Revolução dos Cravos
25 abr. 1974 · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Golpe do Movimento das Forças Armadas (MFA) em 25 de abril de 1974, com apoio popular imediato, que encerrou 48 anos de ditadura (1926–1974), os últimos 41 sob o Estado Novo em Portugal. Veio no fim da Guerra Colonial (1961–1974), travada contra os movimentos de independência de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.
Capitães que não queriam mais uma guerra perdida
Varela (2012) descreve o MFA como saído do Movimento dos Capitães, oficiais intermediários que não queriam ir para uma guerra que julgavam perdida, depois de 13 anos de conflito sem solução política. No início de 1974, dos 4.165 oficiais do quadro permanente do Exército, 703 participaram do golpe, cerca de 16,9%; dos participantes, 73,82% vinham da infantaria e da artilharia e 80,8% eram capitães ou majores. Uma maioria relativa (39,4%) vinha de famílias de funcionários públicos, e 20,5%, de camadas menos favorecidas. Para a autora, a combinação da luta anticolonial com as lutas na metrópole reforçou a legitimidade dos movimentos de libertação e precipitou as independências: em 19 meses, todas as ex-colônias se tornaram independentes. (Varela 2012)
Uma semana que desmontou o regime
Segundo Varela (2012), em menos de uma semana a população de Lisboa destruiu os símbolos do regime: o governo foi cercado no Quartel do Carmo, os presos políticos de Caxias e de Peniche foram libertados, a PIDE foi desmantelada, a sede do jornal do regime, A Época, foi atacada e a censura, abolida. A direção formal do país foi entregue, por meio da Junta de Salvação Nacional, a um setor das elites representado pelo general Spínola, autor de Portugal e o futuro, que aconselhava uma solução política para a guerra e era associado a uma saída federalista para as colônias. Vários pesquisadores, diz a autora, leem a queda do primeiro-ministro Palma Carlos, em 9 de julho, e a do próprio Spínola, em 30 de setembro de 1974, como fruto da divisão sobre as colônias. A lei da independência saiu em 27 de julho de 1974, e PS, PCP e PPD convocaram no dia seguinte uma manifestação para celebrá-la. (Varela 2012)
De 11 de março a 25 de novembro de 1975
O processo se radicalizou com ocupações de latifúndios, comissões de moradores e nacionalizações. Varela (2012) acompanha as etapas: a tentativa de golpe de direita dirigida por Spínola em 11 de março de 1975, barrada por uma mobilização geral; a criação do Conselho da Revolução no dia seguinte; o pacto entre o MFA e os partidos, em 11 de abril; e as eleições de 25 de abril de 1975. Em 10 de julho, o PS deixou o IV Governo Provisório, oficialmente por causa do caso República. Em 5 de setembro, na assembleia do MFA em Tancos, o Grupo dos Nove afastou Vasco Gonçalves e isolou a esquerda militar. Em 12 de novembro, dezenas de milhares de operários da construção cercaram por dois dias o Palácio de São Bento, onde se reunia a Constituinte. O golpe de 25 de novembro de 1975 fechou esse ciclo. (Varela 2012)
Angola vista de Coimbra: o relato de João Melo
Na entrevista a Rita Chaves, da Universidade de São Paulo, o escritor angolano João Melo recorda o 25 de Abril, que viveu em Coimbra aos 19 anos; depois dele, largou o curso de Direito e seguiu para Luanda para participar da luta pela independência. Segundo Melo, a independência das colônias não estava na agenda inicial dos capitães e teve de ser negociada, ao menos no programa de abril de 1974; Varela (2012) observa que, na época do governo de Palma Carlos, o MFA, o PCP e o PS já queriam a independência, e Spínola falava em autodeterminação, não em independência. Ele lembra que Salazar recusara em 1960 uma proposta do MPLA, que a PIDE-DGS ainda disparou contra pessoas no próprio dia 25 e que a maior parte dos estudantes africanos acabou voltando. Para ele, sem as lutas de libertação africanas não teria havido 25 de Abril; a independência de Angola foi proclamada sem autoridades portuguesas, e o reconhecimento do governo do MPLA pelo Brasil lhe deu credibilidade (Chaves 2025). (Chaves 2025; Varela 2012)
Fontes
- Varela, R. (2012). "'Um, dois, três MFA...': o Movimento das Forças Armadas na Revolução dos Cravos - do prestígio à crise". Revista Brasileira de História 32(63): 403–425. DOI 10.1590/s0102-01882012000100019. Acessar
- Chaves, R. (2025). "'Sem as lutas de libertação africanas, não haveria 25 de Abril': Interview with João Melo". Metamorfoses - Revista de Estudos Literários Luso-Afro-Brasileiros 21(1). DOI 10.35520/metamorfoses.2024.v21n01a64213. Acessar
- Wikidata Q609836 (Guerra Colonial Portuguesa 1961–1974; P17: Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau); consultado via API em out. 2026
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