Guerra de independência da Grécia (Revolução Grega)
1821–1829 · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Revolta iniciada em 1821 contra o domínio otomano no reinado de Mahmud II, que terminou com a criação de um reino grego independente após a intervenção da Rússia, da França e da Grã-Bretanha. É lida tanto como marco do nacionalismo europeu quanto como episódio da história otomana.
Da Filiki Eteria à marcha de Ypsilantis
Arıkan (1988) parte da sociedade secreta Filiki Eteria, fundada em Odessa em 1814, e das intrigas de Halet Efendi contra Ali Paxá de Tepelena, declarado rebelde pela Porta, que criaram um ambiente favorável aos conspiradores; o próprio Ali passou depois a apoiar a Eteria. Segundo o autor, a revolta começou na Valáquia e na Moldávia, não no Peloponeso: Alexandros Ypsilantis, chefe geral da sociedade, marchou sobre Iași com cerca de 3.000 homens, esperando obter ajuda russa e atrair sérvios, romenos e búlgaros. O tsar não aprovou a iniciativa, e a Rússia deu garantias oficiais à Porta, como a declaração do seu embaixador de 22 de março de 1821, embora acolhesse fugitivos e lhes enviasse dinheiro. As tropas otomanas derrotaram o levante, e Ypsilantis refugiou-se na Áustria. (Arıkan 1988)
Morea, ilhas e uma fátua contida
No Peloponeso (Morea), o levante estava planejado para a noite de Páscoa, com padres enviados a avisar as aldeias, e devia alcançar as ilhas e até Chipre; um incidente em Argos, em março de 1821, precipitou-o. Arıkan (1988) relata que o grão-vizir, o şeyhülislam, Halet Efendi e o agá dos janízaros levaram o caso a Mahmud II, que, irado, ordenou punir com a morte todos os súditos ortodoxos (rum). Uma fátua autorizou aplicar aos rebeldes as regras de guerra, com bens tomados como butim e mulheres e crianças como cativos. Estadistas, o patriarca ortodoxo e metropolitas intercederam, e um decreto limitou a investigação e a punição aos envolvidos. A revolta se espalhou, e navios de Hidra, Spetses e Psara passaram a atacar a costa ocidental da Anatólia. (Arıkan 1988)
Ayvalık, cidade de azeite, sabão e escolas
O estudo de Arıkan (1988) trata de Ayvalık (Kydonia, em grego), cidade ortodoxa grega da costa egeia da Anatólia, documentada desde a segunda metade do séc. XVIII. Tinha mais de cem prensas, produzia cerca de um milhão de okka de azeite por ano e contava mais de trinta saboarias; abastecia em parte Istambul, mandava sabão para a Trácia e a Macedônia e vendia azeite à Rússia. Segundo documentos otomanos, a população chegava a 25.000 pessoas por volta de 1820. A cidade tinha uma academia, fechada por um tempo e depois autorizada a reabrir, e uma tipografia aberta em 1819. O cronista Şanizade associava essas escolas, com professores formados na Europa, à difusão de ideias de liberdade e da história grega entre os moradores. (Arıkan 1988)
O levante de junho de 1821 e o confisco dos olivais
Pelos documentos reunidos por Arıkan (1988), em 14 de junho de 1821 cerca de 75 navios corsários surgiram perto da ilha de Yund (Cunda), e moradores de Ayvalık começaram a fugir para eles às escondidas. A cidade se levantou, a revolta foi reprimida, e parte da população partiu nos navios. As autoridades tomaram casas, lojas, campos e olivais, avaliados em vinte mil bolsas (kese) de akçe, e Mahmud II mandou registrá-los para não perder a colheita. Mais tarde veio o perdão: um relatório de maio de 1824 informa que os moradores de Ayvalık e de Yund estavam sendo trazidos de volta e reassentados, e os olivais foram devolvidos aos que retornaram. O autor nota que, quando Charles Texier passou por ali em 1832, a cidade ainda não tinha recuperado a situação anterior. (Arıkan 1988)
Como os cronistas otomanos explicaram a revolta
Vaitsis (2023) lê a revolução como parte da história otomana e do esforço do império para se adaptar à modernidade, por meio de cronistas oficiais como Şanizade, Esad, Cevdet e Lütfi. Segundo o resumo da tese, eles registram mudanças, mas não rupturas radicais; apresentam o sultão como piedoso, forte e benevolente; percebiam a perda de legitimidade do Estado entre os não muçulmanos, mas a calavam por omissão; concordavam sobre o papel do clero, a instigação russa e o apoio europeu, e divergiam sobre Ali Paxá. Arıkan (1988) usa os mesmos cronistas e documentos de arquivo. Şanizade e Cevdet atribuíam o levante de Ayvalık a uma manobra de Halet Efendi contra o ex-şeyhülislam que tirava renda da cidade; Arıkan julga errado fazer dele o autor direto dos fatos, porque a ideia de um Estado helênico independente já circulava ali e a Eteria mantinha laços com a cidade. (Βαΐτσης 2023; Arıkan 1988)
Fontes
- Mazower, M. (2021). The Greek Revolution: 1821 and the Making of Modern Europe. Penguin Books. ISBN 9780241004104.
- Βαΐτσης, Ν. (2023). Οθωμανοί ιστοριογράφοι και Ελληνική Επανάσταση. Tese de doutorado, Εθνικό και Καποδιστριακό Πανεπιστήμιο Αθηνών (ΕΚΠΑ). DOI 10.12681/eadd/56173. Acessar
- Arıkan, Z. (1988). "1821 Ayvalık İsyanı". Belleten 52(203): 571–600. DOI 10.37879/belleten.1988.571. Acessar
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