Atlas da História

Homo naledi

c. 335 mil a 236 mil anos atrás (Câmara Dinaledi, Dirks et al. 2017) · África Austral

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Espécie de Homo descrita em 2015 com fósseis de pelo menos 15 indivíduos da Câmara Dinaledi, no sistema de cavernas Rising Star, na África do Sul. Tinha cérebro pequeno, como o dos australopitecos, mas viveu há cerca de 335 mil a 236 mil anos, na época dos primeiros representantes da linhagem do H. sapiens.

Os fósseis da Câmara Dinaledi

Berger et al. (2015) descreveram a espécie com fósseis da Câmara Dinaledi, no sistema de cavernas Rising Star, no Berço da Humanidade, na África do Sul. Os restos representam pelo menos 15 indivíduos, com a maioria das partes do esqueleto repetida várias vezes, e formam, segundo os autores, o maior conjunto de uma só espécie de hominíneo já achado na África. A massa e a estatura são parecidas com as de populações humanas de corpo pequeno, mas o volume endocraniano é pequeno, como o dos australopitecos. Mão, punho, pé e perna se parecem com os humanos, enquanto o tronco, o ombro, a pelve e a parte de cima do fêmur lembram os dos australopitecos; os dentes são pequenos e de forma simples. Harvati e Reyes-Centeno (2022) destacam a surpresa de achar um hominíneo de cérebro pequeno, com idade de cerca de 300 mil anos, numa das áreas mais pesquisadas do mundo. (Berger et al. 2015; Harvati e Reyes-Centeno 2022)

Como a espécie foi datada

Dirks et al. (2017) combinaram luminescência opticamente estimulada dos sedimentos com série do urânio-tório e paleomagnetismo das crostas de calcita para mostrar que todos os sedimentos com fósseis pertencem a uma mesma unidade, depositada entre 414 mil e 236 mil anos atrás. Três dentes foram datados por série do urânio combinada à ressonância de spin eletrônico; no cenário que os autores julgam mais próximo das condições da caverna, a média dos dois dentes menos alterados dá 253 mil anos, com margem de 82 mil para mais e 70 mil para menos. Juntando esse resultado à idade da crosta mais antiga que cobre os fósseis, o depósito ficou entre 335 mil e 236 mil anos, bem mais recente do que se esperava pela anatomia. A equipe incluiu pesquisadores da Universidade do Witwatersrand e da Universidade de Joanesburgo, como Tebogo Makhubela. (Dirks et al. 2017)

A proposta de sepultamento e as críticas

Em novas escavações na Antecâmara Hill e na Câmara Dinaledi, Berger et al. (2025) acharam concentrações de fósseis com partes do esqueleto ainda articuladas, sinal de cobertura rápida por sedimento antes da decomposição; reexaminaram também a área Puzzle Box, com pelo menos seis indivíduos recuperados em 2013 e 2014. Para os autores, os dados excluem a decomposição sobre o chão da câmara e o deslizamento natural de sedimentos, e a hipótese mínima de sepultamento cultural é a mais compatível com o conjunto. Na avaliação publicada pela revista eLife, um revisor considerou o sepultamento intencional demonstrado, e outro achou a evidência incompleta, porque não se sabe com certeza como os corpos chegaram à câmara. Martinón-Torres et al. (2024), de instituições da Espanha, do Reino Unido, da África do Sul, da Austrália e dos EUA, publicaram uma crítica cujo título nega haver evidência científica de sepultamento ou de arte rupestre pelo H. naledi. (Berger et al. 2025; Martinón-Torres et al. 2024)

Fontes

  1. Berger, L. R.; Hawks, J.; de Ruiter, D. J.; Churchill, S. E. et al. (2015). "Homo naledi, a new species of the genus Homo from the Dinaledi Chamber, South Africa". eLife 4. DOI 10.7554/eLife.09560. Acessar
  2. Dirks, P. H. G. M.; Roberts, E. M.; Hilbert-Wolf, H.; Kramers, J. D. et al. (2017). "The age of Homo naledi and associated sediments in the Rising Star Cave, South Africa". eLife 6. DOI 10.7554/eLife.24231. Acessar
  3. Berger, L. R.; Makhubela, T. V.; Molopyane, K.; Krüger, A. et al. (2025). "Evidence for deliberate burial of the dead by Homo naledi". eLife 12. DOI 10.7554/eLife.89106. Acessar
  4. Martinón-Torres, M.; Garate, D.; Herries, A. I. R.; Petraglia, M. D. (2024). "No scientific evidence that Homo naledi buried their dead and produced rock art". Journal of Human Evolution 195: 103464. DOI 10.1016/j.jhevol.2023.103464. Acessar
  5. Harvati, K.; Reyes-Centeno, H. (2022). "Evolution of Homo in the Middle and Late Pleistocene". Journal of Human Evolution 173: 103279. DOI 10.1016/j.jhevol.2022.103279. Acessar

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