigação russa e o apoio europeu, e divergiam sobre Ali Paxá. Arıkan (1988) usa os mesmos cronistas e documentos de arquivo. Şanizade e Cevdet atribuíam o levante de Ayvalık a uma manobra de Halet Efendi contra o ex-şeyhülislam que tirava renda da cidade; Arıkan julga errado fazer dele o autor direto dos fatos, porque a ideia de um Estado helênico independente já circulava ali e a Eteria mantinha laços com a cidade. (Βαΐτσης 2023; Arıkan 1988)

Fontes

  1. Mazower, M. (2021). The Greek Revolution: 1821 and the Making of Modern Europe. Penguin Books. ISBN 9780241004104.
  2. Βαΐτσης, Ν. (2023). Οθωμανοί ιστοριογράφοι και Ελληνική Επανάσταση. Tese de doutorado, Εθνικό και Καποδιστριακό Πανεπιστήμιο Αθηνών (ΕΚΠΑ). DOI 10.12681/eadd/56173. Acessar
  3. Arıkan, Z. (1988). "1821 Ayvalık İsyanı". Belleten 52(203): 571–600. DOI 10.37879/belleten.1988.571. Acessar

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