Independência da Jamaica
6 ago. 1962 · Caribe
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 6 de agosto de 1962 a Jamaica se tornou independente do Reino Unido, com a promulgação em Kingston, após mudanças constitucionais iniciadas em 1944. Clarke (2006) observa que as estruturas coloniais não desapareceram; um ensaio de Louis Lindsay publicado em 1975 pela University of the West Indies criticou a cooptação do movimento pelas elites políticas.
Da crise dos anos 1930 aos sindicatos e partidos
Segundo o Serviço de Informação da Jamaica (JIS), órgão do governo, a crise dos anos 1930 juntou a depressão mundial, a ruína dos bananais pelo mal-do-panamá, a queda do preço do açúcar, o desemprego agravado pelo fechamento das rotas de emigração e um crescimento acelerado da população; em 1938, a tensão explodiu em protestos e distúrbios por toda a ilha. Desses conflitos saíram os primeiros sindicatos e os dois grandes partidos: Alexander Bustamante fundou o Bustamante Industrial Trade Union e o Partido Trabalhista da Jamaica (JLP); Norman Manley, o National Workers' Union e o Partido Nacional do Povo (PNP). Os dois, diz o JIS, foram decisivos no caminho para o autogoverno, e as primeiras eleições gerais com sufrágio universal adulto ocorreram em dezembro de 1944, marco das mudanças constitucionais que Colin Clarke (2006) toma como ponto de partida. O mesmo texto oficial lembra o regime anterior: depois da revolta de Morant Bay, em 1865, o governador Edward Eyre trocou a antiga Constituição pelo sistema de colônia da Coroa. (Jamaica Information Service; Clarke 2006)
Federação recusada e a independência de 1962
Em 1958, a Jamaica e outros dez países do Caribe formaram a Federação das Índias Ocidentais, mas, segundo o JIS, a ideia de unidade caribenha foi abandonada em 1961, quando os jamaicanos votaram contra a Federação. Em fevereiro de 1962, o Legislativo aprovou uma nova Constituição e o premiê Norman Manley convocou eleições gerais; Bustamante venceu em abril e tornou-se o primeiro primeiro-ministro. Em 6 de agosto, a Jamaica tornou-se independente e membro da Commonwealth britânica. Para o JIS, independência significou que as decisões passaram ao primeiro-ministro e ao gabinete eleitos no país, e que era preciso criar Constituição, símbolos e emblemas, Forças Armadas, moeda e passaportes próprios, além de nomear embaixadores e assinar tratados. A data é comemorada todo 6 de agosto; em outubro, na Semana Nacional do Patrimônio, o país homenageia seus seis heróis e uma heroína nacionais, entre eles Paul Bogle e George William Gordon, enforcados depois da revolta de Morant Bay. (Jamaica Information Service; Jamaica Information Service)
Comida para exportar, comida para comer
Henrice Altink (2020) parte de um dado: às vésperas da independência, a desnutrição era a principal causa isolada de morte de crianças de menos de um ano na Jamaica. Ela liga o problema à herança da plantation. Na escravidão, os senhores reservavam às pessoas escravizadas as terras menos férteis para plantar a própria comida e completavam a dieta com peixe seco importado, separando, como observou Sidney Mintz, a comida “para exportar” da comida “para comer”. Depois da emancipação, em 1838, os libertos tiveram dificuldade de obter terra boa; entre 1890 e 1910, a parte da exportação na produção agrícola subiu de 64% para 81%, e a ilha passou a depender de alimentos importados. Nos anos 1960, a economia cresceu, mas o desemprego passou de 13,5% para 17%, só 30% da população viu a renda subir e a renda semanal dos 30% de menor renda caiu 24% entre 1958 e 1968. A autora nota ainda que os inquéritos nutricionais da época mediam as crianças jamaicanas pela escala de Gomez, cuja referência eram crianças de Boston, em sua maioria de ascendência europeia. (Altink 2020)
Kingston, ajuste estrutural e o “mito” da independência
Pelo resumo do capítulo, Clarke (2006) compara emprego e moradia em Kingston nos últimos anos coloniais e nas primeiras décadas de soberania. A capital já era uma metrópole superlotada, de base industrial fraca, numa economia pequena e aberta; o ajuste estrutural, aplicado de modo sistemático a partir dos anos 1980, aumentou o desemprego ou o abandono da força de trabalho e piorou a moradia da classe baixa sem trazer crescimento, embora depois os dados mostrem melhora gradual. Altink (2020) descreve a mesma virada: o governo do PNP de Michael Manley, eleito em 1972, adotou um programa socialista democrático e ampliou a atenção primária, de 73 centros de saúde no início dos anos 1960 para 382 em 1977; o primeiro acordo com o FMI veio em 1977, e a vitória do JLP de Edward Seaga, em 1980, abriu caminho ao neoliberalismo. Louis Lindsay, no ensaio de 1975 conhecido aqui pelo resumo da reedição, sustentou que a independência não apagou as marcas psicológicas do colonialismo e até reforçou nos valores da nova nação ideias de inferioridade negra e superioridade branca e imperial. (Clarke 2006; Altink 2020; Lindsay 2011)
Fontes
- Clarke, C. (2006). "Urbanization in Kingston since Independence". In: Decolonizing the Colonial City. Oxford University Press. DOI 10.1093/oso/9780199269815.003.0011. Acessar
- Lindsay, L. (2011). "The Myth of Independence: Middle Class Politics and Non-Mobilization in Jamaica". SSRN (reedição de ensaio de 1975, University of the West Indies, Mona). DOI 10.2139/ssrn.1822826. Acessar
- Altink, H. (2020). "Tackling child malnutrition in Jamaica, 1962–2020". Humanities and Social Sciences Communications 7: 50. DOI 10.1057/s41599-020-00536-5. Acessar
- Jamaica Information Service, "The History of Jamaica". https://jis.gov.jm/information/jamaican-history/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Jamaica Information Service, "Independence". https://jis.gov.jm/information/independence/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
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