Sistema de cavernas Rising Star: Homo naledi sob o Berço da Humanidade
c. 335 a 236 mil anos atrás (idade de deposição dos fósseis em Dirks et al. 2017) · África Austral
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sistema de cavernas na África do Sul, no sítio do Berço da Humanidade, onde foram achados fósseis da espécie Homo naledi, de cerca de 335 a 236 mil anos. Os restos estão a cerca de 30 m de profundidade, e os autores do achado propõem que seriam sepultamentos, o que outros pesquisadores contestam.
O achado de 2013 e a Câmara Dinaledi
Os primeiros fósseis foram reconhecidos na Câmara Dinaledi em outubro de 2013, e uma escavação curta recuperou 1.550 espécimes que representam quase todos os elementos do esqueleto, vários em articulação. A câmara fica a cerca de 30 m de profundidade, nos dolomitos Malmani, perto de Swartkrans, no sítio do Berço da Humanidade, em Gauteng. Não há acesso em linha reta desde a superfície: o caminho mais curto passa por mais de 100 m pelas câmaras vizinhas. Em 2015 a equipe liderada por Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, descreveu a espécie Homo naledi; naledi significa estrela em sotho. (Berger et al. 2015; Berger et al. 2025)
Um corpo pequeno e um cérebro pequeno
Segundo a descrição de 2015, Homo naledi tem massa corporal e estatura parecidas com as de populações humanas de corpo pequeno, mas volume endocraniano semelhante ao dos australopitecos. A morfologia do crânio é considerada única, porém mais próxima à de espécies iniciais de Homo, como H. erectus e H. habilis. (Berger et al. 2015)
A idade: de 236 a 335 mil anos
Em 2017, Dirks e colegas combinaram datação por luminescência de sedimentos, urânio-tório e paleomagnetismo de crostas de calcita e datação por urânio e ressonância de spin em três dentes. Concluíram que todos os sedimentos com Homo naledi pertencem a uma só unidade, depositada entre 236 e 414 mil anos, e restringiram a idade dos fósseis a entre 236 e 335 mil anos. Os autores notam que isso torna a idade muito menor do que se supunha pela morfologia, e que um hominíneo de traços arcaicos sobreviveu até a parte final do Pleistoceno na África. (Dirks et al. 2017)
Sepultamento intencional: hipótese em debate
Em novas escavações na Câmara Dinaledi e na Antecâmara Hill, a equipe de Berger e de pesquisadores sul-africanos, como Tebogo Makhubela e Keneiloe Molopyane, achou concentrações de fósseis articulados, cobertos rapidamente por sedimento antes da decomposição. Descartaram, como explicações, o apodrecimento no chão da câmara, a cova rasa e o deslizamento natural de sedimento, e propõem como hipótese mínima o sepultamento cultural. Martinón-Torres e colegas publicaram um comentário contrário, que no título afirma não haver evidência científica de sepultamento nem de arte rupestre. (Berger et al. 2025; Martinón-Torres et al. 2024)
Fontes
- Berger, L. R.; Hawks, J.; de Ruiter, D. J.; Churchill, S. E. et al. (2015). "Homo naledi, a new species of the genus Homo from the Dinaledi Chamber, South Africa". eLife 4. DOI 10.7554/eLife.09560. Acessar
- Dirks, P. H. G. M.; Roberts, E. M.; Hilbert-Wolf, H.; Kramers, J. D. et al. (2017). "The age of Homo naledi and associated sediments in the Rising Star Cave, South Africa". eLife 6. DOI 10.7554/eLife.24231. Acessar
- Berger, L. R.; Makhubela, T. V.; Molopyane, K.; Krüger, A. et al. (2025). "Evidence for deliberate burial of the dead by Homo naledi". eLife 12. DOI 10.7554/eLife.89106. Acessar
- Martinón-Torres, M.; Garate, D.; Herries, A. I. R.; Petraglia, M. D. (2024). "No scientific evidence that Homo naledi buried their dead and produced rock art". Journal of Human Evolution 195: 103464. DOI 10.1016/j.jhevol.2023.103464. Acessar
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